Por Ademir Galitzki
Já presenciei cenas de maus-tratos a animais que cortam o coração. Em uma ocasião, vi uma pessoa amarrar uma corda na maçaneta do carro. Pasme! Na outra ponta da corda estavam um cachorro desesperado, não importa se são vira-latas ou de pedigree; o essencial é que estamos falando de vidas. Também tive o desprazer de ver pessoas dando chutes na barriga de cachorros, algo que nos deixa perplexos e indignados com a falta de amor pelos animais.
Outro episódio que me marcou profundamente foi o de um senhor que fazia pequenos fretes em sua cidade com uma carroça. Até aí, nada demais. Porém, um dia ele foi denunciado por moradores e acabou preso. O cavalo que ele usava para o trabalho estava com um dos pés totalmente quebrado há dias. Veterinários que apoiaram a operação de resgate constataram que a pata do animal não poderia ser operada. Infelizmente, o pobre cavalo teve que ser sacrificado.
E o que dizer da senhora inescrupulosa que jogou uma sacola preta no rio? Dentro dela, havia seis filhotes de cachorro. Até onde pode chegar um ser humano?
Agora, vamos à incrível história de um passarinho que ilustra a grandeza da natureza viva e preservada. Aconteceu em Winnipeg, no Canadá, onde faz muito frio. Certo dia, Nohã, que ajudava seu pai, Oliver, com um velho caminhão, viu seu gato se preparando para atacar. Ao se aproximar, notou que o alvo era um pequeno passarinho, muito feio, todo inchado, com os olhos fechados e o bumbum enorme. O pássaro não sobreviveria àquela noite, pois a temperatura estava bem abaixo de zero. Ou morreria nas garras do gato, ou de frio.
Nohã não hesitou: correu em socorro do frágil pássaro, alimentando-o com papinhas de fubá e oferecendo calor e carinho. O passarinho cresceu, tornou-se adulto, colorido e muito cantador. Anos depois, Nohã precisou mudar e passou muitos anos fora de Winnipeg. Ao retornar aos 20 anos, aconteceu o inesperado. No mesmo dia, um pássaro apareceu, sobrevoando sua cabeça, parecendo querer beijá-lo com pequenas bicadas, como se estivesse muito feliz por reencontrar o amigo que lhe salvara a vida 20 anos atrás. O pássaro sentou-se em sua cabeça, ombros e braços, parecendo querer dizer: “Obrigado, meu amigo, por ter me permitido sobreviver. Se não fosse por você, teria morrido de frio, longe do calor do meu ninho, ou nas garras do seu gato.”
Fica aqui um exemplo de que a natureza é meiga e sábia, mas também tem suas limitações. Proteger os indefesos animais é dever de cada cidadão. Ame os bichos.
















