Representantes do setor produtivo defenderam, em audiência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, que a negociação coletiva entre empresas e trabalhadores é o melhor caminho para discutir a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. O tema foi debatido nesta terça-feira (7), durante análise de propostas que preveem mudanças na carga horária semanal.
As discussões envolvem duas Propostas de Emenda à Constituição: a PEC 8/2025, que sugere semana de quatro dias de trabalho, e a PEC 221/2019, que reduz a jornada de 44 para 36 horas. Segundo representantes da indústria, alterações impostas por lei podem gerar impactos econômicos, como aumento de custos e pressão sobre os preços ao consumidor.
Dados apresentados pela Confederação Nacional da Indústria indicam que a redução da jornada sem corte salarial pode elevar preços em até 6,2% e provocar queda no Produto Interno Bruto. Entidades dos setores de transporte e comércio também apontaram risco de repasse de custos e dificuldades operacionais, especialmente em atividades que funcionam de forma contínua.
Parlamentares, por outro lado, defenderam a discussão sob a ótica da qualidade de vida e da dignidade do trabalhador. O relator das propostas, deputado Paulo Azi, questionou a efetividade da negociação coletiva, enquanto outros deputados destacaram que a redução da jornada pode trazer ganhos sociais. A previsão é que a constitucionalidade das propostas seja votada na comissão ainda em abril.
















