A nova Quaest não apenas confirma a liderança de Jorginho Mello. Ela muda o patamar da eleição para o Governo de Santa Catarina.
Com 54% das intenções de voto, quatro pontos acima da rodada anterior, Jorginho aparece novamente acima da metade dos votos totais. E não é um número isolado.
Em setembro, diferentes pesquisas colocaram o governador entre 49% e 58,8%. São metodologias diferentes, mas a direção é semelhante: Jorginho se mantém muito acima dos adversários e começa a transformar o primeiro turno numa possibilidade concreta.
Enquanto isso, João Rodrigues caiu de 17% para 13% na nova Quaest. Gelson Merisio subiu de 4% para 10%.
E aqui está uma das mudanças mais interessantes da eleição: a disputa pelo segundo lugar está ficando mais acirrada justamente enquanto a liderança se distancia.
João e Merisio agora disputam espaço entre si. E isso pode ser determinante.
Porque, para impedir uma vitória de Jorginho no primeiro turno, não basta um adversário crescer. É preciso que esse crescimento seja suficiente para retirar do governador a vantagem que hoje mantém.
Até agora, as pesquisas não mostram esse movimento.
Senado: outra eleição
Se no Governo existe concentração, no Senado existe fragmentação.
E a nova Quaest traz um dado que merece atenção.
Em agosto, Amin tinha 19%, Carlos Bolsonaro 16% e Carol de Toni 12%.
Agora, Carol aparece com 17%, Carlos com 16% e Amin com 15%.
Carol ganhou cinco pontos. Amin perdeu quatro. Carlos permaneceu estável.
Não significa que Amin esteja fora da disputa. Os três continuam tecnicamente empatados.
Mas significa algo politicamente importante: a vantagem que Amin tinha há um mês desapareceu.
E não é apenas a Quaest que registra Carol em crescimento. Outros levantamentos de setembro também colocaram a deputada do PL em posição de destaque na corrida pelas duas vagas.
O Senado, portanto, virou uma eleição muito mais aberta.
E há um combustível para isso: 22% dos eleitores continuam indecisos. No segundo voto, são 27%.
É eleitor demais para qualquer candidato tratar a disputa como resolvida.
O fator direita
Aqui está talvez a questão mais interessante da nova fotografia eleitoral.
Jorginho está muito forte para governador. Ao mesmo tempo, Carol cresce para o Senado e Carlos Bolsonaro permanece competitivo.
Como esse eleitorado vai distribuir seus dois votos?
Essa resposta pode ser decisiva.
Porque a eleição para o Senado não será vencida simplesmente por quem aparecer em primeiro numa pesquisa. São duas vagas, dois votos e um eleitorado ainda bastante dividido.
Amin continua competitivo, mas agora precisa enfrentar uma disputa que se tornou muito mais congestionada.
E isso muda a leitura da campanha.
Há um mês, sua posição parecia mais confortável. Hoje, já não é.
A fotografia de hoje
Os números permitem uma leitura bastante objetiva.
Jorginho lidera com folga e apresenta um cenário compatível com uma vitória no primeiro turno.
João e Merisio disputam a segunda posição, mas ainda não ameaçam a liderança.
No Senado, Carol, Carlos e Amin estão separados por poucos pontos e tecnicamente empatados.
Décio permanece atrás, mas ainda dentro de uma eleição com espaço para mudanças.
E existe um eleitorado enorme que ainda não decidiu.
A eleição catarinense, portanto, começa a andar em duas velocidades.
No Governo, concentração.
No Senado, embolamento.
Jorginho começa a transformar a campanha numa discussão sobre se haverá ou não segundo turno.
O Senado, ao contrário, ainda é uma disputa sobre quem conseguirá ocupar as duas vagas.
E talvez essa seja a principal mensagem da Quaest: enquanto Jorginho amplia seu espaço na eleição majoritária, seus adversários ainda estão dividindo entre si o espaço que precisam conquistar.
A campanha entrou numa nova fase.
Agora, cada pesquisa terá menos importância pelo número que apresentar e mais pela resposta a duas perguntas:
Jorginho continuará crescendo o suficiente para encerrar a eleição no primeiro turno?
E, no Senado, quem conseguirá transformar crescimento em vaga?





























