MATO GROSSO

22 de janeiro: Santa Catarina já entrou na eleição — e a conta começa a aparecer

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Bastidores políticos acelerados, capitais e grandes cidades em disputa silenciosa e uma economia que responde com cautela ao vácuo de foco institucional.
Joinville deixou de ser cidade e virou projeto
A possível renúncia de Adriano Silva para compor a chapa de reeleição de Jorginho Mello é mais do que uma articulação partidária. É um sinal claro de que mandatos municipais passaram a ser peças de negociação estadual.
Joinville, maior colégio eleitoral do estado, entra formalmente no jogo de 2026. A gestão, inevitavelmente, entra em compasso de espera. Secretarias sentem o impacto, decisões estratégicas são postergadas e a cidade passa a operar sob a lógica da transição antes da hora. Para o governo do Estado, é reforço eleitoral. Para o município, é risco administrativo.
Florianópolis vive o desgaste antes da sucessão
Na capital, a política local já abandonou o disfarce.  Florianópolis governa sob pressão constante, com o Executivo sendo testado diariamente por uma Câmara que percebeu sua fragilidade.
O bastidor aponta para uma disputa silenciosa pela sucessão municipal: secretários, ex-secretários, vereadores e figuras externas sondam apoios e montam narrativas. Não há ruptura aberta, mas há corrosão contínua. A cidade vira palco, vitrine e campo de testes para projetos maiores, inclusive estaduais. Governa-se pouco porque todos já disputam o depois.
O tabuleiro estadual se fecha
O movimento de Joinville e o clima de Florianópolis não são casos isolados.
Prefeitos de médio e grande porte passaram a ser cortejados como ativos eleitorais. O critério deixou de ser gestão e passou a ser capacidade de transferência de voto e controle territorial.
Nos bastidores, o recado é claro: quem não se posicionar agora, não terá espaço em 2026. O resultado é um ambiente de alianças frágeis, discursos ensaiados e pouca disposição para decisões impopulares — mesmo quando necessárias.
Economia sente o vácuo político
A economia catarinense continua funcional, mas mudou de comportamento. O entusiasmo deu lugar à prudência. Empresários adotaram postura defensiva diante de um cenário onde o foco político se deslocou da gestão para a eleição.
•Investimentos estruturais são revistos
•Expansões industriais desaceleram
•Contratações perdem ritmo
•Decisões de longo prazo ficam na gaveta
Não é crise. É espera estratégica.
Indústria e agro: força com impaciência
A indústria reclama do crédito caro, da insegurança regulatória e da falta de sinalização clara sobre o futuro econômico. O agro segue entregando resultados, mas demonstra irritação com gargalos logísticos, pressão fiscal e discursos ambientais que não dialogam com a realidade produtiva do estado.
Santa Catarina produz muito, mas sente que decide pouco.
Portos viram termômetro
Portos como Itajaí e São Francisco do Sul aparecem com frequência nas conversas fechadas. Empresários pedem previsibilidade, gestão técnica e blindagem contra interferência política. Qualquer instabilidade nesse setor tem efeito imediato sobre exportações, emprego e arrecadação.
O diagnóstico de hoje
Santa Catarina não está paralisada.
Mas também não está avançando como poderia.
A antecipação da eleição contaminou a política municipal, esvaziou a capacidade decisória e fez a economia reagir com cautela. Quando o curto prazo domina o debate, o longo prazo desaparece.
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