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Entrevista exclusiva

Sucesso da fruticultura no Vale do São Francisco é decorrência de décadas de estudos e pesquisas da Embrapa, afirma João Daniel

O Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário da região do Vale do São Francisco é de R$ 10 bilhões por ano. A atividade agropecuária da região gera em torno de 300 mil postos de trabalho diretos e indiretos. (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

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Para o petista sergipano, a atuação enfática dos Ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e Desenvolvimento Regional na região também explicam como que uma área, que tinha a estiagem como grande problema, passou a ser exemplo em projetos sustentáveis e na produção de alimentos.

 

Por Humberto Azevedo

 

Para o deputado João Daniel (PT-SE), o sucesso da fruticultura hoje verificado no Vale do São Francisco decorre de anos e décadas de estudos e pesquisas desenvolvidas e aplicadas pela Empresa brasileira de pesquisa agropecuária (Embrapa), além de uma atuação efetiva de vários órgãos e ministérios do governo federal, que efetivaram uma política de irrigação e de irrigantes.

 

Para o petista sergipano, que na eleição de 2022 obteve 10% dos seus votos na região, a atuação enfática dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); do Desenvolvimento Agrário (MDA); e de Infraestrutura e Desenvolvimento Regional (MIDR); na região também explicam como que uma área, que tinha a estiagem como grande problema, passou a ser exemplo em projetos sustentáveis e na produção de alimentos.

 

Natural de São Lourenço d’Oeste, em Santa Catarina (SC), João Daniel, se radicou em Sergipe por sua atuação como um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde o final do anos 80, quando ingressou no organismo graças a sua militância política e religiosa junto a pastoral da juventude e das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica Apostólica Romana. Como coordenador do MST, atuou em Sergipe, entre 2002 e 2010, quando se elegeu deputado estadual. Está no terceiro mandato de deputado federal.

 

Além de Sergipe, o Vale do São Francisco (VSF) abrange estados como Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí. Graças aos perímetros irrigados, o VSF se tornou numa das regiões mais importantes para a produção agropecuária e de fruticultura do Brasil, destacando-se pela alta produtividade. A área irrigada do VSF destinada a fruticultura engloba 120 mil hectares.

 

Apesar do clima semiárido, as áreas com irrigação do VSF se tornaram no principal pólo exportador de frutas do Brasil, sendo responsável por 40% das exportações de frutas frescas do país.  Em média, diversas culturas produzidas na região proporcionam até três safras por ano.

 

De acordo com dados da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros do Vale do São Francisco, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Produção agrícola municipal estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do MAPA, 90% da uva de mesa exportada é produzida em no VSF, conforme tabela abaixo.

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A principal tecnologia de irrigação utilizada no Vale do São Francisco é a por gotejamento, que representa 90% dos irrigantes instalados. (Foto: Bruno Spada / Agência Câmara)

Em 2023, as exportações de frutas totalizaram 250 mil toneladas, o que gerou R$ 2,825 bilhões (500 milhões de dólares dos Estados Unidos). Os principais destinos são União Europeia, Holanda, Reino Unido, Espanha. Esses países são responsáveis por 60% das frutas brasileiras exportadas. Os Estados Unidos da América representam 25% das exportações e 10% têm como destino os países do Oriente Médio e da Ásia.  

 

O Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário da região do VSF é de R$ 10 bilhões por ano. A atividade agropecuária da região gera em torno de 300 mil postos de trabalho diretos e indiretos. A principal tecnologia de irrigação utilizada é a por gotejamento, que representa 90% dos irrigantes instalados.

 

Principais Frutas Produzidas e Produção Estimada (*)

 

Fruta  Produção Anual (ton.) Participação no Brasil Principais Mercados de Exportação
Manga 300.000   70% da produção nacional EUA, Europa, Oriente Médio
Uva 200.000 90% da uva de mesa exportada EUA, Europa, China
Goiaba 60.000 50% da produção nacional Europa, Mercosul
Banana 500.000 10% do total nacional Mercado interno e exportação
Melão 150.000 30% da produção brasileira Europa, EUA
Coco 80.000 Destaque na região Mercado interno

 

ENTREVISTA

 

Abaixo, segue a íntegra da entrevista concedida pelo deputado João Daniel sobre a produtividade da agropecuária e da fruticultura no VSF.

Apesar de catarinense, o petista radicado em Sergipe avalia como “fundamental que nós possamos ter um projeto de desenvolvimento com o uso das nossas hidrovias e ferrovias”. (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

Grupo RDM: Qual a importância, como o senhor está vendo, da produtividade do Vale de São Francisco, para o agronegócio, para a agroexportação, qual a importância do Vale de São Francisco e as novas técnicas que estão sendo colocadas lá por meio da Embrapa e de demais institutos de pesquisas?

João Daniel: Olha, nós temos uma riqueza natural muito importante, que precisa ser cuidada, preservada, zelada e amada, que é o rio São Francisco, com grandes extensões de terras férteis, da foz até a sua nascente, e o Vale de São Francisco hoje é um dos grandes produtores em todas as áreas da agricultura, pecuária, mas, principalmente, na área da fruticultura. E eu acho fundamental, importante, nós termos uma empresa exemplar para o mundo de pesquisa que é a Embrapa e temos o compromisso do governo do presidente Lula com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, com o Ministério da Agricultura, o Ministério do Desenvolvimento Regional, com os órgãos que atuam naquelas região, para cuidar de implementar projetos sustentáveis e aproveitar para produzir alimentos em toda esta nossa riqueza do rio São Francisco.

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Grupo RDM: E a questão da logística, como o senhor vê a importância dela para a produção do Vale do São Francisco?

João Daniel: Nós temos um país muito grande, bonito, maravilhoso, mas grande parte da nossa produção é feita por transportes terrestres. E é fundamental que nós possamos ter um projeto de desenvolvimento com o uso das nossas hidrovias e ferrovias. O Brasil volta a negociar concretamente com a China grandes investimentos de fazer ligações, como, por exemplo, a ligação para o porto no Peru. Bom, eu acho fundamental o investimento na questão das ferrovias, porque o transporte fica muito mais barato e nós tiramos das rodovias esse volume de transporte pesado, que causa muito prejuízo econômico, muito caro, dispendioso e que causa muitos acidentes em nosso país.

 

Grupo RDM: Para encerrar, como o senhor está vendo essa questão do debate do projeto que destrava o licenciamento ambiental, que foi aprovado nesta terça-feira, 20 de maio, na Comissão de Meio Ambiente do Senado, até com voto contrário dos senadores do PT? Mas muita gente dentro do governo apoia esse projeto, porque vê nesse projeto o sentido de, até de colocar em prática, os investimentos chineses e de outros lugares que estão vindo para o Brasil. Como conciliar o respeito ao meio ambiente e o desenvolvimento?

João Daniel: Olha, o governo do presidente Lula tem uma preocupação e um compromisso com a questão ambiental. Temos uma ministra que tem uma história de compromisso com o meio ambiente, a ministra Marina Silva. O Ibama, as instituições ambientais estão todas sendo comandadas por gente que tem compromisso e conhecimento na área. Nós somos a favor do desenvolvimento sustentável, que a gente possa fazer investimento, fazer obra, fazer pesquisa, mas cuidar do meio ambiente. Uma coisa não pode atrapalhar a outra. Agora, nenhum investimento, nenhuma infraestrutura deve ser feita prejudicando a questão da vida e a questão do meio ambiente, trazendo prejuízos para o futuro. Por isso é preciso estudar, conhecer cada projeto. Nós achamos, eu pessoalmente sou contra flexibilização da legislação, sou a favor de uma legislação forte, firme, mas a legislação aplicada por homens e mulheres que tem clareza de qual projeto e de como conciliar e resolver as coisas que precisam ser resolvidas para continuar gerando emprego, investimentos, mas cuidando do meio ambiente. 

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