Os Estados Unidos e a Rússia passaram a não ter mais limites para a produção e o posicionamento de ogivas nucleares após o vencimento do tratado New START, nesta quarta-feira (4). O acordo, assinado em 2010, era o último mecanismo de controle nuclear entre as duas maiores potências atômicas do mundo e, segundo especialistas ouvidos pelo g1, seu fim inaugura um cenário inédito e perigoso no pós-Guerra Fria.
O New START limitava a até 1.550 o número de ogivas nucleares prontas para uso por cada país, além de impor regras de transparência, inspeções e comunicação prévia sobre movimentação e lançamento de armamentos. Para analistas, o tratado funcionava como um “freio institucional” da corrida armamentista, reduzindo riscos de escalada nuclear e garantindo um mínimo de previsibilidade estratégica entre Washington e Moscou.
O fim do acordo ocorre em meio à rápida expansão do arsenal nuclear da China, apontada como fator central para a decisão dos EUA de não renovar o tratado. Especialistas avaliam que o mundo entra agora em uma “3ª era nuclear”, marcada pela competição direta entre EUA, Rússia e China, pela desconfiança mútua e pelo enfraquecimento da lógica de não proliferação que predominava desde o fim da Guerra Fria.
Nesse novo contexto, cresce o risco de proliferação global de armas nucleares, com países que hoje não possuem ogivas passando a considerar essa possibilidade. Para pesquisadores, o principal temor é que o aumento dos arsenais, aliado a novas tecnologias como mísseis hipersônicos e inteligência artificial, reduza o tempo de decisão humana e amplie drasticamente o risco de um conflito nuclear de grandes proporções.


















