“Ninguém é candidato se não tiver vontade de ser”, diz presidente do PT sobre futuro de Haddad em 2026
Em coletiva na Câmara, o ex-prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, também defendeu a investigação do Banco Master, elogiou Hugo Motta e afirmou que Alckmin “disputará o cargo que quiser”.
Por Humberto Azevedo
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou, em entrevista coletiva no último dia 11 de fevereiro, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é “o principal ministro do governo Lula” e uma liderança com cacife para “disputar qualquer cargo eletivo no Brasil”, mas reiterou que a decisão sobre ele concorrer ao governo de São Paulo ou ao Senado em 2026 é pessoal e será respeitada pelo partido.
Silva visitou a liderança do PT na Câmara em razão dos 46 anos de fundação da legenda. Na oportunidade, ele saiu em defesa da CPI do Banco Master, elogiou a postura do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em relação à pauta da redução da jornada de trabalho, e afirmou que o vice-presidente Geraldo Alckmin “disputará o cargo que ele quiser” nas eleições de outubro deste ano.
“O ministro Fernando Haddad é o principal ministro do governo do presidente Lula. Nós reconhecemos isso. Ele é uma liderança que pode disputar qualquer cargo eletivo no Brasil. Só que ele é de São Paulo, não é? Então é evidente que quando se discute o palanque de São Paulo, o nome dele é lembrado com muita força”, declarou Edinho.
“Ninguém é candidato se não tiver vontade de ser, se não tiver convencido de ser. Nós estamos dialogando muito com o ministro Fernando Haddad para que ele possa avaliar o que representa as eleições de 2026 e fazer a opção que ele achar melhor, mas nós vamos respeitá-la porque ele é uma liderança fundamental para a construção do nosso projeto de Brasil”, complementou.
ALIANÇA PRESIDENCIAL

Questionado sobre a composição da chapa presidencial, Edinho Silva defendeu a manutenção da aliança com partidos como MDB e PSD e reafirmou o prestígio do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), destacando que o ex-tucano é tratado com “muito carinho” pela militância petista.
O dirigente partidário minimizou qualquer debate sobre substituição na vice, afirmando que Alckmin tem autonomia para definir seu futuro político e que o PT buscará naturalmente o apoio das siglas que já integram a base do governo Lula.
“O vice-presidente Geraldo Alckmin é muito respeitado por todos nós. Em Salvador, ele só não foi mais aplaudido que o presidente Lula, evidentemente. É uma manifestação de carinho que o PT tem por ele, e eu tenho dito que o vice-presidente disputará o cargo que ele quiser nas eleições de 2026, porque nós o respeitamos e temos por ele muito carinho”, comentou.
“Todos os partidos que hoje compõem o governo do presidente Lula é natural que o PT os procure para debater a continuidade desse governo. Isso é natural, é um momento natural da construção da nossa política de aliança”, completou.
CPI DO BANCO MASTER
Edinho Silva elogiou ainda a bancada do PT por ter assinado o requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master e defendeu que as investigações sobre o sistema financeiro ocorram sem “partidarização”, com o objetivo de preservar a credibilidade do setor.
O presidente do PT afirmou também que o partido é contra transformar investigações em “instrumento de luta política”, mas considera positivo apurar denúncias para que o sistema bancário brasileiro, que disse ser “um dos mais respeitados do mundo”, mantenha sua confiabilidade.
“O que nós somos contra é a politização das investigações, a partidarização das investigações, transformar investigações em instrumentos de luta política. Isso é que não pode acontecer. Agora, investigar e preservar as instituições, eu acho que isso tem que ser adotado com naturalidade”, observou.
“Nós estamos diante de uma denúncia grave, que afeta o sistema financeiro brasileiro. Nós investigarmos denúncias para que ele continue tendo credibilidade, isso é positivo, isso não é negativo. O PT vai continuar defendendo que as investigações sejam feitas em relação ao Banco Master, ou qualquer outro fato que exija investigação”, emendou.
ÍNTEGRA DA ENTREVISTA
Durante a entrevista, Edinho Silva também abordou a articulação para as eleições de 2026 em estados estratégicos como Minas Gerais, Paraíba, Pará, Amazonas e Maranhão, defendeu a redução da jornada de trabalho como um “debate urgente” e afirmou que o partido investirá na eleição de representantes dos povos indígenas.
O dirigente petista evitou definir nomes ou preferências em cenários de divisão local, como no Maranhão e na Paraíba, e pregou unidade do campo democrático para fortalecer a votação de Lula e ampliar as bancadas do partido.
“Nós queremos construir um nome que unifique o nosso campo no Maranhão, para que a gente não só eleja governador ou governadora, mas que a gente eleja senadores e que a nossa bancada federal cresça. O presidente Lula tem por volta de 80% dos votos no Maranhão. Nós queremos que essa votação represente um avanço no campo democrático”, defendeu.
“O debate da redução da jornada de trabalho é um debate global. Nós produzimos mais com menos força de trabalho. Se nós não enfrentarmos esse debate, para continuar produzindo e gerando empregos, nós estaremos totalmente fora da realidade. Não é simples, é um debate transformador, mas é urgente”, finalizou.
Imprensa: O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que não pretende pautar a revisão da autonomia do Banco Central e o novo líder do PT defendeu uma autonomia relativa para o Banco Central, sobretudo por conta da investigação do Banco Master. Como é que o senhor avalia a postura do Mota de não pautar esse tema, e como o PT vai lidar aqui para frente com essa pauta?

Edinho Silva: Primeiro, eu quero dar os parabéns à nossa bancada, por ter se posicionado a favor da CPI e das investigações que envolvem o Banco Master. Eu tenho muito orgulho da nossa bancada, porque nós queremos, além de apurar, se tivermos malfeitos, crimes, nós também queremos proteger o sistema financeiro brasileiro, que é um dos mais respeitados no mundo. O Brasil tem um sistema financeiro que é reconhecido, que é respeitado, que tem credibilidade, por isso que nós atraímos tantos investimentos, por isso que os investidores internacionais acreditam no Brasil e não têm medo de pôr seus recursos aqui. Então, uma investigação que mantenha essa credibilidade é muito importante. Todos os temas estruturantes, são temas de transformação, de mudança organizativa, eles têm que ser debatidos pelo Congresso Nacional. O Congresso Nacional não pode estar interditado a fazer nenhum debate. E, claro, é no Congresso Nacional que as sínteses são construídas. O partido, as lideranças do partido, têm todo o direito de defender as suas posições. Agora, é no debate democrático, na superação das contradições, que nós vamos construir as ideias majoritárias. Então, eu não vejo nenhum problema no Congresso Nacional, por meio das nossas lideranças, no caso, o nosso líder Pedro Uczai, que propôs um debate, e esse debate ser tratado com normalidade pelo Congresso. Não vejo nenhum problema. Se não será pautado, nenhuma votação, mas que se abra o debate, que se faça um debate, isso fortalece a democracia.
Imprensa: Presidente, e a sua defesa na manutenção do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa deste ano para ajudar o presidente Lula a vencer as eleições, ou tem espaço para abrir apoio para os partidos como o MDB, o PSD, indicarem o candidato a vice?

Edinho Silva: São duas coisas distintas. Primeiro, eu quero manter a aliança para reeleger o presidente Lula, para que o Brasil continue, primeiro, sendo pautado pela democracia, depois, para que o Brasil continue reconstruindo as suas políticas de governo e suas políticas de Estado. Para que o Brasil continue sendo respeitado internacionalmente, a reeleição do presidente Lula é fundamental. Então, todos os partidos que hoje compõem o governo do presidente Lula, é natural que o PT os procure para debater a continuidade desse governo, já que eles fazem parte. Isso é natural, é um momento natural da construção da nossa política de aliança. Esse é um fato. O segundo é que o vice-presidente Geraldo Alckmin é muito respeitado por todos nós. Em Salvador (BA), ele só não foi mais aplaudido que o presidente Lula, evidentemente. Mas ele foi aplaudido, é uma manifestação de carinho que o PT tem por ele, e eu tenho dito que o vice-presidente Geraldo Alckmin disputará o cargo que ele quiser nas eleições de 2026, porque nós o respeitamos e nós temos por ele muito carinho.
Imprensa: E sobre a proposta que põe fim à escala 6×1, qual a posição e como será a articulação para a votação deste projeto?

Edinho Silva: Olha, o que nós temos que entender é que o debate da redução da jornada de trabalho é um debate global. Eu não vou aqui me estender, mas nós estamos vivenciando desde a virada do século XX para o século XXI uma profunda transformação na base produtiva do Brasil e do mundo. Portanto, nós produzimos mais, cada vez menos com força de trabalho. E com a inteligência artificial (IA) esse processo terá uma celeridade muito grande. Portanto, eu vou aumentar a capacidade produtiva, reduzindo a força de trabalho na participação do sistema produtivo. A economia mundial vive uma crise. Uma crise exatamente porque ela está produzindo mais, o sistema produtivo produz mais, mas nós não temos massa de consumo para dar conta dessa produção. Se nós não enfrentarmos o debate da redução da jornada de trabalho, para que a gente continue produzindo, mas gerando empregos, e com isso nós desenharmos um modelo de aumento da produtividade, portanto, de aumento da produção de riqueza, mas também preservando o tempo para a família, para o estudo, para o lazer, para o trabalhador, nós estaremos totalmente fora da realidade. Então, não é um debate que é simples de ser feito, que é um debate transformador, mas é um debate urgente. E o Partido dos Trabalhadores, o PSOL no caso, e os nossos aliados defendem essa mudança, ela é atual e ela é sustentável do ponto de vista do modelo produtivo que nós vivenciamos. Então, nós vamos dar todo o apoio. Acho que o Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados, lideradas pelo seu presidente, o Hugo Motta, entendeu a urgência e entendeu a acessibilidade do tema. Então, estão em sintonia com os desejos da sociedade, é o que eu penso.
Imprensa: Presidente, o governo tem pressionado por essa redução da jornada de trabalho, o senhor parabenizou a bancada por ter assinado o pedido de CPI do Banco Master. Qual vai ser a prioridade do presidente em relação a isso, em relação a essa investigação? O senhor acha que o PT também está colocando isso como uma das prioridades?
Edinho Silva: Olha, eu penso assim, a investigação tem que ser feita. O que nós somos contra é a politização das investigações, partidarização das investigações, transformar investigações em instrumentos de luta política. Isso é que não pode acontecer. Agora, investigar e preservar as instituições, eu acho que isso tem que ser, inclusive, adotado com naturalidade, não tem que ser um fato. Nós estamos diante de uma denúncia grave, que afeta o sistema financeiro brasileiro. Eu disse há pouco, é só nós olharmos o mundo, o sistema bancário brasileiro tem credibilidade, ele é respeitado, a gente pode pedir reformas, mudanças, para que ele se torne, inclusive, para que ele esteja mais em sintonia com os desejos da sociedade. Mas negar que ele tem credibilidade, que ele funciona, seria um erro. Nós investigarmos denúncias para que ele continue tendo credibilidade, isso é positivo, isso não é negativo. E o Partido dos Trabalhadores vai continuar defendendo que as investigações sejam feitas em relação ao Banco Master, ou qualquer outro fato que exija investigação na economia e na política brasileira.
Imprensa: Presidente, em relação aos palanques, eu queria saber de Minas Gerais e da Paraíba. Lá em Minas, como é que está a relação com o PDT? E na Paraíba? Eles vão apoiar o pai do Hugo Motta para o Senado? Como é que está esse desenho?

Edinho Silva: Então, são dois cenários distintos. O primeiro, nós queremos um palanque forte em Minas, nós estamos trabalhando para construir um palanque forte, claro que o Rodrigo Pacheco (PSD), na nossa avaliação, é uma grande liderança, inclusive, das lideranças em ascensão no Brasil, certamente o Rodrigo está entre elas. Então, nós temos um palanque em Minas, liderado pelo Rodrigo Pacheco, seria para nós algo importante. Eu estou dizendo o nosso desejo, e nós temos que construir os nossos desejos. Claro que ninguém é candidato se não estiver convencido da missão. Então, por isso que o diálogo foi feito com o Rodrigo Pacheco, mas depende dele. Mas, além do Rodrigo Pacheco, nós temos outras lideranças do campo democrático em Minas Gerais, que defendem a democracia, que vão lutar pela democracia, vão construir para que o Brasil seja um país mais democrático, e que Minas continue sendo um Estado democrático. Então, nós estamos dialogando com essas lideranças, e nós vamos construir um palanque forte em Minas. Na Paraíba, nós temos dois campos políticos que defendem a candidatura do presidente Lula. Hoje, um campo que é liderado pelo Lucas [Ribeiro (PP)], que disputa a sucessão do governador João [Azêvedo], que é uma liderança muito querida pelo presidente Lula, e o outro campo, do Veneziano, liderado pelo [prefeito de João Pessoa] Cícero [Lucena (MDB)]. Então, nós estamos dialogando com os dois campos, e queremos construir um ambiente de unidade, porque sabemos que são dois campos que defendem a democracia, que estão alinhados com esse enfrentamento do autoritarismo contra a democracia. Portanto, estão do lado da democracia, e nós vamos dialogar com muita tranquilidade, e, claro, garantindo alianças fortes para que o presidente Lula continue sendo vitorioso na Paraíba, como sempre foi. Em Minas, temos vários nomes. Eu poderia mencionar o Tadeu [Leite (MDB)], que é o presidente da Assembleia, o [Alexandre] kalil (PDT), que é uma liderança que nós temos muito respeito também, e as lideranças do PT. Nós temos muitas lideranças do Partido dos Trabalhadores que também estão colocadas nesse diálogo.
Imprensa: E as críticas que as lideranças e o movimento indígena vem fazendo com relação ao governo?
Edinho Silva: Nós estamos trabalhando muito. Eu, pessoalmente, visitei os 27 estados brasileiros, em todos os estados que eu fui, dialoguei com as lideranças dos povos indígenas, e nós queremos aumentar a bancada federal com a representação dos povos indígenas, principalmente lideranças que defendam, de fato, os interesses dos povos indígenas. E queremos também representação nas Assembleias Legislativas. Portanto, o Partido dos Trabalhadores vai investir muito na eleição de representantes dos povos indígenas.
Imprensa: E onde não tiver acordo, como no Pará, por exemplo. Como é que vocês, o PT, estudam, resolver esses problemas na região Norte?
Edinho Silva: No Amazonas, nós temos um palanque muito forte, liderado pelo [senador] Omar [Azziz (PSD)] e pelo Eduardo [Braga (MDB)], um palanque fortíssimo na minha avaliação, e nós vamos trabalhar muito para que a gente eleja lá o governador, eleja senadores. Nós temos lideranças do PT também, que nós vamos oferecer o nome ao Senado. Nós sairemos dessa vez com uma chapa muito forte para federal. Nós vamos ampliar a nossa bancada estadual. No Pará, o nosso palanque também é muito forte. Lá, a nossa principal aliança é com o MDB, mas estamos dialogando também com outros partidos, para que a gente possa também garantir vitórias no campo democrático no Pará e votações expressivas para o presidente Lula.
Imprensa: E no Maranhão, e a relação MDB-PT, o PT com o PSB do governador Carlos Brandão. O PT vai defender que o vice-governador Felipe Camarão, que é do partido, seja mesmo o candidato à sucessão? Como vai ficar isso?
Edinho Silva: O PT vai continuar trabalhando pela unidade do nosso campo. Nós queremos construir um nome que unifique o nosso campo no Maranhão e que a gente não só eleja governador ou governadora no Maranhão que represente o campo democrático, mas que a gente eleja senadores, ou senadoras, no Maranhão e que a nossa bancada federal cresça também, que a gente consiga eleger deputado estadual no Maranhão que nós não temos. O presidente Lula tem por volta de 80% dos votos no Maranhão. Nós queremos que essa votação.
Imprensa: E o ministro Haddad, que é uma das maiores lideranças do Partido dos Trabalhadores, vai ser candidato ao governo de São Paulo, ao Senado?

Edinho Silva: Eu disse hoje, numa entrevista que eu dei, e quero repetir aqui, eu tenho um respeito imenso pelo governo do presidente Lula. Ele não poderia ser diferente porque é um governo de muitas entregas, em todas as áreas, é um governo de muitas entregas. Mas eu não tenho nenhuma dúvida que hoje o ministro Fernando Haddad é o principal ministro do governo do presidente Lula. Nós reconhecemos isso, eu acho que o Ministério [da Fazenda] reconhece isso. O ministro Fernando Haddad é uma liderança que pode disputar qualquer cargo eletivo no Brasil. Só que ele é de São Paulo, não é? Então é evidente que quando se discute o palanque de São Paulo, o nome dele é lembrado com muita força, mas nós temos, como eu disse agora há pouco, ninguém é candidato se não tiver vontade de ser, se não tiver convencido de ser. Nós estamos dialogando muito com o ministro Fernando Haddad para que ele possa avaliar o que representa as eleições de 2026 e fazer a opção que ele achar melhor, mas nós vamos respeitá-la porque ele é uma liderança fundamental para a construção do nosso projeto de Brasil.































