O Progressistas de Santa Catarina vive hoje uma situação curiosa e delicada ao mesmo tempo.
Institucionalmente, o partido já definiu seu caminho. O apoio à reeleição do governador Jorginho Mello é tratado pela executiva como decisão consolidada, praticamente irreversível e que deverá apenas ser ratificada na convenção partidária.
Mas, politicamente, a situação está longe de pacificada.
E os últimos movimentos do senador Esperidião Amin começaram a produzir um desgaste interno que já preocupa parte dos pré-candidatos da própria sigla.
O discurso em Criciúma criou um problema interno
A fala de Amin durante o evento de João Rodrigues em Criciúma repercutiu mal dentro de setores importantes do partido.
Ao afirmar que acredita em segundo turno e que João vencerá a eleição nesse novo cenário, o senador colocou muitos correligionários em uma situação extremamente desconfortável.
Porque, na prática, o presidente estadual do partido passou a defender publicamente um projeto oposto à posição já definida institucionalmente pelo próprio Progressistas.
E isso gerou reação imediata nos bastidores.
Pré-candidatos começaram a sentir pressão nas bases
O problema deixou de ser apenas interno.
Pré-candidatos do Progressistas começaram a relatar dificuldades reais em suas regiões após a fala do senador.
Segundo relatos de bastidor, lideranças municipais, entidades regionais, apoiadores locais e parte do eleitorado conservador já começaram a questionar o comportamento do partido.
Em várias regiões, especialmente onde o governo Jorginho mantém forte aprovação, candidatos relatam que estão sendo pressionados a explicar por que o presidente estadual da sigla atua contra o projeto apoiado pela própria executiva partidária.
“Não sabemos mais como defender isso nas bases”
O desconforto já começou a ultrapassar o limite das conversas reservadas.
Alguns pré-candidatos admitem que a situação ficou politicamente difícil de administrar junto às suas bases eleitorais.
A avaliação interna é de que o discurso do senador criou um desalinhamento que os candidatos proporcionais não conseguem mais justificar com facilidade nas regiões onde o apoio ao governador é amplamente majoritário.
Nos bastidores, alguns chegaram a resumir o sentimento de forma dura.
“O Amin está voando solo no projeto pessoal dele.”
Outros foram ainda além ao afirmar que o senador estaria priorizando sua estratégia individual sem avaliar os impactos sobre o partido e sobre os próprios candidatos do Progressistas.
Há relatos de lideranças dizendo que o partido começa a sofrer desgaste político desnecessário justamente em regiões onde historicamente sempre teve forte presença e boa relação com o eleitor conservador.
O desconforto já chegou na campanha proporcional
A preocupação maior hoje não é apenas institucional.
Ela começa a atingir diretamente a sobrevivência eleitoral dos pré-candidatos do partido.
Nos bastidores, alguns aliados já admitem dificuldade crescente em pedir votos para Amin ao Senado enquanto suas bases caminham majoritariamente ao lado de Jorginho Mello.
E isso gera um temor silencioso dentro do Progressistas. Perder votos locais por conta de um conflito majoritário que parte do partido já considera superado internamente.
A fala de Flávio Bolsonaro aumentou ainda mais a pressão
Outro fator que ampliou o desconforto interno foi a declaração recente de Flávio Bolsonaro afirmando que “o único candidato da direita em Santa Catarina é Jorginho Mello”.
A fala produziu efeito imediato dentro do campo conservador catarinense, porque Amin já declarou apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. E isso cria uma contradição política difícil de administrar.
Como apoiar o projeto presidencial bolsonarista enquanto atua no estado ao lado de um grupo que enfrenta diretamente o candidato apontado por Bolsonaro como representante oficial da direita catarinense?
O partido já opera em velocidades diferentes
Hoje, o Progressistas funciona claramente dividido entre a posição institucional da executiva e a movimentação política individual do senador.
A direção partidária trata o apoio ao governador como caminho consolidado.
Já Amin continua atuando politicamente dentro do projeto de João Rodrigues.
O problema é que, cada vez mais, essas duas linhas parecem incompatíveis dentro da mesma estrutura partidária.
A convenção deixou de ser espaço de disputa
Nos bastidores do partido, a convenção estadual já não é tratada como momento decisório.
A leitura predominante é que ela servirá apenas para oficializar uma posição já tomada anteriormente pela executiva.
Ou seja, o apoio ao governo é visto como definido e não como algo ainda em discussão.
Isso reduz drasticamente o espaço político para reversão de rota.
Amin começa a enfrentar o risco do isolamento político
Talvez o ponto mais delicado desse processo seja outro.
Pela primeira vez em muitos anos, lideranças do próprio Progressistas começam a demonstrar desconforto público e privado com a estratégia política do senador.
E isso acontece justamente em regiões onde o partido historicamente construiu sua força eleitoral.
A pergunta que começa a circular nos bastidores é inevitável. Amin está enxergando um cenário político que ninguém mais percebe? Ou está insistindo em um movimento que pode acabar isolando seu próprio projeto eleitoral dentro de um partido que já parece ter tomado outra direção?
PONTO DE VISTA
O Progressistas catarinense vive hoje uma situação de clareza institucional e tensão política simultaneamente.
A executiva decidiu apoiar Jorginho Mello e trata essa decisão como praticamente irreversível.
Mas parte da principal liderança histórica do partido segue operando em outra direção.
O problema é que essa divergência deixou de ser apenas debate interno.
Ela começou a atingir bases eleitorais, campanhas proporcionais, lideranças regionais e o próprio ambiente político do partido.
Na política, partidos conseguem conviver com divergências. O que normalmente não conseguem sustentar por muito tempo é uma distância tão grande entre o discurso institucional e a prática política das suas maiores lideranças.
Hoje, o Progressistas parece já ter escolhido seu caminho.
A dúvida que permanece é se todos dentro do partido ainda estão caminhando para o mesmo lado.


























