Plano do governo de R$ 9,2 bi turbina 11 aeroportos e promete gerar 2,8 mil empregos, diz Sílvio Costa Filho
Com R$ 4,64 bilhões do BNDES e R$ 1 bilhão do Santander, obras em 11 terminais de quatro estados avançam com até 79,6% de execução; Congonhas, em São Paulo, receberá R$ 2,6 bi.
Por Humberto Azevedo
Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto com a presença do presidente Lula no último 11 de fevereiro, o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho – deputado federal pelo Republicanos de Pernambuco – anunciou o maior pacote de investimentos da história da aviação brasileira.
Com R$ 4,64 bilhões do BNDES e R$ 1 bilhão do Santander, o projeto vai modernizar terminais em quatro estados, com destaque para Congonhas (SP), que receberá R$ 2,6 bilhões e terá sua capacidade operacional ampliada.
As demais obras, que já avançam, são em Ponta Porã (MS), onde 79,6% das obras já foram executadas, enquanto Altamira (PA) possui 70,4% das obras realizadas. A iniciativa deve alavancar R$ 9,2 bilhões em investimentos totais.
“Mais investimentos em aviação. Crescimento do número de passageiros nos aeroportos. Aumento no turismo nacional e internacional. E valorização da Embraer, que está aumentando sua representatividade no setor aéreo brasileiro, fortalecendo a indústria nacional”, comentou o presidente Lula durante o evento.
“Nós estamos celebrando um grande feito para a aviação do país: estamos anunciando o maior volume de investimentos da história da aviação brasileira num momento tão curto. Em três anos já foram investidos mais de R$ 5 bilhões e já estamos com contratos assinados, como está sendo feito hoje aqui, o equivalente a mais de R$ 10 bilhões em investimentos nos aeroportos brasileiros. Isso significa mais desenvolvimento e mais geração de oportunidades”, complementou o presidente brasileiro.
INVESTIMENTOS

O ministro detalhou que os R$ 9,2 bilhões que serão aplicados pela Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea (Aena) nos 11 aeroportos, que se encontram sob sua concessão. Congonhas terá o terminal dobrado de tamanho, chegando a 135 mil metros quadrados (m²), e as pontes de embarque passando de 12 para 19.
Nos demais aeroportos, as obras devem ser concluídas até junho de 2026; Congonhas tem prazo até 2028. Atualmente, os terminais movimentam 29 milhões de passageiros/ano e devem saltar para 40 milhões.
“Sobre os valores: num primeiro momento, serão R$ 5,7 bilhões em crédito, sendo R$ 4,7 bilhões do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e R$ 1 bilhão do Santander. Ao longo da concessão, a Aena deverá investir mais R$ 4 bilhões, somando os mais de R$ 9 bilhões previstos. Pode vir de aporte da empresa ou novas operações de crédito”, contou Costa Filho.
“Tivemos em 2022 o equivalente a 97 milhões de passageiros. Em três anos do nosso governo, nós saímos de 97 milhões de passageiros para 130 milhões de passageiros. O que isso significa? Em três anos, foram incluídos mais de 30 milhões de passageiros na aviação do país. O Brasil foi o país que mais cresceu na aviação no mundo”, observou.
LEILÕES

O ministro apontou ainda que o leilão do aeroporto do Galeão já tem data marcada para acontecer em 30 de março, com cinco interessados. Assim como o terminal portuário Tecon Santos, que vai a leilão em maio e pode mais que dobrar a capacidade do maior porto do país.
“O leilão do Galeão está marcado para 30 de março, com quatro a cinco grupos interessados, como Vanti, Inframérica, Zurich, além de fundos de investimento. A expectativa é de um grande leilão, e agradeço ao TCU e a ANAC pela construção do entendimento”, anunciou.
“Quanto ao terminal de Santos, teremos uma reunião pós-carnaval para definir os próximos passos. Há dois caminhos em discussão: a posição do TCU, que proíbe a participação de armadores incumbentes, e a da Antaq, que permite apenas no primeiro momento. Estamos dialogando com embaixadas e investidores internacionais para ampliar a participação”, esclareceu.
“O edital deve sair em março, e o leilão, em maio. Será o maior da história do setor portuário brasileiro, com capacidade de mais do que dobrar as operações do Porto de Santos. Já temos cerca de oito a dez interessados, entre grupos brasileiros, árabes, americanos e asiáticos”, apontou.
PARTICIPAÇÃO DE ESTRANGEIROS
O ministro defendeu ainda a participação de concessionárias internacionais na gestão de aeroportos estratégicos. Para ele, além da qualidade na prestação de serviços, empresas como a espanhola Aena atuam como indutoras de novas rotas e voos internacionais para o Brasil.
“É muito importante que a gente possa ter players internacionais cada vez mais administrando aeroportos brasileiros. Concessionárias internacionais, como a Aena, não só trazem qualidade na gestão, como também ajudam a atrair novas companhias aéreas e voos internacionais para o Brasil. Elas atuam junto a empresas como a Iberia para ampliar a malha aérea, o que agrega valor ao país”, defendeu.
PASSAGENS

Com redução de 20% no querosene de aviação e queda de 10% no preço das passagens nos últimos dois anos, Sílvio Costa Filho comemora a democratização do setor. Mais de 70% das passagens de 2025 foram vendidas abaixo de R$ 600, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
“Teremos uma reunião no Ministério da Fazenda para os ajustes finais. Já garantimos mais de R$ 6 bilhões no orçamento de 2026 para o FNAC, com crédito disponível para as companhias. A Gol já manifestou interesse, e a expectativa é que isso priorize a compra de aviões da Embraer. Esse é um ganho significativo, que se soma a redução de mais de 20% no QAV e a queda de mais de 10% no preço das passagens nos últimos dois anos”, comentou.
Abaixo, segue a entrevista coletiva que o ministro concedeu no Palácio do Planalto ao qual a reportagem do Grupo RDM participou.
Imprensa: Como explicar a divisão dos investimentos de R$ 4,64 bilhões que podem chegar a R$ 9 bilhões? E como o senhor avalia o aumento da participação de estrangeiras em terminais estratégicos?
Sílvio Costa Filho: Sobre os valores: num primeiro momento, serão R$ 5,7 bilhões em crédito, sendo R$ 4,7 bilhões do BNDES e R$ 1 bilhão do Santander. Ao longo da concessão, a Aena deverá investir mais R$ 4 bilhões, somando os mais de R$ 9 bilhões previstos. Pode vir de aporte da empresa ou novas operações de crédito. Quanto à participação estrangeira, é estratégica. Concessionárias internacionais, como a Aena, não só trazem qualidade na gestão, como também ajudam a atrair novas companhias aéreas e voos internacionais para o Brasil. Elas atuam junto a empresas como a Iberia para ampliar a malha aérea, o que agrega valor ao país.
Imprensa: Qual a expectativa para os leilões do Galeão e do terminal Tecon Santos? Há empresas interessadas?

Sílvio Costa Filho: O leilão do Galeão está marcado para 30 de março, com quatro a cinco grupos interessados, como Vanti, Inframérica, Zurich, além de fundos de investimento. A expectativa é de um grande leilão, e agradeço ao TCU e a ANAC pela construção do entendimento. Quanto ao terminal de Santos, teremos uma reunião pós-carnaval para definir os próximos passos. Há dois caminhos em discussão: a posição do TCU, que proíbe a participação de armadores incumbentes, e a da Antaq, que permite apenas no primeiro momento. Estamos dialogando com embaixadas e investidores internacionais para ampliar a participação. O edital deve sair em março, e o leilão, em maio. Será o maior da história do setor portuário brasileiro, com capacidade de mais do que dobrar as operações do Porto de Santos. Já temos cerca de oito a dez interessados, entre grupos brasileiros, árabes, americanos e asiáticos.
Imprensa: Quando o senhor deixará o governo? Já há um substituto? E qual a expectativa para a disputa ao Senado por Pernambuco?
Sílvio Costa Filho: A previsão de saída é 2 de abril. Estou me preparando para disputar o Senado, mas isso depende de uma construção coletiva em Pernambuco. Agradeço ao presidente Lula pelo apoio e confiança. Ele já tem um nome em mente para o Ministério e quer manter o quadro atual para dar continuidade aos trabalhos. Vamos dialogar com o partido, a bancada e o setor produtivo para que a escolha seja coletiva. Quem escolhe é o presidente, mas é importante que o novo ministro dê sequência aos leilões previstos para 2026: mais de 35 no total, sendo 19 no setor portuário e 14 a 15 na aviação.
Imprensa: O senhor pode repetir os nomes das empresas interessadas no leilão do Galeão?

Sílvio Costa Filho: São elas: Vanti, Inframérica, Zurich, e esperamos que a Aena também tenha interesse. Além disso, o atual concessionário do Galeão, um fundo de investimentos da Vitis, também é um possível participante. Já temos cinco possíveis interessados no leilão da B3.
Imprensa: O governo está avaliando o Fundo de Garantia à Exportação (FGE) como garantia para o financiamento de aeronaves via Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC)? Como está essa tramitação?
Sílvio Costa Filho: Teremos uma reunião no Ministério da Fazenda para os ajustes finais. Já garantimos mais de R$ 6 bilhões no orçamento de 2026 para o FNAC, com crédito disponível para as companhias. A Gol já manifestou interesse, e a expectativa é que isso priorize a compra de aviões da Embraer. Esse é um ganho significativo, que se soma a redução de mais de 20% no QAV [Querosene de avião] e a queda de mais de 10% no preço das passagens nos últimos dois anos. Mais de 70% das passagens de 2025 foram vendidas abaixo de R$ 600, segundo dados da ANAC.



























