Um relatório interno do Banco Regional de Brasília (BRB) revelou irregularidades na compra de carteiras de crédito consignado do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo o documento, contratos entre o Master e a Tirreno tiveram reconhecimento de firma apenas dois dias antes do repasse dessas carteiras ao BRB, levantando dúvidas sobre a formalização e a tempestividade dos documentos.
As carteiras de crédito foram adquiridas pelo Master por R$ 6,3 bilhões e repassadas ao BRB por R$ 11,5 bilhões. Investigações da Polícia Federal apontam que esses ativos não possuíam lastro, sendo considerados podres. O relatório do BRB destaca que a velocidade das operações, compra pelo Master e repasse imediato ao BRB, exigia atenção especial à conformidade documental e à transferência de risco.
O documento detalha que, em uma operação de março de 2025, o Master comprou créditos da Tirreno no Carnaval por R$ 143,6 milhões e os repassou ao BRB na Quarta-feira de Cinzas por R$ 251,2 milhões. O reconhecimento de firma dos contratos ocorreu apenas em 13 de maio, dois dias antes da reunião do Master com o BRB, e 19 dias após a última operação entre os bancos.
As investigações apontam que o Master comprava créditos da Tirreno sem pagamento e os revendia ao BRB, ocultando a verdadeira origem das carteiras. A operação de R$ 12 bilhões envolveu ativos que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras, o que motivou a intervenção do Banco Central e a prisão de Daniel Vorcaro.
O relatório do BRB alerta para a necessidade de rigor na formalização e acompanhamento de grandes operações financeiras, destacando que a assinatura tardia e a rapidez na revenda podem levantar questionamentos sobre a conformidade contábil e legal dos contratos.













