O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou, nesta terça-feira (21), uma operação para desarticular uma organização financeira clandestina apontada como braço logístico do crime organizado e responsável por prestar serviços a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A Justiça expediu 18 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens e contas dos investigados.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo atuava como uma estrutura de “bancarização” do crime, recebendo dinheiro em espécie de origem ilícita e promovendo sua circulação por meio de empresas de fachada e contas de terceiros, conferindo aparência de legalidade aos recursos.
As investigações apontam que a rede atendia desde criminosos comuns até lideranças da facção. Entre os principais clientes estaria Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moja ou Léo do Moinho, apontado como chefe do tráfico na Favela do Moinho, na região central de São Paulo, e preso em 2024 durante a Operação Salus et Dignitas.
De acordo com os promotores, a apuração ganhou força após a obtenção de áudios gravados por um integrante do chamado “tribunal do crime”, nos quais membros da facção detalhavam históricos criminais, regras internas e conexões dentro da organização. Planilhas financeiras e registros também indicaram supostas relações entre investigados e oficiais de alta patente da Polícia Militar paulista, que seriam utilizadas para garantir proteção e apoio estratégico.
O Ministério Público ainda identificou a atuação do grupo em conflitos privados, incluindo disputas envolvendo imóveis de luxo na Riviera de São Lourenço. Segundo a investigação, integrantes ligados a Léo do Moja teriam atuado em favor do empresário Cléber Azevedo dos Santos, reforçando a relação entre o braço financeiro da facção e agentes externos que buscavam serviços da organização criminosa.

















