“Não sou frouxo”

Para evitar que passe a ser chamado nas dependências da Câmara dos Deputados de “frouxo” e fique “desmoralizado”, o presidente da “Casa do Povo” Hugo Motta (Republicanos-PB) em reunião remota com líderes partidários e posteriormente com os demais ocupantes da Mesa Diretora daquela Casa legislativa, ocorrida nesta sexta-feira, 8 de agosto, decidiu encaminhar para a corregedoria parlamentar a análise de suspensão por seis meses do mandato de 14 deputados, 13 do PL e um do Novo por impedirem àquela Casa do Poder Legislativo de reabrir os trabalhos legislativos nos dias 4 e 5 de agosto. Motta acredita que apenas uma suspensão de seis meses será capaz de surtir efeitos pedagógicos para que casos em que os parlamentares impediram as atividades da Casa.
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Em despacho encaminhado ao corregedor-parlamentar da Câmara, Diego Coronel (PSD-BA), o presidente da Câmara – deputado Hugo Motta – acolheu representações apresentadas contra os deputados Allan Garces (PL-TO), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Caroline de Toni (PL-SC), Domingos Sávio (PL-MG), Julia Zanatta (PL-SC), Luciano Zucco (PL-RS), Marcel Van Hatten (Novo-RS), Marco Feliciano (PL-SP), Marcos Polon (PL-MS), Nikolas Ferreira (PL-MG), Paulo Bilinsky (PL-SP), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Zé Trovão (PL-SC).
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Por meio de um comunicado Secretaria-Geral da Mesa (SGM)., o presidente da Câmara – deputado Hugo Motta afirmou que após reunião da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados nesta sexta-feira, 8 de agosto, para “tratar das condutas praticadas por diversos deputados federais nos dias 4, 5 e 6” e “a fim de permitir a devida apuração do ocorrido, decidiu-se pelo imediato encaminhamento de todas as denúncias à Corregedoria Parlamentar para a devida análise”. Mas das 14 representações encaminhadas, o nome dado como certo de que será suspenso é o deputado gaúcho Marcel Van Hatten, que foi o último dos bolsonaristas convencido a deixar o parlamentar paraibano sentar em sua cadeira no plenário Ulysses Guimarães.
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Já uma outra suspensão dada como quase certa é a de Marcos Pollon (PL-MS), por este ter sido o último a deixar os assentos da Mesa Diretora quando já Hugo Motta se encaminhava para sentar e dar início às atividades legislativas na noite da última quarta-feira, 6 de agosto. O gesto do sul-mato-grossense Polon, a exemplo do gaúcho Van Hatten, teria irritado profundamente Hugo Motta, que entende que apenas a adoção de uma suspensão de seis meses pode evitar que situações como essa se repitam ao longo de seu período à frente da “Casa do Povo” até 31 de janeiro de 2027.
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O deputado Zé Trovão (PL-SC) é outro bolsonarista que deve ter o mandato suspenso por seis meses por ter colocado os pés sob a Mesa Diretora. O ato teria chamado a atenção tanto de Motta, quanto dos demais parlamentares que compõem a cúpula da Casa. Zé Trovão é considerado um dos mais radicais e extremistas dos parlamentares bolsonaristas, inclusive, chegando ao ponto de irritar por várias vezes os bolsonaristas mais pragmáticos e também a cúpula do PL presidida pelo ex-deputado Valdemar da Costa Neto.
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Por fim, a quarta parlamentar que deve ter o mandato suspenso por ter participado da invasão e ocupação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, impedindo a reabertura dos trabalhos legislativos, é a deputada Júlia Zanatta (PL-SC). A catarinense chamou a atenção da cúpula da “Casa do Povo” ao levar o filho recém-nascido de apenas dois meses para o local onde os bolsonaristas se encontravam amotinados, dizendo que só sairiam dos assentos da Mesa Diretora com o compromisso da Casa votar a proposta que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, da votação do projeto que acaba com o fórum privilegiado e com Senado abrindo um processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
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Já o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), que também teve a representação encaminhada para a corregedoria-parlamentar pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta, não deve sofrer nenhuma punição. Nos bastidores, Sóstenes – que é sobrinho do pastor bolsonarista da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia – tem um bom trânsito tanto com Motta, como com os demais integrantes da Mesa Diretora da Câmara, incluindo até o petista Carlos Vera (PE).
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Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) é aguardado uma punição simples como apenas um simples aviso, ou até mesmo a perda ao direito por usar os microfones da Casa por algum tempo. Como é uma dos bolsonaristas mais conhecidos, o parlamentar mineiro – se punido – deverá ser com uma punição branda. Visto que com a punição de suspensão por seis meses adotada contra Van Hattem, Marcos Pollon, Júlia Zanatta e Zé Trovão, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, acredita que o aprendizado pedagógico para que situações como essa não voltem mais a ocorrer.
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Punição semelhante a ser dada ao bolsonarista mineiro Nikolas Ferreira deve ser adotada contra o líder da oposição, deputado Luciano Zucco. Por ser líder, Zucco – um dos mais extremados no motim em que bolsonaristas “sequestraram” os assentos da Mesa Diretora da Câmara deve evitar que o parlamentar gaúcho seja suspenso por seis meses e que deve ser destino dos liderados Júlia Zanatta, Marcel Van Hatten, Marcos Pollon e Zé Trovão. Caso isso se confirme, Zucco que é pré-candidato ao Palácio do Piratini pode escapar da punição, o que não deve acontecer com o provável companheiro nas próximas eleições: Van Hatten, que é pré-candidato ao Senado.
Resposta de Zucco

Em nota distribuída à imprensa, Zucco afirma que a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta, em encaminhar para a corregedoria-parlamentar os pedidos de cassação contra 14 parlamentares bolsonaristas atende uma iniciativa da esquerda, que segundo ele “quer cassar mandatos legítimos para calar a voz da direita”. “Numa ditadura, onde já não há mais democracia, é natural que os agentes do regime — o PT e a esquerda — atuem para tentar cassar mandatos legítimos da direita, atingindo diretamente a bancada da oposição. Esta ofensiva ocorre justamente na semana em que vieram à tona uma série de irregularidades gravíssimas: a Lava-Toga, as denúncias contra Alexandre de Moraes, a prisão arbitrária do presidente Bolsonaro e outros abusos que se acumulam dia após dia”, dispara o líder da oposição, que também teve a representação contra ele encaminhada para análise.
Resposta de Zucco 2

Zucco salienta que “naquelas ocasiões, a esquerda fez ocupações e obstruções sem que houvesse qualquer punição ou reação da mídia”. “Temos hoje um ministro do Supremo sancionado pela Lei Magnitsky, algo sem precedentes na história do Brasil. O próprio presidente da República, que deveria zelar pela Constituição, pede a cassação de mandatos de opositores. E, como é previsível em qualquer regime autoritário, parlamentares da esquerda — travestidos de defensores da democracia — protocolam representações contra deputados e senadores da direita que, de forma legítima e democrática, ocuparam as mesas diretoras”, acrescentou o líder da oposição sem tecer comentários sobre a decisão de Motta de encaminhar as representações para a corregedoria-parlamentar.























