Os Estados Unidos encerraram nesta quarta-feira (30) a missão militar no Iraque, mais de duas décadas após a invasão que derrubou Saddam Hussein. A retirada das últimas tropas, principalmente de uma base aérea em Erbil, na região autônoma do Curdistão, ocorre em meio a preocupações sobre um possível vácuo de segurança e o risco de fortalecimento de milícias xiitas apoiadas pelo Irã e de reorganização do Estado Islâmico.
O fim da missão da coalizão, definida em acordo de 2024 durante o governo de Joe Biden e executada na gestão de Donald Trump, encerra a chamada “Operação Resolução Inerente”. O Pentágono informou que continuará oferecendo treinamento específico e apoio de inteligência às forças iraquianas. A presença militar havia sido encerrada inicialmente em 2011, mas os EUA retornaram ao país em 2014, após o avanço do Estado Islâmico sobre parte do território.
A guerra iniciada em 2003 deixou mais de 4.500 militares americanos mortos, segundo os dados apresentados no balanço, além de mais de 200 mil civis iraquianos mortos de acordo com o projeto Iraq Body Count. Desde a queda de Saddam, o Irã ampliou sua influência no Iraque por meio de grupos aliados. A saída das tropas americanas, por isso, é vista de forma distinta entre os iraquianos, entre a comemoração pelo fim da presença estrangeira e o receio de instabilidade.
“O fim da missão da coalizão internacional não significa o fim de nossa batalha contra o terrorismo, mas sim a transição do Iraque para uma fase em que o país assume total responsabilidade por sua segurança e estabilidade”, afirmou o primeiro-ministro iraquiano Ali Faleh al-Zaidi. Analistas e moradores, porém, alertam para a permanência de milícias e de remanescentes do Estado Islâmico. “As milícias ainda operam fora do controle do Estado e o Estado Islâmico ainda não desapareceu”, disse o professor Adil Salman.


















