O senador Jayme Campos decidiu colocar fogo de vez no tabuleiro político de Mato Grosso e revelou, durante entrevista ao Podcast Política de Primeira, do site Primeira Página que está oficialmente à disposição do União Brasil para disputar o Governo do Estado em 2026. Em um discurso carregado de críticas, recados e cobranças internas, o parlamentar deixou claro que não aceitará decisões “goela abaixo” dentro da sigla e que a escolha do candidato precisa passar pelo voto e pela participação das lideranças do partido.
A fala do senador escancarou um racha cada vez mais evidente dentro do União Brasil em Mato Grosso. Sem citar diretamente uma ruptura, Jayme mandou recados duros à cúpula partidária e, principalmente, ao grupo liderado pelo governador Mauro Mendes. Segundo ele, o partido está deixando prefeitos, vereadores e lideranças municipais de lado enquanto decisões importantes são tomadas por poucos nomes nos bastidores.
Durante a entrevista, Jayme se apresentou como um político experiente, conservador e defensor de uma gestão mais “humana” para Mato Grosso. O senador afirmou que o estado é rico, arrecada muito, mas ainda enfrenta problemas graves na saúde pública, déficit habitacional e violência contra as mulheres. Em tom crítico, ele afirmou que o governo precisa olhar mais para a população e menos para interesses políticos e articulações de gabinete.
O estopim da irritação veio após o apoio antecipado de Mauro Mendes ao vice-governador Otaviano Pivetta para a sucessão estadual. Jayme deixou claro que considera a movimentação unilateral e sem respaldo da base partidária. Segundo o senador, ninguém pode escolher sozinho quem será o candidato do União Brasil ao Palácio Paiaguás, principalmente em um partido que possui forte presença municipalista em Mato Grosso.
O clima nos bastidores virou praticamente uma guerra silenciosa. De um lado, Mauro Mendes trabalha para consolidar o nome de Pivetta. Do outro, Jayme Campos tenta mobilizar prefeitos e lideranças regionais para pressionar o partido a realizar convenções e discussões internas. O senador chegou a alertar que o União Brasil corre risco de “acabar em Mato Grosso” caso continue ignorando sua própria base política.
Além da disputa interna, Jayme também ampliou o campo de batalha político. Na entrevista ao Podcast Política de Primeira, ele criticou a condução administrativa em Cuiabá, atacou o que chamou de falta de diálogo e afirmou que não pretende aceitar decisões impostas pela cúpula partidária. O senador ainda tentou reforçar uma imagem de gestor preocupado com obras estruturantes, citando temas como a duplicação da BR-163, mudanças no FCO e debates nacionais sobre a escala de trabalho 6×1.
Agora, o cenário político em Mato Grosso entra oficialmente em estado de tensão máxima. Enquanto Mauro Mendes mantém apoio a Pivetta e evita recuar das articulações para 2026, Jayme Campos segue em rota de colisão, disposto a transformar a disputa interna do União Brasil em uma verdadeira prova de força. O desfecho dessa batalha promete mexer não apenas com a escolha do próximo candidato ao governo, mas também com o futuro e a sobrevivência política da própria sigla no estado.































