O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) abriu uma nova etapa de investigação sobre contratos que somam R$ 208,1 milhões firmados pela MT Participações e Projetos S.A. (MT Par) para a construção do Autódromo Internacional do Parque Novo Mato Grosso. O empreendimento, considerado um dos maiores projetos de infraestrutura e entretenimento do Estado, agora passa por uma análise técnica do órgão de controle.
De acordo com as primeiras informações, a apuração foi autorizada pelo conselheiro Guilherme Antonio Maluf após uma manifestação encaminhada à Ouvidoria do TCE. O procedimento busca verificar possíveis falhas em licitações, contratos e na aplicação dos recursos públicos. A investigação, porém, não representa condenação ou confirmação de irregularidades.
A denúncia apresentada ao Tribunal aponta suspeitas de fraude em processos licitatórios, conflito de interesses, tráfico de influência, corrupção passiva e um possível sobrepreço de aproximadamente R$ 3 milhões em uma das contratações. Os técnicos também vão avaliar a evolução dos custos e a execução dos serviços previstos.
Um dos pontos analisados será a realização da etapa da Stock Car, em novembro de 2025, quando parte das estruturas ainda estava em construção. Os denunciantes questionaram a segurança do evento após um temporal causar o colapso parcial de uma cobertura e estruturas provisórias, deixando pessoas feridas e provocando danos materiais.
A MT Par negou as acusações e afirmou que os valores aumentaram devido à ampliação do projeto inicial. Segundo a empresa, o empreendimento deixou de ser apenas um autódromo e passou a incluir um complexo com centro de eventos, museus, parque aquático, áreas de lazer e outros espaços permanentes.
Sobre a Stock Car, a estatal informou que a organização e a segurança da competição eram responsabilidades da promotora do evento e das entidades ligadas ao automobilismo. Com esses argumentos, pediu o arquivamento da denúncia, mas o relator considerou que ainda são necessárias análises mais aprofundadas.
O TCE determinou o envio do caso à Secretaria de Controle Externo de Obras e Infraestrutura, que fará auditorias e avaliará contratos, projetos, planilhas e documentos administrativos. O conselheiro também negou a suspensão imediata dos pagamentos por entender que, até o momento, não há comprovação de risco urgente aos cofres públicos. A decisão final dependerá da conclusão da investigação técnica.





























