A pré-candidata ao Governo de Mato Grosso pelo PSD, Natasha Slhessarenko, vem construindo uma estratégia política considerada delicada para 2026. Ao mesmo tempo em que se aproxima do eleitorado de esquerda e declara alinhamento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a médica e empresária evita endurecer o discurso contra o governador Otaviano Pivetta, que buscará a reeleição e é um dos principais nomes da centro-direita no Estado.
Em entrevistas recentes, Natasha reforçou apoio às políticas do governo federal e chegou a afirmar estar “totalmente alinhada” às ações de Lula, tentando ocupar um espaço mais progressista no cenário estadual. Ao mesmo tempo, escolheu o senador Wellington Fagundes como principal alvo político, enquanto adota tom mais moderado quando o assunto envolve Pivetta.
Nos bastidores, a postura é vista como estratégica. Isso porque Mato Grosso possui forte influência do agronegócio e um eleitorado majoritariamente conservador, ambiente em que críticas abertas ao atual governador poderiam gerar resistência ainda maior à pré-candidata. Além disso, Pivetta mantém forte interlocução com o setor produtivo e vem consolidando apoio entre lideranças empresariais e políticas do interior.
Outro ponto que reforça essa leitura é a relação próxima entre a família Slhessarenko e o governador. O irmão da pré-candidata, o engenheiro civil e administrador Leonardo Slhessarenko Filho, atua há anos na gestão das empresas do agronegócio ligadas a Pivetta e é considerado um dos profissionais de confiança do governador.
A conexão familiar acaba alimentando especulações sobre uma possível dificuldade de Natasha em adotar um enfrentamento mais duro contra a atual gestão estadual. Enquanto outros nomes da esquerda costumam mirar críticas diretas ao grupo político de Pivetta, a pré-candidata do PSD mantém um discurso mais equilibrado e evita embates públicos frequentes com o chefe do Executivo estadual.
O cenário também ocorre em meio ao distanciamento histórico entre o governo Lula e setores do agronegócio brasileiro. Nos últimos meses, lideranças da direita intensificaram críticas ao PT em eventos ligados ao agro, principalmente em pautas relacionadas à economia, segurança jurídica e política agrícola.
Diante desse ambiente político, Natasha tenta caminhar em uma linha tênue: fortalecer a identificação com o campo progressista e com o governo federal sem romper pontes com setores conservadores e empresariais de Mato Grosso. A estratégia pode ajudá-la a ampliar diálogo com diferentes grupos, mas também levanta dúvidas sobre até que ponto conseguirá sustentar um discurso de independência em uma disputar marcada pela polarização política.




























