Governador de São Paulo se reuniu ainda com representantes dos EUA na embaixada, em Brasília, o que levou aos advogados do grupo Prerrogativas a acioná-lo na Suprema Corte.
Por Humberto Azevedo
De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) telefonou para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para sugerir aos membros da Suprema Corte que pudessem autorizar o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos da América (EUA) para “negociar” diretamente com o presidente daquele país, Donald Trump, sobre o anúncio das taxas de 50% que irá impor sobre todos os produtos brasileiros a partir de agosto
Bolsonaro está com o passaporte retido desde quando procurou a embaixada da Hungria durante o carnaval de 2024, quando surgiram boatos de que ele poderia ser preso. A proposta de Tarcísio foi considerada “esdrúxula” pelos ministros ouvidos pela coluna. Os ministros informaram que o governador paulista teria usado o argumento de que Bolsonaro teria “capacidade” de negociar com o presidente norte-americano e, assim, conseguir reverter o anúncio das tarifas. Além de “esdrúxula”, os magistrados consideraram a ideia “fora de propósito”.
Os ministros do STF que reportaram o caso à coluna da Folha de S. Paulo também ressaltaram a necessidade de respeitar as instituições que devem ser responsáveis para tal negociação: a Presidência da República e o Ministério das Relações Exteriores (MRE). A imprensa dos EUA tem relatado que a principal motivação das tarifas de Trump contra o Brasil decorrem da decisão do STF que desagradou as empresas de tecnologia daquele país e que operam no Brasil como o Google, Meta (Facebook, Instagram e Wathsapp), dentre outras.
A ideia era costurar um acordo para que Bolsonaro viajasse aos EUA junto com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para que eles discutissem a aprovação, pelo Congresso Nacional, de uma anistia ao ex-presidente.
EMBAIXADA
O governador de São Paulo se reuniu, ainda, nesta sexta com representantes dos EUA na sede da embaixada, em Brasília, o que levou os advogados do grupo Prerrogativas a acioná-lo na Suprema Corte. O estado de São Paulo será um dos membros da federação brasileira mais afetados pelas tarifas anunciadas por Trump. De lá, são produzidos e exportados: café, suco de laranja in natura e as aeronaves construídas pela Empresa brasileira de aviação.
Os advogados do Grupo Prerrogativas veem no encontro de Tarcísio com representantes dos Estados Unidos uma tentativa de conspiração tal qual os governadores Magalhães Pinto, de Minas Gerais; Adhemar de Barros, São Paulo; e Carlos Lacerda, Rio de Janeiro; em 1964 dias antes a deposição do então presidente João Goulart (PTB), que foi apoiada pelo governo norte-americano.
“Acabo de me reunir com Gabriel Escobar, Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, em Brasília. Conversamos sobre as consequências da tarifa para a indústria e agro brasileiro e também o reflexo disso para as empresas americanas. Vamos abrir diálogo com as empresas paulistas, lastreado em dados e argumentos consolidados, para buscar soluções efetivas. É preciso negociar. Narrativas não resolverão o problema. A responsabilidade é de quem governa”, escreveu o governador paulista em texto publicado no seu perfil da plataforma “X”, antigo “Twitter”.
Em nota, a embaixada dos EUA, em Brasília, confirmou a reunião e disse que “diplomatas americanos se reúnem regularmente com governadores brasileiros” e que a embaixada dos EUA “promove os interesses das empresas americanas e a cooperação bilateral”.
INACREDITÁVEL
Para o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), a atitude de Tarcísio foi “inacreditável”. Segundo ele, o governador paulista ligar para ministros do STF propondo autorização para o ex-presidente Bolsonaro viajar aos EUA e negociar com Trump é “crime”.
“Articulou abertamente para facilitar a fuga de Bolsonaro em troca de negociações sobre tarifas. É a mesma linha de Eduardo e Flávio Bolsonaro. Chantagem aberta contra o país. Querem humilhar as instituições e livrar a cara do Bolsonaro. É isso ou jogam uma bomba no país. Agem como sequestradores de toda uma nação e agora aparecem pedindo o resgate!”, exclamou o líder petista.
“Outra coisa, querem transformar o Trump numa espécie de novo Poder Moderador no Brasil. O papel que atribuíam aos militares agora é substituído por Trump. Espero que essa versão de que Bolsonaro viajaria acompanhando de Hugo Mota e Alcolumbre não seja verdadeira. Iam pedir autorização do Trump para votar a anistia no Congresso?”, completou.
Com informações da Folha de S. Paulo.




























