Um estudo publicado no Journal of Neurology apontou redução na gravidade dos sintomas da síndrome das pernas inquietas após o uso de uma combinação de THC e CBD. A pesquisa, conduzida por neurologistas do Hospital Universitário de Getafe, na Espanha, acompanhou 18 pacientes durante três meses e indicou melhora consistente, embora os autores ressaltem a necessidade de estudos maiores para confirmar os resultados.
A síndrome provoca uma necessidade intensa de movimentar as pernas, geralmente acompanhada de sensações desconfortáveis que tendem a piorar durante o repouso e à noite, afetando o sono e a rotina dos pacientes. No estudo, 16 dos 18 participantes também tinham esclerose múltipla e receberam uma formulação com THC e CBD, com possibilidade de ajuste da dose após quatro semanas.
A médica Mariana Maciel, da biotech canadense Thronus Medical, afirmou que os resultados devem ser interpretados com cautela. “O principal mérito deste estudo não é apenas a melhora observada, mas o fato de ele estimular novas pesquisas sobre um sintoma para o qual muitos pacientes ainda têm poucas opções terapêuticas. Mas é preciso interpretar esses dados com cautela. Estamos falando de um estudo pequeno, sem grupo placebo e com participantes bastante específicos. Ele abre um caminho para novas pesquisas, mas ainda não muda a prática clínica”, afirma.
Além dos estudos clínicos, empresas do setor investigam formas de aumentar a eficiência da cannabis medicinal por meio da nanotecnologia. A Thronus Medical afirma que sua tecnologia Power Nano™ reduz as partículas de cannabis a cerca de 17 nanômetros e busca favorecer a absorção dos princípios ativos. A médica ressalta, porém, que a resposta aos canabinoides varia entre os pacientes e que a definição da formulação e da dose deve ocorrer com acompanhamento médico. “Não existe uma dose única que funcione para todos”, diz.



















