Quatro programas voltados à adaptação climática, acesso à água e recuperação de áreas degradadas concentram quase R$ 1,7 bilhão em investimentos no Semiárido e na Amazônia. As iniciativas — Sertão Vivo, Recaatingar, Sanear Amazônia e Restaura Amazônia — foram apresentadas pelo BNDES na 17ª Conferência das Partes da Convenção da ONU de Combate à Desertificação, realizada nesta semana em Ulaanbaatar, na Mongólia.
O maior projeto é o Sertão Vivo, que já tem R$ 1,025 bilhão contratado com cinco estados nordestinos e prevê atender 250 mil famílias, cerca de 1 milhão de pessoas. A iniciativa inclui estruturas de acesso à água, recuperação de solos, sistemas agroflorestais e apoio a 84 mil hectares de áreas produtivas mais resistentes à seca. O desenho completo prevê até R$ 1,8 bilhão e 439 mil famílias nos nove estados do Nordeste.
Na Caatinga, o Recaatingar reúne R$ 60 milhões para projetos de recuperação ambiental associados à produção rural. Na Amazônia, o Sanear Amazônia terá R$ 150 milhões para levar tecnologias de captação e tratamento de água a 4.626 famílias, enquanto o Restaura Amazônia prevê até R$ 450 milhões em recursos não reembolsáveis para restauração com espécies nativas e sistemas agroflorestais. Em 2026, o Sanear Indígena recebeu outros R$ 150 milhões para atender 4.417 famílias em 351 aldeias.
Apesar do volume de recursos, parte dos valores ainda depende de editais, seleção, contratação e execução local. O resultado, portanto, será medido pela capacidade de transformar o financiamento em infraestrutura hídrica funcionando, áreas recuperadas e produção sustentável. A estratégia busca fazer da adaptação climática não apenas uma política ambiental, mas também uma forma de preservar renda e capacidade produtiva em regiões vulneráveis à seca e à degradação.




















