No silêncio da dor invisível, milhares de pessoas tentam viver normalmente enquanto o corpo pede socorro. A fibromialgia não deixa marcas aparentes, mas impacta profundamente a rotina, o trabalho, o sono, as relações e a saúde emocional de quem convive com ela. Neste 12 de maio, Dia Mundial de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, precisamos falar sobre acolhimento, respeito e políticas públicas que garantam dignidade a esses pacientes.
Durante muito tempo, pessoas com fibromialgia enfrentaram não apenas a dor física, mas também o preconceito e a desconfiança. Quantos pacientes já ouviram que era “exagero”, “coisa da cabeça” ou “frescura”? Quantos precisaram manter suas rotinas mesmo sem forças, sem diagnóstico e sem apoio? A fibromialgia é uma síndrome séria, reconhecida pela medicina, que provoca dores crônicas generalizadas, fadiga intensa, distúrbios do sono, alterações de humor e dificuldades cognitivas. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), cerca de 3% da população brasileira convive com a doença, sendo a maioria mulheres entre 30 e 50 anos.
Por isso, é fundamental transformar a conscientização em políticas públicas efetivas e acessíveis. Em Cuiabá, demos um passo importante com a aprovação da lei de minha autoria que institui a Política Pública Municipal de Proteção dos Direitos da Pessoa com Síndrome de Fibromialgia. A legislação fortalece a atenção primária à saúde e busca garantir o diagnóstico correto, o cuidado integral e o atendimento multidisciplinar para os pacientes.
A política também prevê campanhas de conscientização, capacitação de profissionais de saúde, combate ao preconceito, estímulo à inclusão no mercado de trabalho e ações voltadas à qualidade de vida dos pacientes. É uma construção necessária para que esses pacientes deixem de ser invisíveis diante do sistema de saúde e da sociedade.
A aprovação dessa lei acompanha avanços nacionais importantes, como a regulamentação do tratamento da fibromialgia no Sistema Único de Saúde (SUS) e o reconhecimento da síndrome, para efeitos legais, como deficiência, garantindo acesso a políticas públicas específicas. Mas sabemos que ainda há muito a fazer. A existência da lei é o começo. O verdadeiro desafio é garantir que ela saia do papel e chegue à vida de quem precisa, fortalecendo a rede de atendimento, ampliando o acesso a especialistas e oferecendo suporte multidisciplinar e humanizado.
Ninguém deve precisar provar diariamente que sente dor para ter seus direitos respeitados. Conscientizar é também ouvir, acolher e reconhecer. É entender que nem toda dor é visível, mas toda dor merece cuidado. Neste dia, deixo meu respeito e minha solidariedade a todas as pessoas que convivem com a síndrome. Seguiremos trabalhando para construir uma Cuiabá mais humana, inclusiva e comprometida com a dignidade de cada cidadão.
Katiuscia Manteli é jornalista e vereadora em Cuiabá (Podemos)
















