O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, afirmou em entrevista que o chamado “tarifaço” – o aumento de impostos estaduais e federais sobre combustíveis e energia – tem gerado grande preocupação no setor produtivo.
Segundo ele, no curto prazo os impactos diretos não recaem sobre soja e milho, mas acabam afetando indiretamente várias cadeias produtivas.
“O banco de proteínas do Brasil depende da soja e do milho. Quando você fala de carne de frango, carne de porco, boi confinado, indiretamente acaba afetando esses grãos”, revelou.
Beber alertou ainda para o risco de reflexos internacionais, ligando o “tarifaço” ao discurso do presidente Lula sobre a atual crise econômica.
“Isso incomoda muito os Estados Unidos, já que o Brasil é um grande exportador de grãos para a China. Há risco de novas restrições e aumento de taxas, principalmente pelo Brasil negociar com a Rússia, de onde importamos 40% dos fertilizantes”, explicou.
Para o dirigente, o maior temor é que a disputa política e econômica escale e atinja a produção nacional. “Isso afetaria diretamente não só os produtores, mas também a segurança alimentar brasileira e nossas exportações”, pontuou.
Apesar das incertezas, ele ressaltou ainda que a supersafra deste ano e a competitividade da soja brasileira têm, por ora, garantido espaço no mercado internacional e mesmo diante das incertezas o setor segue atento às movimentações políticas e econômicas, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Para ele, o desafio é manter a competitividade da produção mato-grossense sem que novos impostos e instabilidades externas comprometam outros setores do país e a força das exportações brasileiras.

















