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“Negociação e altivez”

Alckmin: governo trabalha pela redução de tarifa para todos os setores

O vice-presidente tem feito reuniões com representantes de setores produtivos e governadores para tratar da tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos para produtos brasileiros. "Nós não vamos esmorecer, vamos trabalhar permanentemente para evitar que isso ocorra”, afirmou. (Foto: Cadu Gomes / Secom-VPR)

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Ao NY Times, Lula reforça que Brasil quer ser tratado com respeito por Trump.

 

Por Humberto Azevedo

 

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDICS), Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o governo está empenhado em evitar que os Estados Unidos da América (EUA) apliquem a tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros exportados para àquele país.

 

Ao citar dados do comércio e dos interesses entre os dois países, Alckmin afirmou que há muito mais convergência do que divergência. O vice-presidente e responsável pelo comitê do governo federal, que está responsável por negociar com o governo norte-americano, a imposição da taxação aos produtos brasileiros a partir desta sexta-feira, 1º de agosto.

 

“Nós estamos trabalhando para que a diminuição da alíquota seja para todos. Não tem justificativa você ter uma alíquota de 50% para um país que é um grande comprador. Você tem uma balança comercial superavitária. (…) Então, não há razão para ter essa questão tarifária. Isso parece totalmente equivocado. (…) O Brasil tem estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica. O plano de contingência, que está sendo bem trabalhado, só deve ser discutido se consumada a questão dos 50%. Nós não vamos esmorecer, vamos trabalhar permanentemente para evitar que isso ocorra”, afirmou.

 

EFEITO BUMERANGUE

 

Para evitar que as tarifas impostas por Donald Trump tenham efeito bumerangue e atinjam também empresas dos EUA, que atuam na comunicação cibernética e na área de serviços, no Brasil, Alckmin tem se reunido com representantes de grandes conglomerados dos dois setores como a Meta, proprietária das plataformas “Facebook”, “Instagram” e “Whats’app”; Google e Apple para debater pautas de interesse das companhias, que incluem ambiente regulatório, inovação tecnológica, oportunidade econômica e segurança jurídica.

 

O setor de “data center”, empresas que atuam no ramo de atendimento à distância, foi apontado pelo responsável do MIDCS como uma oportunidade econômica para fortalecer a parceria comercial entre os dois países. A convite do governo brasileiro, as reuniões também contaram com a participação de representantes da Secretaria de Comércio dos EUA.

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“Essa questão de regulamentação de bigtechs, de redes sociais, está em discussão no mundo. Então, vamos aprender. Onde é que já foi implementado?  O que deu certo? O que levou à crítica? Nós não devemos ter muita pressa nisso. Eu acho que a gente deve verificar a legislação comparada e ouvir, ouvir e dialogar. (…) O Brasil vai ser campeão de data center. Nós temos energia mais barata, energia renovável, especialmente eólica e solar, e energia abundante. Você tem muitas oportunidades e segurança jurídica”, completou Alckmin.

 

Alckmin também se reuniu com o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e empresários cearenses e com dirigentes da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), entre eles o presidente da entidade, Luiz Césio Caetano Alves para avaliar com os setores produtivos afetados pela promessa da taxação adicional. 

 

RESPEITO

 

Em entrevista ao jornal New York Times, Lula é descrito como “indiscutivelmente o estadista latino-americano mais importante deste século” e que sua gestão à frente do “Brasil não quer negociar como país pequeno” e que disposição ao diálogo permanece. (Foto: Reprodução / NYT)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que o Brasil, e ele próprio como dirigente político do Poder Executivo, merecem e querem ser tratados com respeito pelo governo estadunidense. Em entrevista a um dos jornais mais influentes do mundo, o “New York Times” (NYT), Lula reafirmou que não está sobre a mesa de negociações recuos em relação à soberania política tanto do Poder Executivo e do Poder Judiciário, alvo de ofensiva por parte do governo de Donald Trump.

 

No texto que acompanha a entrevista, o NYT retratou o presidente brasileiro como “um esquerdista em seu terceiro mandato e indiscutivelmente o estadista latino-americano mais importante deste século”. O jornal estadunidense destacou ainda a afirmativa de Lula de que não receberá ordens de Trump. O presidente brasileiro ressaltou que o Brasil permanece aberto ao diálogo, mas com altivez.

 

Uma das questões levantadas pelo jornal foi a cobrança de Trump para que o Brasil encerre o processo judicial contra o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), réu por ser acusado de ser o mentor político de uma tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, para que as tarifas anunciadas no dia 9 de julho sejam revistas. Lula reforçou que o Supremo Tribunal Federal (STF) é independente e que o processo seguirá o seu curso democrático e legal.

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O presidente do Brasil disse ser “vergonhoso” que Trump tenha feito seus anúncios e ameaças na rede digital de sua propriedade particular, a “Truth Social”. 

 

“Tenham certeza de que estamos tratando isso com a máxima seriedade. Mas seriedade não exige subserviência”, disse o presidente brasileiro. “Trato a todos com muito respeito. Mas quero ser tratado com respeito. Talvez ele [Trump] não saiba que aqui no Brasil o Judiciário é independente. (…) O comportamento do presidente Trump se desviou de todos os padrões de negociação e diplomacia”, comentou Lula.

 

“Quando você tem um desentendimento comercial, um desentendimento político, você pega o telefone, marca uma reunião, conversa e tenta resolver o problema. O que você não faz é taxar e dar um ultimato. (…) Em nenhum momento o Brasil negociará como se fosse um país pequeno contra um país grande. (…) Conhecemos o poder econômico dos Estados Unidos, reconhecemos o poder militar dos Estados Unidos, reconhecemos o tamanho tecnológico dos Estados Unidos”, continuou o presidente brasileiro.

 

“Mas isso não nos deixa com medo. Nos deixa preocupados. (…) Nem o povo americano nem o povo brasileiro merecem isso. Porque vamos passar de uma relação diplomática de 201 anos de ganha-ganha para uma relação política de perde-perde”, finalizou Lula informando que as equipes ministeriais do Brasil estão em campo para negociar a revogação das tarifas e buscar a abertura de negociações oficiais e colocar em prática mecanismos que defendam os setores econômicos e os trabalhadores que forem afetados.

 

Com informações de assessorias.

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