Desconfianças no Clã

O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) e seus filhos desconfiam do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator na Corte do caso Master, dos vazamentos da troca de mensagens do senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro. A desconfiança decorre da proximidade que Mendonça tem com a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Motivos da desconfiança
Os motivos da desconfiança decorrem do fato de que Mendonça obteve, em grande parte, a vaga no STF graças ao empenho e esforço pessoal de Michelle. À época, se dizia que o então presidente tinha deixado seu ministro da Advocacia-Geral da União abandonado na longa espera até a aprovação pelo Senado.
Investigação contra Ciro Nogueira
Além dos vazamentos das mensagens de Flávio, os primeiros gestos de Mendonça atingiram aliados do clã, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, que foi alvo de buscas da Polícia Federal. Nogueira era cotado a ocupar a vaga de candidato a vice-presidente da chapa de Flávio. Mendonça também não aceitou a delação de Daniel Vorcaro que poupava os bolsonaristas.
Gravação fatal
Muitos no mercado financeiro entendem que a gravação marca o fim da candidatura de Flávio à Presidência. O áudio vazado de Flávio Bolsonaro pedindo cerca de R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre a biografia do pai, em que recebeu R$ 61 milhões e que não teriam ido para o orçamento da produção cinematográfica é superior à soma dos orçamentos de obras consagradas como “Cidade de Deus” (R$ 8,2 mi), “Tropa de Elite 1” (R$ 10,5 mi), “Tropa de Elite 2” (R$ 16 mi), “Ainda Estou Aqui” (R$ 45 mi) e “O Agente Secreto” (R$ 28 mi). Juntas, essas produções que foram sucesso de público e crítica somam R$ 107,7 milhõe, muito abaixo do valor pedido por Flávio a Bolsonaro.
Confidencialidade alegada

O senador Flávio Bolsonaro afirmou que omitiu seu contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro do Banco Master por causa de uma cláusula de confidencialidade no contrato de financiamento do filme “Dark Horse” (cavalo azarão, na tradução), sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à Globonews, ele disse que, se revelasse a relação, seria obrigado a falar do filme. Mas o senador não explicou a proximidade com Vorcaro ao chamá-lo várias vezes de “irmão”.
Negação e defesa
Flávio negou que parte da verba tenha financiado despesas de seu irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos (EUA), como suspeita e investiga a Polícia Federal. Ele afirmou que não poderia descumprir o contrato e que não há novas surpresas. Questionado sobre pedir dinheiro a um banqueiro investigado, disse que “não tinha como saber o que o Brasil não sabia” quando a relação começou em dezembro de 2024, um dia antes do ex-banqueiro ser preso pela primeira vez.
CPI e ataques
O senador reiterou não ser acusado e pediu que não se misturem “alhos com bugalhos”. Insistiu na instalação de uma CPI sobre o Banco Master como estratégia de defesa e atacou o PT, afirmando que não aceita ser vinculado a “contatos espúrios” que o governo teria com Vorcaro. Segundo o Intercept, os recursos passaram por fundo administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Mais explicações
Flávio disse que todo o dinheiro foi para o filme, coisa que a produção da obra cinematográfica nega e que o advogado responsável pela administração dos R$ 61 milhões é gestor do fundo, que fica no estado norte-americano do Texas – mesmo estado onde seu irmão reside desde março de 2025. Por fim, Flávio disse que torcia para Vorcaro esclarecer as acusações.
Retomada da fábrica de fertilizantes na Bahia

O presidente Lula visitou a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, na tarde desta última quinta-feira, 14 de maio, para celebrar a retomada da produção com investimento de R$ 100 milhões. A unidade opera com 90% de sua capacidade, produzindo 1,3 mil toneladas diárias (t/d) de ureia, 1,3 mil t/d de amônia e 178 t/d de Arla 32, atendendo cerca de 5% da demanda nacional de fertilizantes. A retomada reforça a segurança alimentar e diminui um pouco a dependência externa do Brasil.
Investimentos de U$ 3,5 bi
O plano estratégico da Petrobras prevê um investimento total de R$ 17,465 bilhões em exploração e produção na Bahia, que devem mais que dobrar a produção estadual para 30 mil boed e gerar mais de 6.500 empregos diretos. Também estão previstos R$ 115 milhões para a Usina de Biodiesel de Candeias. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia jamais saiu da Bahia e está entregando mais fertilizantes, petróleo, gás e biocombustíveis.
Projetos socioambientais e culturais
A Petrobras mantém 20 projetos socioambientais no estado, com investimentos de R$ 105 milhões até 2030. Dentro disso, será lançada uma seleção pública de R$ 5 milhões para cooperativas de catadores de óleos residuais (OGRs), além de que dois projetos culturais foram contemplados com R$ 2,5 milhões para o “Bando de Teatro Olodum – 35 anos de Arte Negra” e R$ 4,5 milhões para o “Plano Anual de Atividades do Ilê Aiyê”, primeiro bloco afro do Brasil.
Agro e Indústria

O ministro da Agricultura, André de Paula, reuniu-se com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e Bebidas (Abia), João Dornellas, para debater o cenário do setor, o uso do termo “ultraprocessados” e a rotulagem frontal. A associação processa 62% da produção do campo brasileiro, reúne 42 mil empresas, gera 2,12 milhões de empregos diretos e representa 10,9% do PIB nacional. A indústria brasileira atende mercados regulados, com certificações que atendem mercados árabes (halal) e kosher (judeu).
Agro regenerativo
O assessor especial do MAPA, Pedro Cunto, participou do Summit Brasil de Soluções 2026, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds). Ele destacou o programa “Caminho Verde Brasil”, que prevê R$ 299,4 bilhões em dez anos para restaurar 40 milhões de hectares degradados. O programa tem regras ambientais rígidas e exige monitoramento para comprovar sustentabilidade, com prioridade para pequenos e médios produtores do Cerrado. Recursos da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) serão destinados ao programa no próximo ano.
Financiamento e plataforma
O programa é um modelo de capital público e privado (blended finance) e o maior em escala no mundo. O Cebds lançou a Plataforma NetZero, ferramenta interativa que conecta projetos sustentáveis a oportunidades de financiamento, investidores e parceiros estratégicos. O objetivo é transformar o desempenho ambiental em ativo financeiro, atraindo capital estrangeiro para a transição a uma economia de baixo carbono. O Brasil busca conciliar segurança alimentar, transição energética e proteção ambiental, fortalecendo o protagonismo na agricultura sustentável.
Barreiras sanitárias

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) defendeu a carne brasileira após a União Europeia excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar certos produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro de 2026, devido a regras sobre uso de antimicrobianos. Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ele cobrou diálogo técnico, respeito ao sistema de defesa agropecuária brasileiro e atuação firme para evitar que exigências sanitárias se tornem barreiras comerciais contra o agro nacional.
Rota bioceânica
O parlamentar colocou Mato Grosso do Sul no centro de uma agenda internacional em Brasília, reunindo 47 representações diplomáticas no Summit Bioceânica. O corredor liga Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Pacífico, reduzindo a dependência dos portos do Atlântico (Santos e Paranaguá) e ampliando a competitividade de produtos como carne, celulose e grãos. Foram viabilizados R$ 516 milhões em recursos federais para a rota por meio de mandato do senador e da bancada de MS, com previsão de mais R$ 99 milhões no Orçamento de 2026.
Integração regional
O senador também recebeu congressistas do Canadá e da Alemanha para tratar de comércio exterior, Mercosul e infraestrutura. Ele citou o grupo técnico que criou no Senado para consultoria gratuita a setores produtivos durante a aplicação prática dos acordos comerciais. A Rota Bioceânica foi apresentada como ferramenta de integração regional, conectando Mato Grosso do Sul ao Pacífico e aproximando o Brasil do Triângulo do Lítio (Argentina, Chile, Bolívia), estratégico para minerais críticos e fertilizantes.
Telemedicina regulada

A Câmara Municipal de Campo Grande (MS) aprovou em primeira discussão o Projeto de Lei (PL) 11603 de 2025, que regulamenta a telemedicina no município, respeitando a lei federal 14510 de 2022, a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O texto garante o direito de recusa ao atendimento remoto e a opção pelo presencial. Emenda do vereador Jean Ferreira veda a transferência a terceiros da gestão e da responsabilidade sanitária dos serviços públicos de saúde, permitindo parcerias apenas para tecnologia, com deliberação do Conselho Municipal de Saúde.
Transparência remuneratória
Foi aprovado em primeira discussão o PL 12131 de 2025, que assegura acesso simplificado e irrestrito às informações sobre remuneração e vantagens pecuniárias de agentes públicos dos Poderes Executivo e Legislativo municipais. A proposta regulamenta o direito constitucional de acesso à informação, garantindo que o Portal da Transparência mantenha consulta por nome de forma opcional e sem filtros obrigatórios no futuro. A iniciativa é de 15 vereadores, incluindo Ronilço Guerreiro e Professor Juari.
Esportes e calendário
Em urgência e única discussão, foram aprovados: o projeto que institui política municipal de atividades esportivas extracurriculares nas escolas da rede municipal; e os projetos que incluem no calendário oficial a festa junina do Conjunto União I e II realizada desde 1997 e a Feira Borogodó, que acontece no primeiro domingo de cada mês. Também foi aprovado o Dia do Profissional de Tecnologia de Informação (TI) na data de 19 de outubro.
Venda de imóveis

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou em definitivo o Projeto de Lei (PL) 3733 de 2025, que autoriza o governo estadual a transferir ou vender imóveis para amortizar a dívida com a União, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A lista original de 343 imóveis foi reduzida para 191 após sugestões de parlamentares. Foram excluídos bens como o Palácio das Artes, o Colégio Estadual Central, o Memorial de Direitos Humanos e propriedades da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Fundação Educacional Caio Martins (Fucam) e da Empresa Mineira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). O novo texto incorporou oito emendas.
Regras de alienação
Caso a União não queira receber os imóveis, o governo estadual poderá vendê-los em leilão com preço mínimo baseado em laudo de avaliação de mercado. Se não houver interessados, o desconto máximo no segundo leilão será de 25% e não os 45% originalmente previstos. O projeto também autoriza a destinação de imóveis para integralização de cotas em fundos de investimento imobiliário ou em participação, bem como parcerias com a iniciativa privada para desenvolvimento de empreendimentos.
Lista final e exceções
Permanecem na lista o Expominas, o Minascentro, o PlugMinas, o Grande Hotel de Araxá, o Espaço do Conhecimento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Automóvel Clube em Belo Horizonte e unidades da Universidade de Montes Claros (Unimontes), entre outros. Quatro imóveis foram excluídos parcialmente: a parte edificada onde funcionam escolas não poderá ser vendida, apenas os terrenos não edificados. O projeto agora segue para sanção do governador.
TCE festejos

O Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) aprovou a Resolução 319 de 2026, que estabelece parâmetros para fiscalização de shows e eventos festivos financiados com recursos públicos. A medida determina que o tribunal emitirá alerta quando os gastos com contratações artísticas ultrapassarem 3% da Receita Corrente Líquida do ente nos últimos 12 meses. A manutenção ou aumento dessas despesas após o alerta fundamentará a abertura de fiscalização, sujeitando gestores à responsabilização por negligência com serviços essenciais ou desequilíbrio fiscal.
Transparência obrigatória
As notas de empenho deverão especificar data, horário, local, evento, duração, atração, processo e contrato. Quando o cachê ultrapassar cinco salários mínimos, cada apresentação exigirá empenho individualizado. Contratos devem conter cláusula proibindo artistas de fazer menções que caracterizem promoção pessoal de agentes públicos, vedando também a autopromoção por gestores. Despesas com eventos festivos são vedadas em situação de calamidade pública, conforme legislação estadual.
Fiscalização e controle
As auditorias considerarão inadimplência com servidores, atraso previdenciário, descumprimento de limites fiscais, distorções em cachês e falta de transparência em emendas parlamentares. Fica proibida a intermediação por carta de exclusividade restrita a evento específico, exigindo-se empresário exclusivo habitual. Os dados sobre festividades serão consolidados no Painel de Festividades do portal Tome Conta. O descumprimento configura limitação à transparência e pode levar à responsabilização dos gestores.
Marco do transporte

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta última quarta-feira, 13 de maio, o Marco Legal do Transporte Coletivo com o Projeto de Lei (PL) 3278 de 2021, que agora segue para sanção presidencial. O texto já havia passado pelo Senado. A principal mudança é viabilizar legalmente o repasse de verbas da União para o custeio da mobilidade urbana, além de reconhecer o transporte público como direito social e serviço essencial, com responsabilidade compartilhada entre União, estados e municípios.
Mudanças no setor
O projeto determina que ao menos 60% da arrecadação da Cide-Combustíveis seja destinada ao financiamento do transporte público. Gratuidades e descontos tarifários, que representam cerca de 22% dos custos passam a ter fontes específicas, reduzindo o impacto sobre os passageiros pagantes. O texto também separa a tarifa paga pelo usuário da remuneração das empresas operadoras, ampliando fontes de custeio como publicidade, receitas imobiliárias e créditos de carbono.
Envolvimento de Curitiba
O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) trabalhou para acelerar a votação, após encontro com o presidente da Câmara, Hugo Motta, em março. A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) também debateu o tema em Curitiba. O presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Ogeny Pedro Maia Neto, comemorou a aprovação, destacando a modernização e a criação do Sistema Nacional de Informações em Mobilidade Urbana (Simu) para padronizar dados.
Rondônia adere ao Plano de Combate ao Crime Organizado

O governo de Rondônia aderiu ao Plano Nacional de Combate ao Crime Organizado “Brasil Contra o Crime Organizado”, lançado pelo governo federal na última quarta-feira, 12 de maio. O programa prevê investimentos totais de aproximadamente R$ 11,1 bilhões, com coordenação estadual pela Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec). O governador Marcos Rocha (PSD) afirmou que a adesão amplia a integração com o governo federal e fortalece as ações de segurança.
Eixos e recursos
O plano é estruturado em quatro eixos: asfixia financeira das facções, enfrentamento ao tráfico de armas, ampliação das taxas de esclarecimento de homicídios e reforço na segurança do sistema prisional. Para 2026, o programa terá R$ 1,065 bilhão em investimentos, distribuídos entre os eixos. Entre as medidas estão o fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos), a ampliação dos Centros Integrados de Inteligência Financeira (Cifras) e o bloqueio de comunicações ilícitas em presídios.
Ações no estado
O secretário Hélio Pachá informou que Rondônia já possui planejamento estratégico alinhado aos eixos do programa, com foco em inteligência, integração operacional e combate às facções. O plano nacional também prevê a implantação de padrões de segurança máxima em 138 presídios estaduais, a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (Cnip) e a modernização do sistema de análise balística. O governo estadual segue atuando de forma firme e técnica no enfrentamento ao crime organizado.




























