O professor de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, foi condenado a 10 meses e 15 dias de prisão, em regime inicial aberto, pelo crime de perseguição (stalking) contra a ex-esposa. A decisão, proferida pelo juiz Valter Fabrício Simioni da Silva, da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, também determina o pagamento de 15 dias-multa e indenização de R$ 3 mil por danos morais.
Segundo a sentença, após o fim de um relacionamento de cerca de 13 anos, o professor passou a enviar repetidos e-mails à vítima entre setembro e outubro de 2022, insistindo para que ela aceitasse encontros presenciais. Mesmo após a mulher informar que manteria contato apenas por assuntos relacionados aos filhos, ele continuou com as mensagens, causando medo, ansiedade e abalo emocional.
As mensagens tinham tom intimidatório. Em uma delas, Saulo afirma conhecer os horários de trabalho da ex-esposa e cobra explicações sobre acusações feitas por ela. O processo também aponta que ele ofendeu o atual marido da vítima e que o Formulário Nacional de Avaliação de Risco registrou ameaças anteriores contra a mulher e seus familiares, além de menções a suicídio e ao uso de arma de fogo.
A vítima ainda relatou que foi ameaçada de morte pelo ex-marido, que teria dito que “estouraria seu nariz” e afirmado que acionaria uma facção criminosa para promover uma “carnificina” em Cuiabá. Para o magistrado, o depoimento foi firme, coerente e compatível com as demais provas reunidas durante a investigação.
Durante o processo, a defesa pediu a nulidade das provas digitais, alegou cerceamento de defesa e solicitou a absolvição do professor. Todos os pedidos foram rejeitados. O juiz destacou que o acusado foi regularmente intimado, não compareceu à audiência de instrução e teve a revelia decretada.
Em nota, a UFMT informou que não tem competência para atuar em casos ligados à vida privada de seus servidores quando não há relação com a atividade funcional. A universidade, no entanto, reiterou que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra a mulher, e afirmou manter canais institucionais de denúncia e acolhimento à comunidade acadêmica.
































