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SOBRETUDO

No Progressistas, a divisão deixou de ser uma crise. Virou estratégia de sobrevivência.

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Há pouco tempo, qualquer demonstração pública de divergência dentro do Progressistas era interpretada como sinal de uma ruptura iminente. Hoje, o cenário é diferente. O partido continua dividido, mas aprendeu a conviver com essa realidade. A crise não desapareceu. Ela foi administrada. E essa talvez seja a principal habilidade política desenvolvida pela legenda desde que a sucessão estadual passou a dividir seus principais líderes.

 

A fotografia atual do Progressistas catarinense revela um partido que caminha em duas direções políticas, mas procura preservar uma única estrutura partidária. De um lado, a ampla maioria dos prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças municipais mantém alinhamento com o projeto de reeleição do governador Jorginho Mello. De outro, um grupo menor, porém formado por importantes quadros históricos da legenda, continua defendendo o apoio à pré-candidatura de João Rodrigues ao Governo do Estado. Não se trata de uma divisão equilibrada em tamanho, mas de uma divergência relevante pelo peso político de quem a representa.

 

Esse cenário poderia produzir uma ruptura institucional. Não foi o que aconteceu.

 

O Progressistas parece ter compreendido que romper significaria perder muito mais do que preservar diferenças. Em um sistema eleitoral cada vez mais competitivo, partidos dependem de estrutura, nominatas fortes, fundo eleitoral, tempo de televisão e capilaridade municipal. A fragmentação reduziria a capacidade de disputa de todos os grupos envolvidos. A lógica da sobrevivência passou a falar mais alto do que a lógica da confrontação.

 

Isso ajuda a explicar por que, mesmo diante de discursos diferentes sobre a eleição para governador, o partido mantém relativa estabilidade interna. Cada grupo trabalha para fortalecer sua posição política, mas evita atravessar a linha que poderia comprometer o desempenho coletivo nas eleições proporcionais. Afinal, independentemente da disputa majoritária, todos compartilham o mesmo objetivo institucional: ampliar a bancada estadual, aumentar a representação na Câmara dos Deputados e preservar o espaço político do Progressistas em Santa Catarina.

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Essa separação entre estratégia majoritária e estratégia proporcional é um dos movimentos mais interessantes da política catarinense neste momento. Enquanto parte da opinião pública observa apenas o debate sobre quem o partido apoiará para o governo, as lideranças concentram boa parte de seus esforços na montagem das nominatas. E não é por acaso. São elas que definirão o tamanho do partido a partir de 2027. Governadores passam. Bancadas permanecem.

 

Outro aspecto chama a atenção. O Progressistas parece ter substituído a busca pela unanimidade pela construção da convivência. Em vez de tentar eliminar o conflito interno, passou a administrá-lo. Essa mudança é significativa. Em política, consenso absoluto raramente existe. Partidos duradouros costumam ser aqueles que aprendem a acomodar interesses distintos sem comprometer sua capacidade eleitoral.

 

Isso não significa que os problemas tenham sido resolvidos. A eleição se aproxima e as pressões tendem a aumentar. A definição das campanhas ao Senado, os palanques regionais e os compromissos municipais poderão colocar novos testes sobre essa convivência. O desafio será impedir que a disputa pela majoritária contamine as eleições proporcionais, justamente onde o partido concentra seus maiores interesses estratégicos.

 

Há também um componente geracional. O Progressistas vive a transição entre uma liderança histórica, simbolizada por Esperidião Amin, e um conjunto de novas lideranças municipais que passaram a construir sua própria relação política com o governo estadual. Essa mudança de centro de gravidade ajuda a explicar por que o discurso das bases nem sempre coincide com o das principais lideranças estaduais. A política municipal passou a influenciar mais as decisões partidárias do que as articulações tradicionais da cúpula.

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No fim das contas, talvez o Progressistas esteja oferecendo uma lição pouco comum na política brasileira. Nem toda divisão leva, necessariamente, à ruptura. Em alguns momentos, partidos sobrevivem justamente porque conseguem transformar diferenças em convivência institucional. O desafio é saber até quando esse equilíbrio continuará sendo suficiente diante da intensificação da campanha.

 

PONTO DE VISTA

Existe uma tendência de interpretar qualquer divergência partidária como sinal de fraqueza. Nem sempre é assim. Partidos políticos são coalizões de interesses, lideranças e projetos. O verdadeiro teste não é a ausência de conflitos, mas a capacidade de administrá-los sem destruir a organização. Hoje, o Progressistas parece mais preocupado em preservar seu tamanho político do que em impor unanimidade. E, para uma legenda que disputa espaço em todas as regiões do Estado, talvez essa seja a estratégia mais racional.

A PERGUNTA QUE FICA

À medida que a campanha eleitoral ganhar intensidade e a pressão por posicionamentos definitivos aumentar, o Progressistas conseguirá manter a convivência entre projetos distintos ou chegará o momento em que a disputa pelo Governo do Estado mostrará que, definitivamente, não existe um único caminho?

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