Segundo aliados, manifestações de diretórios do Avante a favor do PT aceleraram o anúncio do escritor; antes Cury havia sinalizado neutralidade
O receio de ter o nome associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) levou o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) a antecipar o anúncio de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, segundo aliados.
Inicialmente, a manifestação estava prevista para ocorrer somente após o retorno de Cury ao Brasil, já que o ex-presidenciável está na Europa.
Segundo interlocutores, a decisão foi acelerada após contatos da campanha de Flávio e manifestações de diretórios do Avante favoráveis à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O entorno de Cury temia que a ausência de um posicionamento público abrisse espaço para especulações sobre uma possível aproximação com o petista, provocando desgaste em sua imagem.
No Piauí, o presidente estadual do Avante, Gustavo Henrique, anunciou apoio à reeleição de Lula. Na Bahia, Ronaldo Carletto, que comanda a legenda no estado, também reafirmou o apoio ao petista.
Durante a campanha presidencial, circularam informações falsas de que Cury teria apoiado Lula em 2022. Naquele ano, porém, quem integrou oficialmente a coligação petista foi o Avante, partido ao qual o escritor só se filiou em 2026.
Saindo da neutralidade
Terceiro colocado no primeiro turno, com 3.448.569 votos, o equivalente a 2,89% dos votos válidos, Cury chegou a alcançar 11% das intenções de voto em pesquisa. Durante a campanha, o candidato havia afirmado que não apoiaria “nem Lula nem Flávio”. A posição inicial era de neutralidade.
Noiva cobiçada
Enquanto Flávio Bolsonaro conseguiu estabelecer contato direto com o escritor, Lula não chegou a conversar com o ex-presidenciável. Ainda no primeiro turno, o petista havia declarado, em entrevista à Rádio Itatiaia, que pretendia procurá-lo para discutir uma possível aliança na segunda etapa da disputa.
A adesão à campanha de Flávio ocorreu depois que outros dois ex-presidenciáveis, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), anunciaram apoio ao senador. Ao ser procurado pela campanha bolsonarista, Cury condicionou sua manifestação à assinatura de uma carta com oito compromissos.
Na manhã de quinta-feira (8), Flávio e Cury conversaram por videoconferência durante mais de uma hora. O encontro resultou na assinatura do documento intitulado Termo de Compromisso Público com o Brasil, no qual o senador assumiu compromissos defendidos pelo escritor durante a campanha.
Compromissos
Entre as exigências estão a defesa de uma reforma constitucional para acabar com a reeleição presidencial, a ampliação da educação em tempo integral, a valorização dos professores e a expansão do ensino técnico. Na saúde, Flávio se comprometeu a criar uma ampla rede pública de telemedicina integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS), com o uso de inteligência artificial para reduzir o tempo de espera por consultas com especialistas.
O documento também prevê medidas de combate à violência contra as mulheres, incluindo a criação de um aplicativo com botão de pânico conectado às forças de segurança, além do fortalecimento de delegacias especializadas e de políticas de autonomia econômica feminina.
Na economia, os compromissos incluem o financiamento de microempreendimentos por meio do BNDES, o incentivo ao cooperativismo e a meta de dobrar a produção brasileira de alimentos em dez anos.
Outro ponto da carta trata da pacificação nacional. Flávio assumiu o compromisso de governar sem perseguições políticas e de respeitar brasileiros de diferentes correntes ideológicas.
O documento ressalta que a adesão de Cury não envolve negociação de cargos ou vantagens pessoais e estabelece que o escritor manterá independência para cobrar e criticar uma eventual gestão de Flávio.
Da CNN Brasil.





















