Durante julgamento no Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira (3), a defesa de Jair Bolsonaro (PL) negou qualquer envolvimento do ex-presidente com tentativas de golpe ou os atos violentos de 8 de janeiro de 2023. “Ele não atentou contra o estado democrático de direito”, afirmou o advogado Celso Vilardi, acrescentando que não existe “uma única prova” que ligue Bolsonaro às operações “Punhal Verde Amarelo”, “Luneta” ou à invasão aos Três Poderes.
Os advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno também atacaram a delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, afirmando que o colaborador apresentou versões contraditórias e que o acordo de delação “não existe em nenhum lugar do mundo”. “Ele mudou a versão várias vezes”, disse Vilardi, citando relatório da própria Polícia Federal sobre omissões e contradições nas declarações de Cid.
A defesa ainda contestou o uso da minuta do golpe como prova, destacando que o documento foi encontrado com Mauro Cid e que não houve discussão sobre seu conteúdo com os comandantes das Forças Armadas. Para Vilardi, o tema já estava “encerrado” desde uma reunião em dezembro de 2022 no Palácio da Alvorada, e tratá-lo como base para uma pena de 30 anos seria desproporcional.
Por fim, os advogados argumentaram que Bolsonaro não dificultou a transição para o governo Lula, chegando a intermediar o contato entre os comandantes militares e o novo ministro da Defesa, José Múcio. A Procuradoria-Geral da República, no entanto, sustenta que Bolsonaro liderou uma organização criminosa com “projeto autoritário de poder” e pede sua condenação por cinco crimes, com penas que podem somar até 43 anos de prisão.

















