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Infância em Transformação: brincadeiras de ontem e de hoje

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Lembro-me muito bem da minha infância e das brincadeiras daquela época — tão diferentes das de hoje. Naquele tempo, tudo parecia mais divertido, saudável e natural. Brincávamos na lama, nos sujávamos sem medo, e a sujeira era símbolo de alegria. Hoje, as crianças só aparecem sujas nas propagandas de sabão em pó. Naquele tempo, minha mãe lavava nossas roupas com sabão caseiro, feito por ela mesma com sebo, abacate e soda. Quando eu me arranhava, meu pai tratava o ferimento com pimenta e sal — hoje, as crianças têm medo até do mertiolate incolor.

 

Uma das minhas brincadeiras preferidas era subir em uma grande moita de bambu e me jogar no rio. Também gostava de procurar peixes nas locas das pedras e pescá-los com as mãos. Descer barrancos usando um couro de boi era o nosso escorregador. Andar a cavalo e conduzir carros de boi com até oito parelhas era uma aventura. Esses bois eram treinados na fazenda desde bezerros. Lembro-me ainda das corridas de cavalo, das festas folclóricas com carros de bois, tropas e boiadas — tradições que passavam de pai para filho.

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Meu pai também amarrava uma corda em um grande pneu de carreta, e os cavalos nos puxavam — era pura diversão. No curral, brincávamos de laçar bezerros ou apartá-los das vacas, ajudando na ordenha do dia seguinte. Corríamos atrás de porcos, galinhas, patos, perus e ovelhas. Fazíamos arapucas para pegar passarinhos e caçávamos com estilingue ou funda.

 

Ajudava meus pais a preparar pamonha e curau com o milho verde colhido na roça. Comíamos milho assado ou cozido, andávamos de canoa feita pelo meu pai e passávamos horas pescando. Fritar lambaris, pegar traíras ou rãs com fisga de três pontas era motivo de festa. Também soltávamos pipa, andávamos de bicicleta e brincávamos com carrinhos de rolimã.

 

Hoje, tudo é diferente. As crianças passam a maior parte do tempo entre quatro paredes, sob o ar-condicionado, gastando energia apenas em frente ao celular ou ao computador. Muitas delas passam mais de quinze horas por dia conectadas. Essas “brincadeiras modernas” nem sempre são saudáveis — e, às vezes, escondem perigos que os pais desconhecem. Quando percebem, os filhos já estão imersos em jogos inadequados ou em conversas com pessoas mal-intencionadas.

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Por isso, deixo um recado aos pais: cuidem mais de seus filhos. Ofereçam presentes que estimulem o movimento e a convivência — bicicletas, bolas, patins. Incentivem brincadeiras ao ar livre, o contato com a natureza e a alegria simples de ser criança. Esse é o caminho mais bonito.

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