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Radiografia SOBRETUDO | Progressistas

Progressistas: 638 mil votos no retrovisor e uma eleição para provar que ainda sabe fazer bancada

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O Progressistas chega às eleições de 2026 tentando provar que continua sendo uma força capaz de decidir os rumos da política catarinense. O partido perdeu espaço na Câmara, atravessou uma disputa interna sobre o projeto majoritário e terminou ao lado de João Rodrigues, PSD, MDB e União Brasil. Mas há uma diferença fundamental nesta eleição: a aliança majoritária não significa uma campanha proporcional conjunta. O PP está fazendo sua própria eleição, com seus candidatos, suas prioridades, suas bases e sua estratégia.

Há um número que o partido vem usando internamente para mobilizar seus quadros: 638 mil votos contabilizados nas eleições municipais de 2024. A cifra funciona como uma espécie de lembrete de força. Não significa que esses votos possam ser simplesmente transferidos para os candidatos de 2026. São eleições diferentes e o voto pertence ao eleitor. Mas o PP elegeu 53 prefeitos, 45 vice-prefeitos e 454 vereadores, e é essa estrutura que o partido pretende colocar novamente em movimento. A mensagem interna é simples: se essa força foi construída coletivamente, ela também pode trabalhar coletivamente para eleger deputados. É um dado de contexto, não uma projeção de votos.

FEDERAL: Zé Milton é a grande aposta

A nominata federal do PP é enxuta. São nove candidatos, mas eles não partem do mesmo ponto.

E há uma candidatura que ganhou status especial dentro do partido: José Milton Scheffer.

Zé Milton ★★★★★

Zé Milton é tratado internamente como a grande estrela do PP para a Câmara. A expectativa que circula no partido é de que possa superar 100 mil votos.

Não é uma pesquisa nem uma projeção matemática. É uma expectativa política baseada na estrutura que o deputado construiu ao longo dos anos no Sul catarinense.

Em 2022, Zé Milton foi reeleito para a Assembleia com 56.585 votos. Agora precisa transformar uma base estadual em uma votação federal.

É uma aposta ousada, mas com fundamento.

Se chegar perto dos 100 mil votos, não estará apenas garantindo sua própria eleição. Poderá ser o principal motor para o PP buscar uma segunda cadeira.

Probabilidade de eleição: muito alta.

Potencial: candidato a uma das maiores votações do PP.

Angela Amin ★★★★☆

Angela é o grande enigma da chapa.

Seu currículo eleitoral é incontestável: ex-prefeita de Florianópolis, ex-deputada estadual e federal, eleita para a Câmara em 2018 com 86.189 votos.

Mas existe uma questão que impede qualquer projeção confortável: Angela não disputa uma eleição federal desde 2018.

Nos bastidores, há quem trabalhe com uma votação na casa dos 30 mil votos. Outros enxergam potencial muito maior.

O fator diferencial pode ser Esperidião Amin.

O senador é candidato à reeleição e continua sendo a principal liderança do PP em Santa Catarina. Se conseguir colocar sua estrutura política e eleitoral na campanha da esposa, Angela pode superar significativamente as estimativas mais conservadoras.

Por isso, Angela não é hoje uma candidatura previsível.

É uma candidatura de alta variância.

Probabilidade de eleição: média/alta.

Principal variável: o apoio de Esperidião Amin.

Coronel Armando ★★★★☆

Tem experiência de Câmara e conhece o caminho de uma eleição federal.

Em 2022, ainda pelo PL, recebeu 55.924 votos.

Sua base no Norte é um ativo importante, mas agora precisa reproduzir uma votação competitiva em uma legenda diferente e dentro de uma configuração eleitoral nova.

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Probabilidade: média/alta.

André Callai ★★★★☆

É a aposta regional do Oeste.

Sua candidatura tem uma tese clara: ampliar a representação da região em Brasília.

O desafio é transformar força regional em uma votação estadual suficiente para alcançar uma cadeira.

É uma candidatura que pode crescer bastante se a estrutura municipal do PP no Oeste for mobilizada.

Probabilidade: média/alta.

Jean Pirola ★★★☆☆

É uma das candidaturas que podem surpreender.

Tem presença regional e espaço para crescer durante a campanha, mas ainda está abaixo do núcleo principal de favoritos.

Probabilidade: média.

Os demais nomes da chapa, Sérgio Luiz Severino, Fernanda Conrrado, Regina de Jesus Almeida e Rosemar Santos de Freitas, cumprem papel importante na composição territorial e na votação coletiva, mas hoje partem de uma posição mais distante da faixa de eleição.

A conta federal

O PP trabalha com a meta de duas cadeiras.

Nossa projeção é:

1 a 2 deputados federais

Cenário central: 2

A primeira cadeira está muito bem posicionada com Zé Milton.

A segunda será disputada principalmente por Angela Amin, Coronel Armando e André Callai.

E aqui os 638 mil votos municipais entram novamente como contexto: se a estrutura municipal realmente trabalhar de maneira coordenada, a capacidade do partido de produzir uma segunda candidatura competitiva aumenta.

ESTADUAL: onde o PP tem mais musculatura

Na Assembleia, o partido chega com uma nominata de 22 candidatos e uma estrutura historicamente mais consolidada.

A meta interna é chegar a cinco cadeiras.

Nossa leitura é um pouco mais cautelosa:

3 a 5 cadeiras

Cenário central: 4

Altair Silva ★★★★★

É o nome mais seguro do PP na Assembleia.

Foi reeleito em 2022 com 46.086 votos e possui uma base muito forte no Oeste, especialmente junto ao agronegócio e às lideranças municipais.

Altair não depende exclusivamente da marca partidária.

Possui estrutura própria e capilaridade.

Probabilidade: muito alta.

Pepê Collaço ★★★★★

É a principal força do PP no Sul.

Foi eleito em 2022 com 28.809 votos e tem uma base consolidada em Tubarão e na Amurel.

Sua posição política também merece atenção.

Pepê esteve entre os nomes do PP mais próximos de Jorginho Mello e não escondeu essa posição mesmo depois de o partido fechar com João Rodrigues.

Isso pode ser eleitoralmente relevante.

Probabilidade: muito alta.

Silvio Dreveck ★★★★☆

Experiência é seu principal ativo.

Ex-presidente da Assembleia e liderança tradicional do Planalto Norte, possui uma base política construída ao longo de anos.

A dúvida é quanto dessa força será transformada novamente em voto depois do período fora do mandato.

Probabilidade: alta.

Evandro Scaini ★★★★☆

Uma das candidaturas que mais podem crescer.

Tem presença no Extremo Sul, justamente uma das regiões onde o PP mantém estrutura histórica.

A candidatura pode se beneficiar da operação regional que também estará mobilizada para Zé Milton.

Probabilidade: média/alta.

Irani Alberton ★★★☆☆

Tem força regional no Sul, mas enfrenta uma disputa particularmente difícil porque divide território com Pepê, Evandro e outros nomes do próprio PP.

Pode crescer, mas precisa encontrar um eleitorado próprio.

Probabilidade: média.

Os demais candidatos estaduais têm importância para a composição da votação partidária e podem produzir surpresas regionais, mas hoje estão em uma segunda linha de competitividade.

A disputa pela quinta cadeira

Altair e Pepê aparecem hoje como os dois nomes mais seguros.

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Dreveck e Scaini formam uma segunda faixa.

Irani pode entrar na disputa.

E a própria estrutura municipal do PP pode produzir uma candidatura que hoje não aparece no radar principal.

Por isso:

Projeção Sobretudo

3 a 5 cadeiras na ALESC

Cenário central: 4

Cenário de alta: 5

O fator Amin

A eleição do PP passa inevitavelmente por Esperidião Amin.

O senador conseguiu garantir sua candidatura à reeleição e conduziu o partido para a aliança com João Rodrigues.

Mas sua influência não termina na majoritária.

A candidatura de Angela será um teste direto da capacidade de Amin de mobilizar sua estrutura.

Uma votação forte de Angela fortalece o grupo.

Uma votação abaixo das expectativas produzirá uma leitura completamente diferente.

Por isso, Angela Amin é também uma espécie de termômetro eleitoral de Esperidião Amin em 2026.

O dinheiro também contará

Com apenas nove candidatos federais, o PP pode concentrar recursos.

A tendência é que Zé Milton e Angela estejam no primeiro nível de prioridade, justamente porque representam projetos eleitorais com potencial de produzir cadeiras.

Na estadual, Altair e Pepê aparecem naturalmente como candidaturas prioritárias, seguidos por Dreveck e Scaini.

A distribuição do Fundo Eleitoral será uma das melhores maneiras de enxergar, na prática, quem o partido considera indispensável para cumprir sua meta.

VEREDITO SOBRETUDO

O Progressistas chega a 2026 com uma combinação curiosa.

Não tem a mesma força institucional de outros momentos, mas ainda possui uma estrutura municipal extremamente relevante.

Os 638 mil votos contabilizados pelo partido em 2024 são utilizados internamente como instrumento de mobilização. Somados aos 53 prefeitos, 45 vice-prefeitos e 454 vereadores eleitos, eles mostram que o PP não começa a campanha do zero.

A questão é transformar estrutura em voto proporcional.

Na Câmara, Zé Milton é a grande aposta. A expectativa interna de uma votação superior a 100 mil votos coloca o deputado em uma posição diferenciada.

Angela Amin é o enigma. Seu histórico é forte, mas a distância da última eleição federal aumenta a incerteza. O apoio de Esperidião Amin pode ser o fator que muda completamente essa equação.

Coronel Armando e André Callai disputam uma faixa importante da segunda cadeira.

Na Assembleia, Altair e Pepê são os nomes mais seguros, enquanto Dreveck e Scaini aparecem na disputa seguinte.

Projeção Sobretudo

Câmara: 1 a 2 cadeiras

ALESC: 3 a 5 cadeiras

Cenário central: 2 federais e 4 estaduais

Federal

1. Zé Milton Scheffer ★★★★★
2. Angela Amin ★★★★☆
3. Coronel Armando ★★★★☆
4. André Callai ★★★★☆
5. Jean Pirola ★★★☆☆

Estadual

1. Altair Silva ★★★★★
2. Pepê Collaço ★★★★★
3. Silvio Dreveck ★★★★☆
4. Evandro Scaini ★★★★☆
5. Irani Alberton ★★★☆☆

Aposta de maior votação: Zé Milton.

Grande incógnita: Angela Amin.

Principal fator externo: Esperidião Amin.

Possíveis surpresas: André Callai e Evandro Scaini.

O Progressistas não está apenas tentando eleger deputados.

Está tentando provar que ainda consegue transformar estrutura política em força eleitoral.

Os 638 mil votos de 2024 são o número que o partido usa para lembrar seus próprios quadros de onde veio.

Agora vem a parte difícil.

Fazer essa estrutura trabalhar novamente, junta, para produzir os votos de 2026.

Porque, no fim, os 638 mil não são votos guardados numa conta bancária eleitoral.

São uma demonstração de força que o PP agora precisa transformar em bancada.

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