O anúncio da construção do novo Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande representa muito mais do que o início de uma obra pública. Para mim, significa a concretização de um compromisso assumido durante os anos em que estive à frente da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, entre 2019 e 2026: transformar a infraestrutura da saúde pública e oferecer aos mato-grossenses hospitais compatíveis com a dignidade que cada cidadão merece.
Sempre defendi que Várzea Grande precisa deixar para trás uma realidade que se arrastava havia décadas. A segunda maior cidade do Estado não poderia continuar dependendo de uma estrutura hospitalar limitada, sobrecarregada e incapaz de acompanhar o crescimento populacional e a importância econômica do município.
O antigo Hospital e Pronto-Socorro Municipal cumpriu um papel histórico, mas chegou ao limite de sua capacidade. Durante anos, atendeu não apenas os moradores de Várzea Grande, mas pacientes de toda a Baixada Cuiabana e de diversas cidades vizinhas, funcionando em condições que já não correspondiam às necessidades da população.
Foi justamente por reconhecer essa realidade que, ainda durante minha gestão, defendemos a elaboração de um projeto totalmente novo. Não se tratava de uma simples reforma ou ampliação. Era preciso construir um hospital moderno, preparado para os desafios da medicina contemporânea e capaz de oferecer atendimento humanizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O projeto agora lançado prevê investimentos de mais de R$ 200 milhões e contempla uma estrutura de grande porte, com leitos de enfermaria, UTI, salas cirúrgicas, pronto atendimento adulto e infantil, ambulatórios, entre outras necessidades de uma unidade moderna.
Isso representa algo muito maior do que concreto, aço e equipamentos. Representa vidas que poderão ser salvas com mais rapidez, pacientes atendidos com mais qualidade e profissionais trabalhando em condições adequadas.
A construção desse hospital também simboliza uma mudança de conceito na política pública de saúde em Mato Grosso. Durante muitos anos, o Estado conviveu com um enorme déficit de investimentos em infraestrutura hospitalar. Existiam obras paralisadas, hospitais inacabados e regiões inteiras dependentes de deslocamentos para Cuiabá em busca de atendimento especializado.
Quando assumimos a Secretaria de Estado de Saúde, em 2019, estabelecemos como prioridade mudar essa realidade. Nossa convicção era clara: não bastava ampliar custeios ou adquirir equipamentos; era necessário expandir de forma definitiva a capacidade instalada da rede pública.
Foi com essa visão que reabrimos a Santa Casa de Cuiabá, evitando o colapso da assistência após o fechamento da instituição. Mais tarde, o Governo do Estado consolidou a aquisição definitiva do hospital.
Também retomamos, após 34 anos de paralisação, as obras do Hospital Central de Cuiabá, administrado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, estabelecendo um novo padrão de excelência para a saúde pública estadual.
Ao mesmo tempo, iniciamos a construção dos hospitais regionais de Confresa, Juína e Tangará da Serra; inauguramos o Hospital Estadual Alto Tapajós, em Alta Floresta; apoiamos a retomada das obras do Hospital Universitário Júlio Müller; fortalecemos hospitais regionais já existentes e ampliamos serviços especializados em diversas regiões do Estado.
Talvez o maior legado desse período tenha sido justamente romper a lógica da concentração da assistência em Cuiabá. Trabalhamos para fortalecer polos regionais, reduzir distâncias, ampliar o acesso e levar atendimento de média e alta complexidade para mais perto da população.
Tenho convicção de que investir em hospitais não significa apenas erguer edifícios. Significa criar condições para que médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais possam exercer sua missão com qualidade. Significa oferecer esperança às famílias que dependem exclusivamente do SUS. Significa construir um Mato Grosso mais justo para todos.
Por Gilberto Figueiredo
Gilberto Figueiredo foi secretário de Saúde de Mato Grosso no período de 2019 a 2026 e é pré-candidato a deputado estadual.
















