A Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e o Findeslab, laboratório de inovação da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), oficializaram no dia 10 de julho uma parceria estratégica que une os ecossistemas de inovação de Santa Catarina e do Espírito Santo. A assinatura e lançamento público ocorreu durante a abertura do ESX – Espírito Santo Innovation Experience, principal evento de inovação do estado capixaba.
O que é remuneração variável e 3 dicas para aplicar à realidade do seu negócio
Modelo de pagamento atrelado a metas se consolida como ferramenta de valorização, cultura e desenvolvimento de pessoas; executivos explicam como implementar de forma estratégica e humana
A remuneração variável é muito utilizada nas estratégias de gestão de pessoas por ir além do reconhecimento financeiro: quando bem estruturada, ela reforça o propósito organizacional, valoriza o protagonismo dos colaboradores e fortalece a cultura de desenvolvimento contínuo. Baseada em metas claras, critérios objetivos e conexões reais com a jornada profissional de cada indivíduo, o modelo que remunera a partir de metas pode ser um importante aliado da área de recursos humanos na construção de ambientes mais engajados, transparentes e alinhados com a estratégia do negócio.
Mas, como aplicar esse modelo à realidade da empresa? A executiva Ana Paula Socha, diretora de Recursos Humanos da multinacional Zucchetti no Brasil, e Bruno Cortez, CEO da Elofy – plataforma que conecta metas, desempenho e cultura organizacional para auxiliar na gestão de pessoas -, explicam o conceito e compartilham três orientações essenciais para adaptar a remuneração variável ao contexto de cada organização.
A lógica da remuneração variável condiciona parte do pagamento ao alcance de metas previamente definidas. Pode envolver bônus, comissões, participação nos lucros (PLR), premiações ou incentivos de longo prazo, mas deve estar diretamente conectada ao plano de desenvolvimento individual (PDI), às entregas da área e aos comportamentos esperados. “É uma ferramenta de direcionamento que ajuda a traduzir os objetivos da empresa em ações concretas nas equipes, ao mesmo tempo em que reconhece o crescimento profissional e o valor de cada pessoa na construção dos resultados”, explica Bruno.
Para Ana Paula, da Zucchetti, a combinação entre um salário digno e políticas de incentivo bem estruturadas reforça a responsabilidade social da empresa e contribui para uma gestão de pessoas mais humana e responsável. “A remuneração variável pode ser um diferencial competitivo importante, mas precisa caminhar junto com o compromisso da empresa de garantir uma base justa e uma cultura que valorize as pessoas de forma genuína, sem precarização”, afirma.
Confira, a seguir, algumas orientações dos executivos sobre a prática do modelo:
1- Comece pelo início: o salário digno
Nos últimos anos, o debate sobre salário digno ganhou força entre profissionais de Recursos Humanos. O conceito vai além do salário mínimo legal e considera o quanto uma pessoa precisa receber para viver com dignidade, cobrindo não apenas necessidades básicas, mas também segurança, educação, moradia e mobilidade. Nesse cenário, a remuneração variável deve ser vista como complemento e não substituição — atuando como reconhecimento adicional a uma base justa e coerente com a responsabilidade social da organização. “O modelo precisa ser construído sobre uma remuneração fixa que reflita o valor real do colaborador e o tipo de sociedade que queremos fomentar por meio das relações de trabalho”, destaca Ana Paula.
2- Alinhe metas com desenvolvimento e propósito
Para que a remuneração variável seja eficaz e engajadora, é fundamental que as metas estejam conectadas ao cotidiano das equipes, mas também às oportunidades de evolução individual. “Um dos erros mais comuns é estabelecer metas fora do controle do colaborador ou desvinculadas da realidade operacional. Isso desestimula o engajamento”, observa Bruno. Ao integrar o modelo com práticas como o PDI e o feedback contínuo, o RH consegue transformar metas em marcos de crescimento — promovendo mais clareza, senso de realização e autonomia.
3- Promova transparência e confiança com apoio da tecnologia
A experiência de ser reconhecido de forma clara e justa também depende da comunicação e da estrutura que sustentam o modelo. Para Bruno, a confiança começa quando todos entendem como os resultados são acompanhados, quais critérios serão considerados e como as decisões são tomadas. “Se o colaborador não entende o que está sendo medido ou como será recompensado, a variável perde sua força como motor de cultura e performance”, reforça. Plataformas como a Elofy ajudam a consolidar esse processo ao centralizar metas, registros e dados auditáveis em um ambiente único, integrando desempenho, feedbacks e resultados com segurança e clareza.
Compliance e como começar
Apesar dos benefícios, é importante que o RH esteja atento a riscos como metas mal desenhadas, ausência de critérios objetivos ou falta de estrutura para acompanhar resultados. Também é necessário seguir as exigências legais e de compliance, ou seja, o conjunto de práticas que garantem que a empresa esteja em conformidade com leis, normas e políticas internas — como no caso da PLR, que deve obedecer à legislação trabalhista e ser formalizada com acordos válidos.
Segundo Cortez, para empresas que ainda não adotam a prática, o caminho mais seguro é começar com poucos indicadores, ciclos curtos e metas integradas à jornada de desenvolvimento das pessoas. “A coerência entre estratégia, cultura, reconhecimento e evolução profissional é o que garante que a remuneração variável se torne não apenas um incentivo, mas uma alavanca de transformação de vidas e fortalecimento da cultura organizacional”, destaca.
Sobre a Elofy
A Elofy é uma plataforma de gestão de desempenho e jornada do colaborador que apoia grandes empresas na construção de times mais engajados, na retenção de talentos e nas estratégias de RH. Integrante do ecossistema Zucchetti, a solução oferece funcionalidades completas como definição e acompanhamento de metas e OKRs, avaliações de desempenho, feedbacks 360°, PDI, pesquisas de clima e planos de sucessão. A Elofy alia usabilidade e profundidade técnica para facilitar o dia a dia de colaboradores, gestores e profissionais de Recursos Humanos. Cerca de 300 mil pessoas, em mais de 200 empresas, usam as soluções da Elofy — entre elas, Banco Inter, CSN, ArcelorMittal, Fleury, Aché, Sebrae, Cimed e Cogna, Marcopolo, Belgo e Arames.
A colaboração estabelece um novo modelo de cooperação interestadual no setor de tecnologia e inovação, com formato inédito e foco em soluções para grandes empresas, estruturação de programas conjuntos e internacionalização de startups. A parceria prevê três frentes principais de atuação: intercâmbio de programas, cooperação em programas de inovação aberta e organização conjunta de eventos.
“Essa parceria nasce com um diferencial: desde o início, pensamos em como ela se traduz em valor prático para empresas e startups. Espírito Santo e Santa Catarina têm perfis econômicos compatíveis e desafios semelhantes, o que nos permite trocar conhecimento e construir soluções conjuntas com potencial de mercado nacional e internacional”, afirma Túlio Duarte, vice-presidente de Ecossistema da ACATE.
Integração entre empresas, startups e hubs
Com a nova estrutura, startups de ambos os estados terão acesso ampliado a ambientes de inovação e poderão participar de programas e desafios em qualquer um dos territórios. Isso significa, por exemplo, que uma empresa instalada no Espírito Santo poderá buscar soluções diretamente no banco de startups da ACATE, e o contrário também será possível. Os ambientes físicos de inovação, como coworkings e hubs, passam a ser compartilhados entre as instituições, favorecendo a mobilidade e as conexões entre os atores dos ecossistemas.
Com a parceria, o ecossistema de tecnologia catarinense poderá acessar um PIB industrial de R$ 44,4 bilhões, distribuído em 13.257 indústrias dos setores de construção, transformação, extração de minerais metálicos, metalurgia, minerais não metálicos, petróleo e gás. Isso amplia a possibilidade de conexão com grandes corporações como Vale, Petrobrás, ArcelorMittal – que já atua tanto no Espírito Santo quanto em Santa Catarina –, além de Fortlev, Real Café, Shell e Suzano. As empresas de Santa Catarina também poderão acessar o Fundo Capixaba de Inovação para empresas multiestaduais, que em 2024 operou R$ 200 milhões por meio de editais da FAPES, com R$ 50 milhões destinados a startups.
As empresas vinculadas ao FindesLab, da mesma forma, poderão acessar o ecossistema de inovação de Santa Catarina que, com mais de 30 anos de história, está em franca expansão. O setor de tecnologia é responsável por 7,5% do PIB estadual, com R$38,3 bilhões em faturamento. Além disso, terão acesso a programas de capacitação e aceleração reconhecidos internacionalmente, como a rede de incubadoras MIDIHUB, e nacionalmente, a exemplo do LinkLab, programa de inovação aberta que atende corporações de todo o Brasil. As missões internacionais e os hubs de inovação internacionais da ACATE também poderão ser acessados.
O início da parceria
A parceria começou a ser desenhada durante a missão internacional do programa Brazilian Indtechs in Germany (BiG 2025). Durante a imersão, lideranças da ACATE e do Findeslab identificaram sinergias na forma como estruturam programas de inovação, a relação com grandes indústrias e as estratégias de internacionalização. A partir desse encontro, foi iniciada uma construção conjunta que evoluiu para a parceria formalizada agora, com foco em ações práticas e no compartilhamento de estruturas entre os dois ecossistemas.
“Mais do que uma parceria institucional, essa é uma aliança prática voltada à competitividade empresarial. Integramos nossos ecossistemas para ampliar oportunidades para startups e empresas, fortalecer a inovação aberta e abrir caminhos reais de internacionalização. O Espírito Santo ganha força ao se conectar com o que há de mais consolidado no país em termos de tecnologia”, completa Geisiane Leão, coordenadora do Findeslab.
Sobre a ACATE
A Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) representa os interesses do setor tecnológico catarinense desde 1986. A missão da entidade é apoiar o ecossistema local de ponta a ponta, das startups às empresas de grande porte, gerando conexões que fortalecem o setor de tecnologia no estado. Para reforçar o ecossistema de inovação catarinense, a Associação é gestora de iniciativas como a incubadora MIDITEC, o laboratório de inovação aberta LinkLab e as Verticais de Negócios. Reunindo mais de 1.850 associados em 8 polos de inovação e tecnologia de Santa Catarina, possui Centros de Inovação na Grande Florianópolis e em Chapecó, além de presença em outras regiões do país e do mundo. Com um hub no Canadá, a entidade também é promotora de oportunidades de conexão e negócios para empresas que desejam iniciar sua jornada de internacionalização de maneira facilitada.
Sobre o FindesLab
O Findeslab é o hub de inovação da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). Sua atuação conecta startups, empresas e instituições para impulsionar a inovação aberta, transformação digital e desenvolvimento de soluções escaláveis. Com programas voltados à aceleração, internacionalização, inovação aberta e capacitação, o Findeslab já impactou mais de 1000 Conexões de negócios, mobilizando mais de 40 MI e estruturando parcerias estratégicas e promovendo conexões de alto valor entre os atores do ecossistema capixaba e nacional. Atua ainda como porta de entrada para o setor produtivo no acesso a tecnologias emergentes e novas oportunidades de mercado.































