Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
SOBRETUDO

Enquanto todos olham para 2026, a política decide no presente — e com o barco desalinhado

publicidade

O noticiário político de Santa Catarina nesta semana traz um desvio interessante. Enquanto o debate público insiste em 2026, boa parte do movimento real está acontecendo em outra camada. Mais próxima, mais prática e, no fim, mais decisiva do que parece. E, no meio disso, partidos importantes começam a mostrar um problema básico. Falta de direção única.

 

Prefeitos voltam ao centro do jogo

O protagonismo que antes estava concentrado nas lideranças estaduais começa a migrar novamente para os prefeitos. Não por acaso, agendas, encontros e articulações recentes têm esse público como foco principal. Prefeito hoje não é apenas cabo eleitoral. É operador político, gestor de demanda local e ponte direta com o eleitor. Em um cenário fragmentado, quem tem base municipal organizada sai na frente.

 

A eleição proporcional começa a pesar mais que a majoritária

Outro ponto pouco explorado, mas cada vez mais evidente nos bastidores, é o peso da eleição proporcional. Deputados federais e estaduais começam a organizar suas nominatas, medir forças regionais e disputar espaço dentro dos próprios partidos. Isso impacta diretamente o jogo maior. São essas chapas que mobilizam campanha, estruturam voto e sustentam alianças. Sem isso, qualquer projeto majoritário vira discurso.

Leia Também:  SOBRETUDO. Quando a política perde o controle da narrativa, o jogo muda de nível

 

MDB e Progressistas remam em direções opostas

O caso mais visível de desalinhamento está dentro dos próprios partidos. MDB e Progressistas vivem um momento em que direção e base já não falam a mesma língua.

No MDB, parte da estrutura se aproxima do governo enquanto outra ainda discute caminhos alternativos. No Progressistas, a divergência entre a decisão partidária e o comportamento de lideranças como Esperidião Amin mantém o ambiente em tensão permanente.

 

O resultado é um cenário peculiar.

Um barco onde cada lado rema para um lado diferente.

E, na política, isso não mantém ninguém parado. Faz o partido girar em torno de si mesmo, sem avançar.

 

A política local ganha valor estratégico

Temas municipais, entregas regionais e ações de governo local começam a aparecer mais nas conversas políticas. Não como notícia isolada, mas como ativo eleitoral. Quem entrega agora constrói argumento para depois. Isso vale tanto para prefeitos quanto para o governo estadual, que ocupa espaço sem necessariamente entrar no confronto direto.

 

Menos ideologia, mais pragmatismo

Outro movimento claro é a redução do discurso ideológico puro nos bastidores. O que se vê é negociação, interesse regional e cálculo eleitoral. Os alinhamentos continuam existindo, mas são cada vez mais condicionados à viabilidade. No fim, a lógica é simples. Menos discurso, mais conta.

Leia Também:  Vitória para Mato Grosso. Conquista para o Brasil!

 

O eleitor que decide não está no debate político

Enquanto o ambiente político segue intenso, o eleitor médio continua distante dessa discussão. Isso cria um fenômeno importante. A eleição tende a ser decidida por quem conseguir furar essa bolha e dialogar com quem ainda não está acompanhando o jogo. Não necessariamente por quem domina o debate atual.

 

PONTO DE VISTA

A política catarinense vive um desencontro de foco e de direção. Enquanto o discurso está em 2026, o jogo real está sendo construído no presente. E, ao mesmo tempo, partidos importantes mostram dificuldade de alinhar suas próprias estruturas.

Quando um partido não rema junto, ele não avança. Gira. E, enquanto gira, perde espaço para quem já entendeu onde precisa chegar.

No fim, eleição não se ganha apenas no topo. Se ganha na base, na organização e na clareza de direção.

E hoje, em Santa Catarina, nem todos parecem saber exatamente para onde estão indo.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade