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SOBRETUDO

Esperidião Amin está cometendo um erro político ou enxergando uma eleição que ninguém mais consegue ver?

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Poucos políticos catarinenses conhecem tão profundamente o eleitorado do Estado quanto o senador Esperidião Amin.

 

Depois de mais de cinco décadas de vida pública, Amin já venceu eleições improváveis, sobreviveu a derrotas que pareciam definitivas e participou de praticamente todos os grandes ciclos políticos catarinenses desde os anos 1970.

 

Por isso, quando ele toma uma decisão que contraria boa parte das análises políticas do momento, a pergunta surge naturalmente: Ele está cometendo um erro estratégico ou está enxergando algo que o restante da classe política ainda não percebeu?

 

Essa é a discussão que começa a ganhar força dentro do próprio Progressistas.

 

Os números contam uma história difícil para Amin

 

Se a pesquisa Verità estiver capturando corretamente o cenário atual, o senador enfrenta hoje o ambiente mais desafiador de toda sua trajetória recente.

 

Enquanto o governador Jorginho Mello aparece com 68,1% dos votos válidos para o governo, os dois nomes associados ao projeto governista lideram com folga a disputa ao Senado.

 

Carlos Bolsonaro surge com 58,7%.

 

Caroline De Toni aparece com 55,7%.

 

Já Amin registra 27,6%.

 

O problema não é apenas a distância. É a lógica política por trás desses números.

 

Hoje existe uma transferência quase automática da força eleitoral de Jorginho para os candidatos identificados com seu projeto político.

 

E Amin está fora dessa corrente.

 

A estratégia tradicional recomendaria outro caminho

 

Se um analista político observasse apenas os números friamente, provavelmente chegaria a uma conclusão simples.

 

O melhor cenário para Amin seria permanecer independente.

 

Nem Jorginho. Nem João. Apenas Amin.

 

Por quê?

 

Porque o senador possui algo que poucos candidatos ao Senado possuem.

 

Patrimônio político próprio.

 

Ele não depende de um governador para ser conhecido.

 

Não depende de um partido para existir eleitoralmente.

 

Não depende de uma onda ideológica para construir identidade.

 

Sua marca política foi construída ao longo de décadas.

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Uma candidatura independente permitiria dialogar simultaneamente com: eleitores de direita; eleitores moderados; setores municipalistas;

e parte do eleitorado tradicional do Progressistas.

 

Hoje, ao se alinhar ao projeto de João Rodrigues, Amin restringe parte desse espaço.

 

O problema não está em João. Está na matemática eleitoral

 

Muitos interpretam essa discussão como um julgamento sobre João Rodrigues.

 

Não é. O problema é matemático.

 

Toda eleição possui um campo gravitacional. E hoje esse campo é ocupado por Jorginho Mello.

 

Quando o governador aparece próximo de 70% dos votos válidos, qualquer candidatura ao Senado que esteja fora do seu entorno passa a enfrentar uma dificuldade objetiva.

 

Precisa convencer o eleitor a fazer uma divisão de voto.

 

Na prática, o eleitor precisaria dizer: “Vou votar em Jorginho para governador, mas não votarei nos candidatos ao Senado apoiados por ele.”

 

Isso acontece?

 

Claro que acontece.

 

Mas não costuma acontecer em larga escala quando existe forte alinhamento político entre governador e candidatos ao Senado.

 

O Progressistas está confortável com essa estratégia?

 

Talvez esteja aqui a principal questão.

 

Nos bastidores do Progressistas, cresce a percepção de que parte importante dos prefeitos, vereadores e pré-candidatos vive uma situação desconfortável.

 

A executiva estadual já sinalizou apoio ao projeto de reeleição de Jorginho.

 

Grande parte das bases municipais mantém relação próxima com o governo.

 

Diversos pré-candidatos trabalham em regiões onde o governador apresenta índices elevados de aprovação.

 

Nesse ambiente, defender uma estratégia completamente diferente daquela adotada pela maioria das bases torna-se mais difícil.

 

Não por divergência ideológica. Por sobrevivência eleitoral.

 

Mas existe uma hipótese alternativa

 

E se Amin estiver certo?

 

É aqui que a análise precisa ser honesta.

 

Existe uma possibilidade que muitos adversários ignoram.

 

Amin talvez esteja apostando que a eleição de 2026 não será parecida com a fotografia atual.

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Talvez ele acredite que haverá segundo turno.

 

Talvez aposte em desgaste natural do governo. Talvez enxergue crescimento consistente de João Rodrigues. Talvez espere uma reorganização completa do cenário quando a campanha começar.

 

Se esse for o cálculo, sua estratégia passa a fazer sentido.

 

Porque, em caso de segundo turno competitivo, a chapa oposicionista ganharia musculatura e a disputa ao Senado seria reaberta.

 

O problema é que, neste momento, as pesquisas não mostram esse cenário.

 

Mostram exatamente o contrário.

 

O risco de apostar contra a maré

 

Toda grande liderança política enfrenta um momento em que precisa decidir entre seguir a corrente ou tentar mudá-la.

 

Amin escolheu a segunda opção. O risco é evidente.

 

Se João não crescer de forma significativa, o senador corre o risco de ficar isolado entre dois movimentos: de um lado, um governo forte; do outro, um partido cujas bases municipais demonstram cada vez mais proximidade com o Palácio Barriga Verde.

 

Nesse cenário, ele passaria a depender quase exclusivamente do próprio capital político.

 

E mesmo líderes históricos possuem limites eleitorais.

 

PONTO DE VISTA

 

A estratégia de Esperidião Amin não é irracional.

 

Mas hoje ela parece construída muito mais sobre uma expectativa de mudança de cenário do que sobre a fotografia atual da política catarinense.

 

Se a eleição fosse realizada hoje, os números sugerem que uma posição mais independente talvez oferecesse ao senador mais espaço político, menos desgaste interno e maior capacidade de dialogar com diferentes setores do eleitorado.

 

Mas Amin nunca foi um político conhecido por seguir o caminho mais confortável.

 

A questão que começa a surgir nos bastidores não é se ele tem experiência para fazer essa aposta.

 

É se a eleição que ele enxerga para outubro de 2026 realmente existe.

 

Porque, até aqui, as pesquisas mostram um cenário.

 

E o senador parece estar apostando em outro.

 

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