O número de famílias endividadas em Cuiabá subiu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu 86,7% dos consumidores em janeiro de 2025. No total, 180.207 famílias estão com contas no vermelho, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice é 0,3% maior do que o registrado em dezembro de 2024 e no mesmo período do ano passado.
A alta do endividamento reflete a combinação de fatores macroeconômicos, como a desvalorização do real frente ao dólar, o aumento da inflação e a elevação dos juros. Segundo o economista Felipe Tavares, a dívida tem consumido uma parcela maior da renda das famílias, que enfrentam dificuldades para obter crédito, já que os empréstimos estão mais restritos e caros.
A principal fonte de endividamento é o rotativo do cartão de crédito, que representa 83% das dívidas das famílias cuiabanas. Além disso, um levantamento do Instituto de Pesquisas da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) apontou que 7 em cada 10 consumidores da capital comprometem até metade de sua renda com despesas.
Esse cenário já impacta a economia local. A intenção de consumo das famílias caiu quase 4 pontos percentuais em comparação ao ano passado, enquanto a confiança dos empresários do comércio recuou 1,1 ponto percentual.
Para o economista Josué Coimbra, o desafio do governo é equilibrar o controle da inflação sem sufocar a atividade econômica. Ele avalia que, se o país tivesse um arcabouço fiscal mais sólido, os juros poderiam ser menores, reduzindo o impacto sobre empresas e consumidores. “O dilema continua sendo se estamos combatendo a inflação de forma eficaz ou apenas restringindo a economia sem atacar as causas estruturais do problema”, conclui.




















