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SOBRETUDO

Os partidos assumem o comando da eleição

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Por muito tempo, a política catarinense foi analisada a partir dos nomes. Quem liderava pesquisas. Quem aparecia mais. Quem tinha mais força eleitoral.

 

Mas os bastidores desta primeira semana de junho mostram que a disputa de 2026 começa a entrar em uma nova fase.

 

A fase dos partidos.

 

Se até aqui as atenções estavam concentradas em Jorginho Mello e João Rodrigues, agora a movimentação mais intensa acontece em outro lugar. Nas executivas partidárias, nas conversas regionais, nos encontros reservados entre prefeitos e nas negociações que começam a desenhar o mapa das alianças.

 

E é justamente nesse ponto que o jogo se torna mais complexo.

 

O MDB redescobre sua força

 

Nenhuma legenda simboliza melhor esse momento do que o MDB.

 

Depois de anos convivendo com divisões internas e perda de protagonismo, o partido voltou a ocupar uma posição central no tabuleiro político catarinense.

 

O motivo não está apenas no número de prefeitos, vereadores ou lideranças espalhadas pelo estado.

 

Está na capacidade de influenciar qualquer projeto competitivo para 2026.

 

Hoje, tanto governistas quanto oposicionistas sabem que ignorar o MDB pode significar abrir mão de uma parcela importante da estrutura política catarinense.

 

Por isso, o partido passou a ser cortejado por todos.

 

E quanto mais disputado se torna, maior passa a ser seu poder de negociação.

 

O desafio de Jorginho não é vencer. É manter todos juntos

 

O governador chega ao segundo semestre ainda como favorito natural da disputa.

 

As agendas pelo interior continuam produzindo resultados políticos. As entregas de governo alimentam uma narrativa positiva. E a máquina administrativa oferece uma vantagem que nenhum adversário possui.

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Mas existe um problema clássico enfrentado por quase todos os governadores que disputam a reeleição.

 

A administração das expectativas.

 

Quanto mais forte parece uma candidatura, mais lideranças querem participar dela.

 

Quanto mais lideranças participam, maior se torna a disputa por espaços.

 

Vice-governadoria, Senado, nominatas, secretarias, coordenações regionais e futuras posições de poder passam a ser objeto de negociação.

 

E é justamente aí que surgem os maiores riscos.

 

Não porque exista uma crise.

 

Mas porque nenhum projeto consegue acomodar todos os interesses ao mesmo tempo.

 

João Rodrigues aposta no desgaste silencioso

 

Enquanto isso, João Rodrigues segue construindo uma estratégia que chama atenção pela paciência.

 

Em vez de antecipar uma campanha aberta, o prefeito de Chapecó trabalha para consolidar relações políticas e observar os movimentos dos adversários.

 

Nos bastidores, existe a percepção de que a oposição não precisa acelerar.

 

Precisa apenas estar preparada para aproveitar eventuais insatisfações que possam surgir ao longo do processo de montagem das alianças.

 

É uma estratégia menos ruidosa, mas potencialmente eficiente.

 

Porque muitas eleições não são definidas apenas pela capacidade de conquistar apoios.

 

São definidas pela capacidade de absorver descontentamentos.

 

Progressistas e União Brasil mantêm o poder de decisão

 

Outro aspecto relevante é a postura adotada pelo Progressistas e pelo União Brasil.

 

Nenhum dos dois partidos demonstra pressa para encerrar discussões.

 

E isso não acontece por acaso.

 

Em política, quem decide cedo perde capacidade de negociação.

 

Quem mantém opções abertas amplia seu valor estratégico.

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Por isso, ambas as legendas continuam observando o cenário com cautela, avaliando qual projeto oferecerá mais espaço político, maior competitividade eleitoral e melhores condições de crescimento para suas lideranças.

 

A disputa real acontece longe das pesquisas

 

Existe uma tendência natural de acompanhar a política apenas pelas pesquisas eleitorais.

 

Mas, neste momento, elas contam apenas parte da história.

 

A verdadeira disputa está acontecendo em outro lugar.

 

Ela acontece nas conversas entre prefeitos. Nas articulações das executivas estaduais. Nos movimentos silenciosos das lideranças regionais. Nas avaliações internas sobre quem terá mais condições de construir uma maioria política sólida.

 

Porque a eleição de 2026 dificilmente será decidida apenas pela popularidade dos candidatos.

 

Ela será influenciada pela capacidade de montar uma rede de apoio capaz de sustentar uma campanha em todas as regiões do estado.

 

O jogo mudou

 

A principal mudança observada nos bastidores catarinenses é justamente essa.

 

A discussão deixou de ser apenas sobre quem será candidato.

 

Passou a ser sobre quem conseguirá construir o maior e mais estável campo político.

 

Enquanto o governo ocupa as ruas com entregas e agendas institucionais, a oposição organiza seu tabuleiro. Enquanto os candidatos observam pesquisas, os partidos calculam espaços.

 

E talvez seja exatamente aí que esteja a chave da próxima eleição.

 

Porque, em Santa Catarina, os governadores são eleitos nas urnas.

 

Mas as vitórias começam a ser construídas muito antes delas.

 

Nos bastidores.

 

E, neste momento, são os partidos que estão assumindo o comando do jogo.

 

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