Enviar produtos brasileiros para um país intermediário e, de lá, exportá-los para os Estados Unidos não é uma saída legal para evitar a tarifa de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump sobre diversas mercadorias, segundo especialistas em comércio exterior.
A prática, conhecida como triangulação, é proibida pela legislação americana, por normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e por um decreto assinado por Trump em 31 de julho. Empresas flagradas utilizando o artifício podem ser penalizadas com o pagamento da tarifa original, uma taxa extra de 40% e outras sanções.
Como o importador norte-americano é o responsável por recolher a sobretaxa, poucos estariam dispostos a assumir o risco. A única forma de viabilizar a entrada do produto com uma nova origem reconhecida pelos EUA é alterar substancialmente o processo produtivo, de forma que a mercadoria seja considerada fabricada no país intermediário. Essa mudança, no entanto, envolve altos custos e análises caso a caso pela alfândega americana.
Alguns setores possuem mais flexibilidade. No caso da carne bovina, por exemplo, o abate e processamento de animais vivos em outro país podem garantir nova origem ao produto. Grandes frigoríficos brasileiros, como JBS, Marfrig e Minerva, contam com plantas no Uruguai, Argentina, Paraguai e Austrália, o que reduz o impacto da tarifa. Já o setor cafeeiro tende a depender mais de parceiros estrangeiros, como torrefadoras na Alemanha, para agregar valor e reexportar aos EUA.
Na prática, especialistas afirmam que escapar legalmente do tarifaço exigirá investimento real na cadeia produtiva fora do Brasil, e não apenas mudanças no endereço de exportação.















