O Senado deu um passo decisivo nesta terça-feira (11) para encerrar uma pendência que atravessou mais de duas décadas. A Casa aprovou a reestruturação da dívida de US$ 50 milhões da Bolívia com o Brasil, em uma medida que busca colocar fim a um antigo impasse financeiro entre os dois países.
A proposta, enviada pelo Governo Federal, foi relatada pelo senador Carlos Fávaro (PSD) e recebeu aprovação na Comissão de Assuntos Econômicos e no plenário. Com a decisão, a Bolívia poderá reorganizar seus compromissos financeiros em condições compatíveis com sua capacidade de pagamento.
A dívida teve origem nos anos 1990 e início dos anos 2000, quando empresas brasileiras, públicas e privadas, concederam créditos para exportação de bens e serviços. As negociações para resolver o débito foram interrompidas em 2006, após a nacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos pelo governo de Evo Morales, medida que atingiu investimentos da Petrobras no país.
Segundo Fávaro, a retomada do diálogo entre os dois países foi fundamental para destravar a negociação. “Recebi a missão do presidente Lula de atuar na articulação que viabilizou o desfecho”, afirmou o senador, ao relembrar as tratativas iniciadas em março de 2026 entre os governos brasileiro e boliviano.
O senador também destacou que a aproximação abriu espaço para novos acordos comerciais. “A partir de uma negociação bilateral entre o presidente Lula e o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, foi possível um acordo de harmonização regulatória entre Brasil e Bolívia”, disse Fávaro, citando medidas voltadas a facilitar o comércio de alimentos, bebidas, máquinas e equipamentos agrícolas.
Para o parlamentar, a solução da dívida também tem um peso estratégico para a região. “O Brasil é a maior economia da América do Sul. Liderança regional se exerce com responsabilidade, diálogo e gestos concretos de cooperação”, afirmou. Segundo ele, a reestruturação ajuda a “construir confiança e abrir condições para que o comércio entre os dois países cresça”.
O reescalonamento, portanto, representa não apenas uma reorganização financeira, mas também uma tentativa de virar a página de um conflito que se arrastava há anos. A expectativa é que a solução ajude a fortalecer a integração sul-americana e abra uma nova fase de cooperação econômica entre Brasil e Bolívia.
































