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RADIOGRAFIA SOBRETUDO | UNIÃO BRASIL

O União Brasil aposta em dois nomes para puxar uma bancada que precisa ser reconstruída

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O União Brasil chega às eleições de 2026 em Santa Catarina em uma situação curiosa. O partido não parte de uma grande bancada proporcional, mas entra na eleição com dois ativos eleitorais que podem mudar completamente sua fotografia: Carlos Moisés na disputa pela Câmara dos Deputados e Gean Loureiro na corrida pela Assembleia Legislativa.

 

É uma diferença importante em relação à fotografia anterior. O União não chega às urnas apenas tentando preservar o que possui. Precisa reconstruir sua representação e, ao mesmo tempo, provar que a federação com o Progressistas pode produzir resultado sem apagar a identidade própria do número 44.

 

A direção estadual trabalha com uma ambição clara. Em levantamento feito com os presidentes partidários, Fábio Schiochet projetou para a Federação União Progressista entre duas e três cadeiras federais e cinco a seis estaduais. Essa é uma meta conjunta, não exclusivamente do União Brasil.

 

E é justamente aí que começa a verdadeira disputa.

 

FEDERAL: CARLOS MOISÉS MUDA A EQUAÇÃO

O União Brasil possui atualmente um deputado federal catarinense, Fábio Schiochet, que busca a reeleição. A chegada de Carlos Moisés, entretanto, altera completamente a estrutura da chapa.

Moisés não precisa construir conhecimento de nome. Ele foi governador de Santa Catarina e entra na disputa com recall estadual. Em abril, confirmou que concorreria à Câmara pelo União Brasil, defendendo inclusive uma atuação política mais equilibrada e distante dos extremos.

Isso coloca o ex-governador em uma categoria diferente da maioria dos candidatos proporcionais.

Carlos Moisés: muito forte.

Mas existe uma ressalva importante. Recall não é automaticamente voto. Moisés precisa transformar a lembrança de governo em uma candidatura federal competitiva. E existe outro desafio: sua votação precisa ser suficientemente distribuída pelo Estado. Um ex-governador possui potencial estadual, mas eleição proporcional continua sendo uma disputa construída município por município.

Ainda assim, entre os candidatos que não possuem atualmente mandato federal, Moisés é um dos nomes mais relevantes da chapa do União.

 

Fábio Schiochet

O presidente estadual do União Brasil parte de uma posição diferente. Possui mandato federal, experiência parlamentar e uma estrutura partidária construída ao longo dos últimos anos. Foi eleito em 2018 e reeleito em 2022, consolidando-se como principal referência institucional do partido no Estado. Um documento da Câmara Municipal de Itapoá registra, inclusive, sua atuação como presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados no biênio 2025/26.

Schiochet possui ainda uma vantagem que Moisés não tem: estrutura partidária diretamente ligada à construção da chapa.

Isso não significa eleição garantida. Significa que ele começa a corrida com uma base organizada e conhecimento sobre como transformar mandato em campanha.

Fábio Schiochet: muito forte.

 

A equação Moisés x Schiochet

Aqui está um dos pontos mais interessantes da radiografia.

O União Brasil tem dois candidatos capazes de produzir votação elevada, mas com perfis diferentes.

Moisés oferece recall estadual e capacidade de buscar votos em diferentes regiões.

Schiochet oferece mandato, estrutura partidária e uma base eleitoral já consolidada.

Se ambos forem fortes, o União ganha.

Se um deles concentrar excessivamente a estrutura e a votação, o partido pode perder eficiência na distribuição dos votos.

É a velha equação da eleição proporcional: um puxador ajuda a chapa, mas dois candidatos fortes podem ajudar ainda mais se os votos forem bem distribuídos.

 

E OS DEMAIS FEDERAIS?

A chapa do União possui outros candidatos, mas a distância de competitividade em relação a Moisés e Schiochet precisa ser considerada.

Lisiane Anzanello, Tânia Larson, Jane Stefenn, Débora Parisotto, Derian de Oliveira Campos e Hortência Tierling, entre outros nomes que integram a composição partidária, terão de transformar presença regional e estrutura própria em votação estadualizada para entrar na disputa pelas cadeiras.

Aqui a Sobretudo faz uma distinção importante.

Não significa que esses candidatos não tenham possibilidade de eleição. Significa que, na fotografia atual, ainda não apresentam o mesmo conjunto de mandato, votação anterior ou recall estadual dos dois principais nomes da chapa.

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E é justamente nesses espaços que as eleições proporcionais costumam produzir surpresas.

 

ESTADUAL: O UNIÃO PRECISA RECONSTRUIR

Na Assembleia Legislativa, a situação é ainda mais interessante.

O União Brasil terminou a janela partidária com Vicente Caropreso e Sérgio Guimarães na bancada. A composição anterior era maior, mas Jair Miotto e Marcos da Rosa migraram para o PL durante a janela. A Alesc registrou oficialmente a reorganização das bancadas após o período de troca partidária.

Isso significa que o União não está simplesmente defendendo sua bancada.

Está tentando reconstruí-la.

Vicente Caropreso

É provavelmente o candidato estadual mais seguro do União.

Caropreso deixou o PSDB depois de mais de três décadas e ingressou no União Brasil. Sua votação de 2022 foi de aproximadamente 39,8 mil votos, número que demonstra uma base eleitoral relevante antes mesmo da nova estrutura partidária.

Além disso, possui forte inserção no Norte e no Vale do Itajaí e chega à eleição com mandato.

Vicente Caropreso: muito forte.

Sérgio Guimarães

É outro nome que não pode ser tratado como simples candidato à reeleição.

Em 2022, obteve 27.977 votos e conquistou uma cadeira na Assembleia.

Sua força está especialmente ligada à Grande Florianópolis e ao segmento evangélico, além de sua presença construída na comunicação.

O desafio é que a chapa do União, dentro da federação, reúne candidatos muito competitivos.

Sérgio Guimarães: forte/competitivo.

Gean Loureiro

Aqui está a principal aposta do União para a Assembleia.

O ex-prefeito de Florianópolis está construindo uma campanha com forte estrutura na Grande Florianópolis. Em março, reuniu mais de 400 coordenadores em uma agenda voltada à sua candidatura à Alesc, ao lado de Fábio Schiochet e Esperidião Amin.

Gean possui uma vantagem evidente: já foi prefeito da Capital e possui conhecimento de nome muito superior ao de um candidato estadual tradicional.

Mas existe um detalhe que a Sobretudo não pode ignorar.

Gean não está disputando apenas contra adversários de outros partidos.

Dentro da própria federação, ele terá pela frente candidatos como Pepê Collaço e Altair Silva, além de Caropreso e Sérgio Guimarães pelo próprio União.

Isso torna sua candidatura forte, mas não simples.

Gean Loureiro: muito forte.

 

A DISPUTA REAL DA FEDERAÇÃO

Aqui aparece o ponto que diferencia o União Brasil da análise genérica da União Progressista.

O União tem três nomes estaduais com capacidade real de disputar uma cadeira:

Gean Loureiro, Vicente Caropreso e Sérgio Guimarães.

O PP tem, entre outros, Altair Silva e Pepê Collaço.

São cinco candidaturas relevantes para uma federação que trabalha com projeção de cinco a seis cadeiras estaduais no total.

Isso significa que a competição interna será pesada.

E existe uma questão territorial.

Gean concentra força na Grande Florianópolis.

Caropreso possui sua principal base no Norte e Vale.

Sérgio possui forte presença na Grande Florianópolis.

Altair opera com força no Oeste.

Pepê tem no Sul seu principal território.

Essa distribuição pode ser positiva para a federação, porque reduz a sobreposição absoluta.

Mas a Grande Florianópolis pode se transformar no território mais disputado da chapa.

 

O FATOR POLÍTICO

Existe ainda uma característica que não aparece na matemática eleitoral.

O União Brasil é o partido da federação que chega mais claramente alinhado ao projeto de João Rodrigues. Fábio Schiochet foi um dos articuladores da aproximação entre União, PSD, MDB e Progressistas. A aliança foi formalizada em março.

Essa posição pode beneficiar alguns candidatos.

Mas também cria uma questão dentro da própria federação.

O Progressistas tem uma situação diferente. A direção do PP aprovou a aliança, mas sua base municipal permanece muito mais dividida, com ampla parcela das lideranças alinhada a Jorginho Mello.

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Para o União Brasil, portanto, existe uma vantagem política: a mensagem majoritária é mais uniforme.

O problema é que a federação não é.

 

NOSSA PROJEÇÃO

A Sobretudo trabalha hoje com uma leitura mais conservadora do que a meta divulgada pela direção da federação.

Câmara Federal

Potencial do União Brasil: 1 a 2 cadeiras.

A primeira cadeira aparece como cenário forte, puxada principalmente pela combinação Carlos Moisés + Fábio Schiochet.

A segunda dependerá de três fatores: desempenho individual dos dois principais candidatos, distribuição regional dos votos e capacidade de agregar votação dos demais nomes.

Se Moisés confirmar uma votação estadual expressiva e Schiochet mantiver sua base, duas cadeiras tornam-se perfeitamente plausíveis.

Assembleia Legislativa

Potencial do União Brasil: 2 a 3 cadeiras.

Caropreso parte muito forte.

Gean entra no grupo dos principais candidatos.

Sérgio Guimarães disputa diretamente a terceira posição.

Se os três entregarem votações próximas ou superiores às suas marcas anteriores, o União pode recuperar uma bancada relevante dentro da federação.

 

QUEM ESTÁ NA FRENTE HOJE?

Câmara Federal

Muito forte

* Carlos Moisés
* Fábio Schiochet

Competitivos

* demais candidatos, dependendo da força regional e da capacidade de mobilização.

Alesc

Muito fortes

* Vicente Caropreso
* Gean Loureiro

Forte/competitivo

* Sérgio Guimarães

Correndo por fora

* demais candidatos da nominata, especialmente aqueles que conseguirem construir uma votação regional acima das expectativas.

 

QUEM PODE SURPREENDER?

O nome que merece ser observado é aquele que conseguir escapar da sombra dos três principais candidatos estaduais.

Em uma chapa tão concentrada, não é necessariamente o candidato mais conhecido que surpreende. Pode ser aquele que possui uma base municipal organizada, baixa concorrência regional e capacidade de transformar uma votação aparentemente modesta em desempenho suficiente para aproveitar as sobras.

Esse é justamente o tipo de candidato que costuma desaparecer das análises tradicionais e aparecer na apuração.

 

O QUE PODE FAZER O UNIÃO CRESCER?

Três fatores.

Primeiro: Carlos Moisés. Se o ex-governador produzir uma votação muito alta, pode elevar o desempenho federal da legenda e aumentar o potencial de cadeiras.

Segundo: Gean Loureiro. Uma votação expressiva na Grande Florianópolis pode alterar o equilíbrio estadual da federação.

Terceiro: a disciplina territorial. Se cada candidato concentrar esforços em regiões diferentes, o União pode transformar uma chapa pequena em uma chapa eficiente.

 

E O QUE PODE FAZER O UNIÃO PERDER ESPAÇO?

A competição interna.

Se Gean, Caropreso e Sérgio disputarem excessivamente os mesmos territórios, parte dos votos pode ser desperdiçada.

Na Câmara, o risco é parecido: Moisés e Schiochet precisam produzir votação suficiente para garantir uma cadeira, mas a legenda também precisa de uma distribuição que permita alcançar a segunda.

É uma questão matemática, não ideológica.

 

PONTO DE VISTA

O União Brasil não chega à eleição de 2026 como o maior partido de Santa Catarina. Mas chega com uma característica que pode ser mais importante: possui candidatos capazes de mudar sua própria dimensão eleitoral.

Carlos Moisés pode transformar a chapa federal.

Gean Loureiro pode transformar a chapa estadual.

Vicente Caropreso oferece estabilidade.

Sérgio Guimarães acrescenta uma base própria.

O problema é que todos precisam dividir espaço dentro de uma federação que também abriga candidatos fortes do Progressistas.

O União Brasil, portanto, não precisa apenas eleger deputados.

Precisa provar que consegue reconstruir uma bancada mesmo dividindo o mesmo espaço eleitoral com outro partido.

 

A PERGUNTA QUE FICA

O União Brasil tem hoje nomes suficientes para voltar a ser uma força relevante na política catarinense. Mas existe uma questão que só as urnas responderão:

Carlos Moisés, Gean Loureiro, Fábio Schiochet, Vicente Caropreso e Sérgio Guimarães conseguirão transformar força individual em força coletiva ou a competição dentro da própria federação acabará consumindo parte desse potencial?

Na eleição proporcional, não basta ter bons candidatos.

É preciso que eles caibam na mesma matemática.

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