A indústria brasileira de café solúvel participará de uma audiência pública nos Estados Unidos, em 6 de julho, para tentar impedir a aplicação de novas tarifas sobre o produto. O setor afirma que o café solúvel foi o único tipo de café brasileiro excluído da lista de isenções propostas pelo governo de Donald Trump.
Representada pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), a indústria entregará um documento às autoridades americanas até 1º de julho e também fará defesa presencial em Washington. Segundo o diretor-executivo da entidade, Aguinaldo Lima, a exclusão do produto pode ter ocorrido por erro na classificação tarifária ou por uma tentativa dos EUA de fortalecer a própria indústria de café solúvel.
Entre os principais argumentos que serão apresentados está o impacto da medida sobre os consumidores americanos. Dados citados pela Abics indicam que os Estados Unidos produzem apenas 6% do café solúvel que consomem, enquanto o Brasil respondeu por 37% das importações do produto em 2024. Além disso, a inflação do café solúvel no país já acumula alta de 24% nos últimos 12 meses.
O setor também lembra que o café solúvel brasileiro enfrentou uma tarifa de 50% entre agosto de 2025 e fevereiro deste ano, o que provocou forte queda nas exportações. Posteriormente, a sobretaxa foi derrubada pelo Congresso americano, mas o produto continuou sujeito a uma tarifa global de 10%.
Segundo a Abics, caso as novas medidas propostas por Trump sejam confirmadas, a tributação total sobre o café solúvel brasileiro poderá chegar a 37,5% no mercado americano. A entidade avalia que a medida prejudicaria tanto a indústria exportadora brasileira quanto consumidores e empresas dos Estados Unidos que dependem do produto importado.

















