A Espanha não encontrou provas de que autoridades do Marrocos tenham planejado ou organizado a entrada em massa de imigrantes em Ceuta, território espanhol no norte da África, em julho. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (3) pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, após um relatório policial levantar suspeitas sobre a atuação das forças marroquinas na fronteira.
Segundo o documento, a chegada de milhares de pessoas à região pode ter sido organizada em etapas para pressionar o controle fronteiriço. Sánchez afirmou, porém, que nenhuma instituição apresentou ao governo espanhol evidências concretas de envolvimento direto do Marrocos. “Posso garantir que nenhuma instituição forneceu ao governo espanhol qualquer prova concreta de que Marrocos planejou ou executou o incidente. Absolutamente nenhuma”, disse.
O primeiro-ministro reconheceu que as forças marroquinas permitiram a passagem pela fronteira durante cerca de dez horas em 30 de julho, período em que o fluxo migratório atingiu seu maior volume. Ainda não está esclarecido, segundo ele, se os agentes deixaram de atuar deliberadamente ou se perderam o controle da situação. O relatório aponta também que havia menos policiais do que o habitual na região e que não houve uma ação efetiva para dispersar a multidão.
O documento menciona ainda agentes uniformizados aparentemente indicando o caminho até o ponto de travessia e pessoas não identificadas orientando ou acompanhando os imigrantes. Os registros, contudo, não identificam os agentes nem comprovam que tenham recebido ordens do governo marroquino. O Marrocos nega ter autorizado a passagem, e as circunstâncias da atuação das forças de segurança continuam sob investigação.




















