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Paulinho Bornhausen sai — e o movimento deixa de ser crise para virar estratégia

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A saída de Paulinho Bornhausen do PSD não acrescenta um novo fato. Ela muda a interpretação do que já vinha acontecendo.

Até aqui, era possível tratar o episódio como crise interna.

Agora não mais.

O que se forma é um reposicionamento político organizado fora do partido.

Não é desfiliação. É reorganização de bloco

O ponto mais relevante não está na saída em si, mas no destino.

Paulinho não adotou neutralidade.
Não deixou o cenário em aberto.

Ele se alinhou de forma explícita a três elementos:
• o governo de Jorginho Mello
• o projeto com Adriano Silva como vice
• e a construção política ao lado de Topázio Neto

Isso revela algo maior: não há dispersão. Há convergência.

O novo eixo não nasce dentro de partido — nasce entre lideranças

O que começa a se desenhar não é uma reorganização partidária tradicional.

É uma reorganização por lideranças.

Um grupo que inclui:
• Topázio
• Paulinho Bornhausen
• e interlocutores próximos ao governo

passa a operar como um eixo político próprio, independente da estrutura formal de um partido específico.

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Esse tipo de movimento é mais moderno — e mais difícil de conter.

O PSD perde menos pelo número, e mais pelo tipo de perda

A análise superficial olha quantidade de saídas.

A análise correta olha qualidade.

O PSD não perde apenas nomes.

Perde:
• conexão com a capital
• interlocução com o governo
• e capacidade de transitar entre campos políticos

Isso reduz sua flexibilidade estratégica.

E, em eleição estadual, flexibilidade é ativo central.

João Rodrigues ganha controle, mas perde margem de articulação

Com a saída desse grupo, João Rodrigues consolida o comando interno.

Mas isso vem com um efeito colateral pouco discutido: o partido fica mais previsível.

E previsibilidade, em política, reduz capacidade de expansão.

Sem pontes com outros campos, a candidatura passa a depender mais de base própria do que de composição.

O governo não cresce só por adesão — cresce por absorção

O movimento atual não é apenas de apoio ao governo.

É de absorção de quadros que antes estavam em outro campo.

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Isso muda o equilíbrio.

Porque o governo deixa de crescer apenas entre aliados naturais
e passa a crescer dentro da oposição.

O impacto indireto: o centro político começa a desaparecer

Talvez esse seja o efeito mais importante.

O espaço intermediário, que antes permitia articulações mais amplas, começa a se reduzir.

Os atores passam a se posicionar de forma mais clara: ou dentro do projeto de governo, ou fora dele.

E isso torna o jogo mais direto — e mais duro.

PONTO DE VISTA

O que está acontecendo em Santa Catarina deixou de ser uma crise partidária.

Virou uma reorganização de poder.

Quando lideranças relevantes saem juntas, com direção clara, isso não é ruptura isolada.

É construção.

O PSD não está apenas perdendo nomes.

Está deixando de ser o espaço onde essas lideranças operam.

E, na política, isso pesa mais do que qualquer desfiliação formal.

Porque partido pode ser trocado.

Mas espaço político, quando é ocupado por outro grupo, dificilmente é recuperado.

E é exatamente isso que começa a acontecer agora.

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