Investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência, a empresária Roberta Luchsinger afirmou que pediu apoio ao então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para uma proposta de fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde. Ela, porém, nega ter feito pagamentos em troca de favorecimento e diz que ajudou o ex-assessor por amizade.
Roberta é investigada ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em três inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em um deles, a PF analisa mensagens nas quais a empresária enviou a Marcola, em maio de 2024, uma minuta de termo de referência para a compra de canabidiol pelo ministério. O documento previa dispensa de licitação e direcionamento do negócio para a empresa World Cannabis, ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
“Ter apoio [era o objetivo das conversas com Marcola]. Talvez erro meu de pedir apoio. Ingenuidade. Bobeira”, disse Roberta ao g1. Ela também negou que os R$ 249 mil que pagou em despesas de Marcola tenham relação com a proposta. “Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia ‘linkar’ uma coisa na outra. Marcola é meu amigo. Eu sou uma pessoa amiga dos meus amigos.”
A empresária recebeu R$ 1,5 milhão de Careca para prospectar negócios no Ministério da Saúde e afirma que sua atuação estava relacionada apenas ao mercado de canabidiol. Nenhum contrato com a pasta foi firmado. Roberta e Lulinha também são investigados em apurações sobre possíveis negócios com a Dataprev e outros órgãos públicos, enquanto ela sustenta que suas mensagens foram retiradas de contexto e pede a divulgação integral das conversas sob análise da PF.




















