Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Julho Verde chama atenção para diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço

publicidade

Campanha nacional reforça prevenção, amplia debate sobre sinais silenciosos da doença e evidencia desafios no acesso ao tratamento em Mato Grosso

 

 

 

O câncer de cabeça e pescoço permanece como um dos principais desafios da oncologia no Brasil, especialmente pela dificuldade de diagnóstico precoce e pela alta incidência de casos identificados já em estágio avançado. Apesar dos avanços da medicina e da ampliação das campanhas de conscientização, o diagnóstico ainda chega tarde à grande parte dos pacientes, comprometendo diretamente as chances de cura e aumentando o impacto funcional, estético e emocional do tratamento.

 

Durante o Julho Verde, o cirurgião de cabeça e pescoço Erik Bustamante chama atenção para os sinais de alerta, fatores de risco e as dificuldades enfrentadas no atendimento, sobretudo em Mato Grosso, onde as distâncias entre municípios e a concentração de serviços especializados na capital ainda representam barreiras importantes.

 

O Julho Verde foi instituído em 2015 pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), em referência ao Dia Mundial de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, celebrado em 27 de julho. A campanha surgiu com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a prevenção, diagnóstico precoce e fatores de risco relacionados à doença. Mais do que uma ação pontual, o movimento se consolidou como uma estratégia permanente de educação em saúde, envolvendo profissionais de diversas áreas, instituições médicas e ações públicas de conscientização em todo o país.

 

A proposta central é reforçar que o câncer de cabeça e pescoço pode ser tratado com maior sucesso quando identificado precocemente. “Tem como principal objetivo conscientizar a população sobre a prevenção e o diagnóstico precoce”, destaca o cirurgião Erik Bustamante.

 

Mesmo com campanhas de alerta, o diagnóstico tardio ainda é uma realidade frequente no Brasil. Em grande parte dos casos, o paciente procura atendimento apenas quando os sintomas já estão mais evidentes, o que geralmente indica estágio avançado da doença. Esse cenário é ainda mais preocupante em estados de grande extensão territorial, como Mato Grosso. As longas distâncias entre municípios e a concentração dos serviços especializados em Cuiabá fazem com que o acesso ao diagnóstico seja mais demorado.

 

 

“O paciente muitas vezes precisa sair do interior para chegar até Cuiabá para diagnóstico e tratamento”, explica o médico.

 

Além disso, a ausência de profissionais especializados em algumas regiões dificulta a identificação precoce dos casos, aumentando o risco de evolução da doença. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra cerca de 40 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano.

 

A doença engloba tumores em regiões como cavidade oral, língua, garganta, laringe, tireoide e estruturas relacionadas à respiração e à alimentação. Entre os principais tipos estão o câncer de cavidade oral, o câncer de orofaringe, o câncer de laringe, o câncer de tireoide e os cânceres de pele na região da cabeça e pescoço.

Leia Também:  Rueda esteve em reunião com chefe de esquema do PCC que negociava venda de empresa de gás

 

Especialistas alertam que a combinação de fatores de risco, estilo de vida e a falta de diagnóstico precoce contribui para o aumento da incidência desses casos no país. Um dos principais objetivos do Julho Verde é orientar a população sobre os sinais iniciais da doença. O problema, segundo especialistas, é que muitas vezes esses sinais são confundidos com condições simples e acabam sendo negligenciados, o que atrasa a busca por atendimento médico.

 

Entre os principais sintomas de alerta estão feridas na boca, língua ou gengiva que não cicatrizam em até 15 dias, sensação persistente de corpo estranho na garganta, rouquidão que não melhora ou perda progressiva da voz, dificuldade ou dor para engolir, presença de nódulos no pescoço e lesões de pele com crescimento progressivo.

 

“Muitas vezes o paciente acredita que é algo simples, mas pode ser um sinal importante de câncer em estágio inicial”, alerta o especialista. Um dos maiores desafios no diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço é o seu comportamento silencioso nas fases iniciais. Em muitos casos, não há dor ou sintomas intensos, o que faz com que o paciente não perceba a gravidade da situação.

 

 

 

“Algumas lesões são insidiosas e o paciente só procura ajuda quando já estão mais avançadas”, explica Bustamante.

 

Essa característica reforça a importância do autoexame e da atenção contínua a qualquer alteração persistente na região da boca e do pescoço.

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para a maioria dos cânceres de cabeça e pescoço. Quando associado ao consumo de álcool, o risco aumenta de forma significativa.

“Quando o tabagismo é associado ao álcool, o risco aumenta muito mais”, afirma o médico.

 

Além disso, outros fatores também são relevantes no desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço, contribuindo para o aumento do risco e para a incidência da doença na população. Entre eles está a infecção pelo HPV, especialmente associada aos casos de câncer de orofaringe, que tem apresentado crescimento e atenção crescente dos especialistas.

 

Outro fator importante é a exposição solar excessiva, diretamente relacionada ao surgimento de câncer de pele e de lábio, sobretudo em regiões com alta incidência de radiação solar ao longo do ano. Também entram nesse grupo a má higiene bucal e as condições ambientais e ocupacionais, que podem potencializar a exposição a agentes cancerígenos.

 

A combinação desses fatores de risco amplia significativamente as chances de desenvolvimento da doença, especialmente quando associada ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool.

Leia Também:  Saiba como combater a violência silenciosa nas empresas

 

O câncer de cabeça e pescoço afeta funções essenciais do corpo humano, como fala, respiração e alimentação. Isso significa que, além do impacto físico, a doença também compromete diretamente a qualidade de vida. Quando diagnosticado precocemente, o tratamento pode ser mais conservador, preservando funções importantes. Já em estágios avançados, o tratamento tende a ser mais agressivo, com maior risco de sequelas permanentes.

“As doenças de cabeça e pescoço impactam fala, respiração e alimentação, o que afeta diretamente a qualidade de vida”, destaca o especialista.

 

Por atingir regiões visíveis do corpo, o câncer de cabeça e pescoço também gera forte impacto emocional e social. Alterações na fala, na aparência e na capacidade de alimentação podem interferir na autoestima e na convivência social do paciente. Em muitos casos, o processo de reabilitação envolve equipes multidisciplinares, incluindo fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas.

O tratamento varia de acordo com o estágio da doença e pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Em alguns casos, é necessário um acompanhamento prolongado devido ao risco de recidiva. O monitoramento regular é fundamental para identificar precocemente possíveis novas lesões e garantir melhores resultados terapêuticos.

 

Para o especialista, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz no enfrentamento do câncer de cabeça e pescoço. Entre as principais medidas recomendadas estão a interrupção do tabagismo, a redução ou abandono do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a manutenção da vacinação contra o HPV em dia, o uso regular de proteção solar e a prática atenta do autoexame. Essas condutas são consideradas fundamentais para a diminuição dos fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença.

 

 

A adoção de hábitos de vida mais saudáveis, associada à vigilância contínua de alterações no corpo, integra o conjunto de orientações preventivas destacadas por especialistas. De acordo com a avaliação médica, a prevenção segue como o caminho mais eficaz para reduzir a incidência dos casos e favorecer o diagnóstico em fases iniciais.

 

“O diagnóstico precoce é fundamental para salvar vidas”, reforça.

 

O Julho Verde reforça a necessidade de atenção permanente aos sinais do corpo e de fortalecimento das políticas de prevenção e diagnóstico precoce. Em um cenário no qual o diagnóstico tardio ainda é frequente, a informação se torna a principal ferramenta para transformar o desfecho da doença. Mais do que uma campanha, o movimento representa um alerta contínuo: quanto mais cedo o câncer de cabeça e pescoço é identificado, maiores são as chances de cura e menores os impactos para o paciente — um desafio que exige envolvimento da sociedade, profissionais de saúde e do poder público.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade