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Bastidores do poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Procuradoria-Geral da República, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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Invasão zero

Brasil teve 241 invasões de propriedades rurais em três anos; 2025 foi o pior da década. (Foto: Divulgação / FPA)

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) lançou na última semana a campanha “Invasão Zero” para conscientizar sobre o caráter inconstitucional das invasões de terra e divulgar as medidas legislativas. Foi instalada na Câmara a subcomissão de Direito de Propriedade e Regularização Fundiária, presidida pelo deputado Evair de Melo (PP-ES), com relatoria do deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), com duração de 180 dias para realizar audiências públicas e solicitar informações ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Ministério da Justiça e Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo é produzir diagnóstico e melhorias na legislação.

 

Invasões em números

Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam 241 invasões de propriedades rurais no país entre 2023 e 15 de abril de 2026. Em 2025, foram 90 ocorrências – o maior número da última década. Só em abril de 2026, até meados do mês, já foram registradas 14 invasões, totalizando 33 no ano. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi vinculado a 32 dos episódios de 2026 e a 81 dos casos de 2025.

 

Projetos em tramitação

A FPA apoia 20 propostas em tramitação no Congresso. Entre elas, o Projeto de Lei (PL) 4432 de 2023 cria o Cadastro Nacional de Invasões de Propriedades (CNIP), integrado ao Sistema Nacional de Segurança Pública (Sinesp). O PL 1198 de 2023 amplia a pena de esbulho possessório de 1 a 6 meses para 4 a 8 anos de reclusão. O PL 6612 de 2025 tipifica especificamente a invasão de propriedades rurais, com pena de 4 a 10 anos, dobrando em terra produtiva e aumentada em um terço se houver mais de duas pessoas. Outros projetos impedem invasores de receber benefícios sociais ou crédito subsidiado.

 

R$ 15 bi a mais para empresas

Governo libera R$ 15 bilhões do Plano Brasil Soberano para indústrias estratégicas e empresas afetadas por tarifas dos EUA e guerra no Oriente Médio. Setores elegíveis incluem automotivo, farmacêutico, eletrônicos e terras raras. Taxas de juros vão de 0,94% a 1,41% ao ano, com prazos de até 20 anos. (Foto: Cadu Gomes / VPR)

O governo federal, por meio de portaria conjunta dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Fazenda, disponibilizou R$ 15 bilhões adicionais do Plano Brasil Soberano. Os recursos são oriundos do superávit do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e destinam-se a indústrias de alta intensidade tecnológica, setores estratégicos com déficit na balança comercial e empresas afetadas por medidas tarifárias dos Estados Unidos (Seção 232) e pela guerra no Oriente Médio.

 

Setores elegíveis

Entre os setores contemplados estão máquinas e equipamentos, automotivo, químico e farmacêutico, eletrônicos e equipamentos de informática, aeronáutica, equipamentos de transporte, geradores, borracha e plásticos industriais, têxtil, e minerais críticos e terras raras. Para exportadores afetados, a elegibilidade exige que o faturamento com exportação para os EUA ou para os oito países do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã) tenha sido igual ou superior a 5% do faturamento total em 12 meses.

 

Condições técnicas

Os recursos podem ser usados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos e inovação tecnológica. As taxas de juros variam conforme a modalidade: de 0,94% a 1,28% ao ano para contratação direta pelo BNDES; de 1,06% a 1,41% ao ano para contratação indireta. Financiamentos de giro têm prazo de 5 anos (carência de 1 ano); investimentos têm prazo de 20 anos (carência de 4 anos). A medida visa reduzir vulnerabilidades externas e preservar empregos e competitividade.

 

Carro sustentável

Alckmin visitou duas concessionárias em Valparaíso (GO), que registraram aumentos de 31% e 50% na venda de veículos de entrada flex, com 80% de reciclabilidade e baixa emissão de CO2. (Foto: Divulgação / GMG Filmes e Grupo Primavia)

O programa Carro Sustentável, lançado em julho de 2025, reduz a zero o IPI para carros de entrada flex fabricados no Brasil, desde que atendam a 80% de reciclabilidade e baixa emissão de CO2. Seis montadoras já estão habilitadas. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de veículos populares subiram 32,9% nos dez meses do programa. A política pública visa baratear carros acessíveis, estimular a produção e reduzir impactos ambientais.

 

Impostos reduzidos

O Carro Sustentável faz parte do programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e prevê a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a zero para carros de entrada flex fabricados no Brasil, com 80% de reciclabilidade e baixa emissão de CO2. Alckmin visitou duas concessionárias em Valparaíso (GO), na região conhecida como entorno de Brasília, que registraram aumentos de 31% e 50% nas vendas desse tipo de veículo desde a implementação do programa.

 

Acordo Mercosul-União Europeia

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigência provisória em 1º de maio de 2026. O bloco europeu representa um mercado de R$ 109,78 trilhões e 720 milhões de pessoas. Cerca de 5 mil produtos terão imposto zerado para exportação brasileira. A União Europeia já é o segundo maior comprador de produtos do Brasil, e o acordo amplia oportunidades de investimento e integração produtiva.

 

TV 3.0

Ministro das Comunicações, Frederico Siqueira, apresenta a TV 3.0 brasileira a investidores em Las Vegas, nos EUA, na NAB Show, reconhecido como um dos principais palcos globais da inovação tecnológica. (Foto: Divulgação / Secom-MC)

O Ministério das Comunicações instituiu, pelo decreto 12595 de 2025, o padrão tecnológico ATSC 3.0 para a tv digital brasileira. A medida representa a maior mudança no setor desde 2007, integrando de forma nativa o broadcast (radiodifusão) e o broadband (internet). O Brasil posiciona-se como referência técnica mundial, com a implementação prevista para começar nas principais cidades ainda em 2026.

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Qualidade e inclusão

A nova plataforma oferece imagem em 4k e 8k, áudio imersivo e recursos avançados de acessibilidade, como libras interativa e audiodescrição. O sistema também prevê alertas de emergência com segmentação geográfica. Para garantir acesso universal, o Ministério estuda o uso de recursos do edital 5G para distribuição de kits de recepção a famílias de baixa renda.

 

Serviços digitais

A TV 3.0 transforma a navegação por meio de aplicativos, eliminando o conceito tradicional de canais e permitindo conteúdo sob demanda e personalizado. A tecnologia possibilita integração com o governo digital, facilitando o acesso a serviços públicos pela tela da tv. Em testes no Brasil, o 5G broadcast transmite o sinal da tv aberta para celulares sem consumo de dados móveis.

 

Brasil na mesa

A Feira Brasil na Mesa foi criada para dar visibilidade à riqueza alimentar do país e fortalecer economias locais associadas à agricultura familiar e à produção regional. (Foto: Divulgação / Secom-Embrapa)

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realizam a feira “Brasil na Mesa”, de 23 a 25 de abril de 2026, na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). O evento reúne produtores, pesquisadores e gestores públicos para valorizar a sociobiodiversidade brasileira, destacando frutas nativas, castanhas, farinhas, cafés e carnes diferenciadas, muitos oriundos da agricultura familiar e de comunidades tradicionais.

 

Palestras técnicas

Na programação, a coordenadora do MAPA apresenta a palestra “Promoção comercial e internacionalização do setor agroalimentar brasileiro”. O evento ocorre na sexta, 24, às 17h, no Auditório Pequi. No sábado, 25, às 17h, Sala Mangaba, a diretora do departamento de planejamento fala sobre o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-Poa) faz sua apresentação e repercussão para as agroindústrias. O Estande Brasil reúne ministérios e instituições públicas.

 

Estrutura e atrações

O evento conta com pavilhão “Brasil na Mesa”, “Arena Sapoti”, “Feira dos Sabores”, “Estação Delícias Brasileiras”, “Pomar da Ciência” com “Estação do Açaí”, agrofloresta, e Vitrine Tecnológica, além de espaços de parceiros como “Mutirão do Ministério do Desenvolvimento Agrário”, “Carreta do Banco do Brasil” e “Estande da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos)”. Haverá também “Trilha do Cerradão” e “Praça de Alimentação”.

 

Isenção do IPTU

A política pública se aplica aos imóveis do Programa Minha Casa, Minha Vida – Reconstrução, diretamente atingidos pela enchente de maio de 2024. (Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA)

A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou projeto de lei complementar do Executivo que altera a Lei Complementar 1064 de 2025 para conceder isenção automática do IPTU aos proprietários beneficiados pelo Programa Minha Casa, Minha Vida – Reconstrução, na modalidade Compra Assistida. O texto também aprovou a emenda 1, que dispensa requerimento pelo contribuinte.

 

Reconhecimento oficial

A isenção será reconhecida pela Secretaria Municipal da Fazenda (SMF) de Porto Alegre (RS) mediante identificação do proprietário e do imóvel pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab) ou órgão competente, sem necessidade de pedido do sujeito passivo. A regra vale para os exercícios de 2026 ou 2027, conforme previsto nos arts. 2º e 3º da lei alterada.

 

Interesse social

A justificativa do Executivo aponta que a dispensa do requerimento constitui exceção ao instituto da isenção tributária, mas se justifica como política pública de interesse social em razão dos imóveis e cidadãos diretamente atingidos pela enchente de maio de 2024. A medida visa agilizar o benefício às famílias em situação de vulnerabilidade.

 

Emendas em debate

Proposta aprovada na Assembleia do RN exige que 50% das emendas estaduais sejam pagas até o fim do primeiro semestre de 2026. (Foto: Divulgação / ALRN)

A Comissão de Finanças e Fiscalização da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte discutiu o cronograma de pagamento de emendas parlamentares. Foi aprovada propositura que estabelece prazo para o Executivo estadual pagar 50% das emendas até o final do primeiro semestre de 2026. A medida busca assegurar o orçamento participativo, conforme prática já existente no Congresso Nacional.

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Reuniões e transparência

Representantes do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), da Controladoria do Estado e do Gabinete Civil participaram de reuniões sobre o tema, incluindo encontro presidido pela deputada Cristiane Dantas (PSDB) na última terça, 14, e reunião da Comissão de Finanças na quarta, 15. O governo estadual informou que a definição da prioridade de pagamento de cada emenda cabe ao parlamentar que a indicou, não ao Executivo.

 

Comparação interestadual

Foi sugerido contato com comissões de finanças de outras assembleias legislativas para comparar a execução de emendas em 2026 e os restos a pagar de 2025, com o objetivo de verificar indicadores e evitar que o Rio Grande do Norte fique na pior posição do país. 

 

Ativos de risco

O objetivo é fortalecer mecanismos de proteção dos recursos públicos e contribuir para o equilíbrio financeiro e atuarial dos regimes previdenciários. (Foto: Divulgação / TCE-MS)

O Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) publicou a Orientação Técnica 02 de 2026, direcionada aos gestores dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). A norma exige maior rigor na governança, na transparência e no controle de riscos, especialmente para investimentos com potencial de perda ou baixa capacidade de recuperação. Os gestores devem identificar ativos de risco e reconhecer contabilmente as perdas conforme o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP).

 

Seleção criteriosa

A orientação recomenda a escolha criteriosa de instituições financeiras, gestores e ativos, com verificação prévia de histórico, solidez patrimonial e riscos reputacionais, além de consulta a órgãos reguladores. Os investimentos devem ser precedidos de análise comparativa considerando diversificação, liquidez, prazos e custos. Todo o processo decisório deve ser formalizado com registros técnicos que comprovem a adequação às obrigações futuras dos RPPS.

 

Monitoramento contínuo

O TCE-MS determina o monitoramento contínuo das aplicações, com avaliações periódicas de desempenho e risco. A medida segue diretrizes do TCU e da Atricon, tem caráter preventivo e pedagógico, e visa fortalecer a proteção dos recursos públicos e o equilíbrio financeiro e atuarial dos regimes previdenciários. A norma já está em vigor, sem prejuízo de responsabilização em caso de irregularidades.

 

Artistas credenciados

A medida também funciona como um chamado para que artistas de diferentes segmentos não fiquem de fora das oportunidades oferecidas pela gestão. (Foto: Divulgação / PMM)

A Fundação Municipal de Cultura (Fumcult) de Macapá abriu credenciamento para artistas locais interessados em participar de eventos oficiais da gestão municipal. O prazo vai até 24 de abril de 2026 e contempla novos cadastros e regularização de pendências documentais. A iniciativa visa ampliar a participação de fazedores de cultura nas programações públicas, fortalecendo a produção artística local.

 

Eventos oficiais

A prefeitura de Macapá confirmou três eventos com participação de artistas credenciados: no dia 30 de abril, o “Macapaba Delas” no conjunto Macapaba, com valorização de artistas mulheres e homenagem a empreendedoras; no dia 1º de maio, programação de samba no Mercado Central em celebração ao Dia do Trabalhador; e no dia 2 de maio, a Corrida do Trabalhador.

 

Fortalecimento local

A medida busca garantir espaço para os talentos macapaenses no calendário oficial do município, promovendo incentivo à cultura e à participação artística. As inscrições são virtuais e o credenciamento também atende profissionais que perderam etapas anteriores ou possuem pendências. A política pública valoriza a produção cultural local.

 

Mortes no trânsito caem 7,6% em SP

A maioria dos modais também apresentou redução de ocorrências fatais no trânsito paulista no primeiro trimestre deste ano. (Foto: Divulgação / Secom-Gov-SP)

O estado de São Paulo registrou queda de 7,6% nas mortes no trânsito no primeiro trimestre de 2026, conforme dados do Infosiga (Detran-SP). Foram 1.330 óbitos entre janeiro e março, contra 1.439 no mesmo período de 2025. Os sinistros com vítimas não fatais também caíram 3,2% (23.150 registros, ante 23.917). A plataforma Infosiga é a ferramenta estadual de estatísticas de trânsito.

 

Modais e regiões

A queda mais acentuada ocorreu entre ciclistas: 66 óbitos (-31,3%). Ocupantes de automóveis tiveram redução de 9,7% (261 mortes) e motociclistas, queda de 5,3% (594 ocorrências). Regiões como Campinas (-23,5% em mortes), Sorocaba (-16,5%), Vale do Paraíba (-23,1%), São José do Rio Preto (-14,3%), Bauru (-14,3%) e Ribeirão Preto (-26% em mortes e -29,6% em sinistros) também apresentaram resultados positivos.

 

Redução regional

Os dados demonstram tendência de queda em importantes regiões do estado, com destaque para Ribeirão Preto, onde as mortes caíram 26% e os sinistros com vítimas recuaram 29,6%. A política pública de monitoramento e análise de dados pelo Infosiga contribui para a redução da violência no trânsito. 

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