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Parceria Sino-brasileira

“O apoio chinês é decisivo para tirar do papel rodovias, ferrovias, portos e linhas de transmissão”, diz Lula em Pequim

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra com Xi Jinping, o líder chinês, na abertura do IV fórum Celac-China. (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

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O presidente brasileiro discursou nesta terça-feira, 13 de maio, na abertura do IV encontro Celac-China, e defendeu o aperfeiçoamento do multilateralismo.

 

Por Humberto Azevedo

 

Ao discursar nesta terça-feira, 13 de maio, na sessão de abertura do IV fórum da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizado em Pequim, na China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da integração da China com os países sul-americanos e caribenhos para o desenvolvimento da região.

 

O IV Fórum Celac-China é uma plataforma de cooperação intergovernamental entre países em desenvolvimento, que serve de vetor de promoção dos interesses do Sul Global. O encontro insere-se na agenda externa da CELAC, que inclui, também, diálogos regulares com União Europeia, União Africana, Conselho de Cooperação do Golfo, Índia e Turquia.

 

Para o governo do Brasil, a reunião demonstrará a importância da Celac como foro privilegiado de concertação e diálogo da América Latina e Caribe com o mundo. Para os diplomatas brasileiros, o encontro na China contribuirá para fortalecer a parceria entre países do Sul Global e defender o multilateralismo, com a Organização das Nações Unidas (ONU) em seu centro, e o sistema de comércio internacional regido pela Organização Mundial de Comércio (OMC), num contexto de ressurgimento do unilateralismo, o que faz aumentar a relevância da diversificação das parcerias do Brasil e da própria Celac.

 

“Isso fica evidente sobretudo na área de infraestrutura. O apoio chinês é decisivo para tirar do papel rodovias, ferrovias, portos e linhas de transmissão. Mas a viabilidade econômica desses projetos depende da capacidade de coordenação de nossos países para conferir a essas iniciativas escala regional”, destacou o presidente brasileiro.

 

“O Fórum Celac-China comemora seu décimo aniversário este ano. Ao longo dessa década, os laços entre a América Latina e o Caribe e a China se fortaleceram. A China já é o segundo maior parceiro comercial da Celac e um dos mais importantes investidores diretos na região. Recursos oriundos de instituições financeiras chinesas superam créditos oferecidos pelo Banco Mundial ou pelo BID. A parceria com a China é um elemento dinâmico para a economia regional”, frisou Lula.

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SUPERAÇÃO DA PANDEMIA

 

Lula discursa no IV encontro da Celac-China, após participar de uma reunião do fórum empresarial Brasil-China que anunciou diversos investimentos chineses no Brasil como os R$ 5,7 bilhões para a produção de combustível renovável de aviação. (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

Lula lembrou ainda o papel que a China teve no crescimento da América do Sul e do Caribe, além da importante participação do país no desenvolvimento de vacinas e insumos durante a pandemia do Covid-19. Para ele, reforçar a articulação entre todos esses atores permitirá a todos aproveitar na plenitude o potencial dessa relação. 

 

Desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil e chegou, em 2023, ao volume recorde de R$ 894,6 bilhões, com as exportações brasileiras representando R$ 592,43 bilhões, e importações de R$ 301,6 bilhões, proporcionando um superávit no saldo da balança comercial em favor do Brasil no valor de US$ 290,47 bilhões. As exportações brasileiras para a China foram superiores à soma das vendas do país para os Estados Unidos (R$ 209,59 bilhões) e para a União Europeia (R$ 262,98 bilhões).

 

Além do Brasil, a China destaca-se por ser o principal parceiro comercial de grande parte dos países da América Latina e do Caribe e, cada vez mais, um importante investidor, especialmente em infraestrutura. A robusta agenda de cooperação do fórum Celac-China não se limita a temas econômico-comerciais e inclui cooperação em assuntos como educação, inovação, transição energética, clima, inteligência artificial, combate aos crimes internacionais, desastres naturais e segurança alimentar.

 

“A demanda chinesa foi um dos propulsores do crescimento que experimentamos no início do século. Obtivemos avanços expressivos na redução da pobreza e da desigualdade. Foi nesse momento que finalmente olhamos para nosso entorno e nos unimos para criar a UNASUL e a CELAC. Só com maior articulação entre nós conseguiremos aproveitar ao máximo o potencial de cooperação sino-latino-americana e caribenha”, afirmou Lula.

 

REINDUSTRIALIZAÇÃO

 

A criação de um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em parceria entre a Windey Technology e a Senai-Cimatec na área de energia renovável contará com recurso do Banco do BRICS, presidido pela ex-presidenta Dilma Rousseff. (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

O presidente brasileiro também ressaltou que a relação entre a Celac e a China deve resultar em um fortalecimento das indústrias nos países sul-americanos e caribenhos, inclusive no campo da Inteligência Artificial (IA). O relacionamento entre Brasil e China é marcado por por um alinhamento que vai além da esfera bilateral. As duas nações têm mantido diálogo em mecanismos como BRICS, G20, OMC e BASIC (articulação entre Brasil, África do Sul, Índia e China na área do meio ambiente). 

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Neste sentido, a visita de Lula permitirá que o presidente brasileiro e o presidente chinês, Xi Jinping, com quem Lula se reúne ainda nesta terça-feira (13/5) na residência oficial de Zhongnanhai, explorem sinergias entre suas políticas de desenvolvimento e programas de investimento e possam estreitar a coordenação sobre tópicos regionais e multilaterais – inclusive em relação ao G20, ao BRICS e às conferências das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), que neste ano será realizada em Belém (PA), em novembro.

 

“Para construir um futuro compartilhado, é necessário reduzir as assimetrias entre os países. É imprescindível que a colaboração entre a CELAC e a China contribua para fortalecer a indústria e a inovação na região. A revolução digital não pode criar um novo abismo tecnológico entre as nações. O desenvolvimento da Inteligência Artificial não deve ser um privilégio de poucos”, comentou Lula.

 

COP-30

 

O presidente colombiano Gustavo Petro discursa no IV Encontro da Celac-China, em Pequim, que debate a ampliação de investimentos chineses na América Latina. (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

Ao abordar o tema das mudanças climáticas, Lula reforçou que a união entre os atores envolvidos no IV fórum Celac-China pode mandar uma mensagem muito clara para o planeta no que diz respeito a um modelo que alie crescimento e preservação do meio ambiente.

 

Além das considerações políticas mais amplas, a reunião deve propiciar intercâmbios sobre grande número de assuntos de interesse mútuo. A Celac buscará apoio da China para iniciativas como o Fundo de Adaptação Climática e Resposta Integral a Desastres Naturais (FACRID); o Plano da Celac sobre segurança alimentar e nutricional (Plano San-Celac); e o Plano de autossuficiência sanitária da Celac.

 

O presidente chileno Gabriel Boric discursa no IV Encontro da Celac-China, em Pequim, que debate a ampliação de investimentos chineses na América Latina. (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

“A América Latina e o Caribe e a China podem mostrar ao mundo que é possível conter a mudança do clima sem abdicar do crescimento econômico e da justiça social. A COP-30, na Amazônia, no estado do Pará, na cidade de Belém, no coração da Amazônia, almeja ser um ponto de virada na implementação dos compromissos climáticos, estabelecendo a confiança em soluções coletivas”, acredita Lula.

 

Com informações de assessoria.

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