Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, os produtores de Mato Grosso enfrentam um cenário de baixa rentabilidade. A combinação entre a queda nos preços pagos pelo quilo do suíno, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno tem pressionado o setor, tema debatido durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, promovido pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).
Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer, destacou que, embora o Estado continue ampliando o rebanho e a produção, esse avanço não tem se refletido na renda dos produtores. Segundo ele, Mato Grosso registra atualmente alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da atividade.
De acordo com Gauer, a leve redução nos custos de produção, especialmente do milho, não foi suficiente para compensar a forte retração nos preços do suíno. O cenário preocupa principalmente produtores com financiamentos e investimentos em andamento, já que a diminuição das margens compromete a capacidade de honrar os compromissos financeiros.
Outro ponto levantado foi o impacto limitado das exportações sobre o mercado estadual. Apesar dos embarques recordes de carne suína pelo Brasil, apenas cerca de 15% da produção de Mato Grosso é destinada ao mercado externo, enquanto a maior parte permanece no consumo interno, reduzindo o efeito positivo das exportações sobre os preços pagos aos produtores.
Especialistas defenderam que o momento exige maior eficiência na gestão das granjas e investimentos em ações para estimular o consumo de carne suína no país. Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, o acesso a informações técnicas e econômicas é fundamental para que os produtores possam tomar decisões mais seguras e manter a competitividade do setor diante dos desafios dos próximos anos.

















