Seis anos após o governo de Mato Grosso assumir a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, transformando-a no Hospital Estadual Santa Casa, a unidade está prestes a ser leiloada e encerrar suas atividades. O médico Paulo César de Figueiredo, que atua há 52 anos no local, lidera um movimento de resistência contra o fechamento. Segundo ele, a dívida do hospital disparou de R$ 120 milhões em 2019 para R$ 305 milhões atuais – um aumento de 154%.
O passivo inclui R$ 127 milhões em empréstimos bancários, R$ 60 milhões em débitos com impostos municipais, estaduais e federais, além de R$ 48 milhões em ações trabalhistas e R$ 38 milhões em cíveis. “Usaram a Santa Casa durante 6 anos e agora vão deixar o hospital com um prazo pequeno para resolver”, criticou Figueiredo. Como instituição sem fins lucrativos, a Santa Casa não pode entrar em recuperação judicial – apenas declarar insolvência em assembleia.
O médico, primeiro patologista de Cuiabá e ex-diretor da unidade, alerta para o impacto do fechamento: profissionais desempregados e população sem atendimento. Ele relembra que, antes da gestão estadual, uma fundação de padres camilianos estava disposta a assumir as dívidas da época, mas um “embate político” entre Estado e Prefeitura levou à intervenção.
Figueiredo também contesta a possível doação dos equipamentos ao município: “Receberam a Santa Casa totalmente equipada, com centro cirúrgico e UTIs. Se tirarem, iremos entrar com uma ação judicial”. O governo ainda não se pronunciou sobre as alegações.


















