Confusão teria começado após fala do deputado bolsonarista das Minas Gerais, Nikolas Ferreira. Devido a confusão, o deputado Rogério Correia que presidia a audiência encerrou a sessão: “Em meio a gritos, risadas e provocações, ficou impossível manter o diálogo democrático”.
Por Humberto Azevedo
Em audiência tumultuada por parlamentares bolsonaristas em que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicava a proposta do governo do presidente Luiz inácio Lula da Silva, que isenta de imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil e institui medidas compensatórias, como a ideia de instituir uma alíquota de 10% sobre os dividendos que ultrapassarem R$ 50 mil por mês, o deputado Rogério Correia (PT-MG), que presidia a audiência encerrou o debate em virtude, segundo ele, ao “desrespeito dos bolsonaristas”.
A confusão teria começado após a fala do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG), quando o ministro tecia os seus comentários e defendia a aprovação de uma tributação de títulos de investimento atualmente isentos do imposto de renda, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).
Segundo Haddad, a nova taxação vai substituir o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que foi criticado por deputados nos últimos dias e levou até a uma reunião de emergência com o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários, na noite do último domingo, 8 de junho.
Haddad nega que o fim da isenção vá prejudicar o crédito imobiliário e o agronegócio, já que, de acordo com o ministro, os títulos foram criados para captar recursos para esses setores. “Esses benefícios fiscais não vão para o produtor; 60% a 70% ficam no meio do caminho, com o detentor do título ou o sistema bancário”, explicou.
“Infelizmente, precisei encerrar a audiência com o ministro Fernando Haddad devido ao desrespeito dos bolsonaristas. Em meio a gritos, risadas e provocações, ficou impossível manter o diálogo democrático. Mesmo com as tentativas de tumultuar, a audiência foi fundamental. O ministro trouxe esclarecimentos sobre o pacote econômico, os avanços do Governo Lula, reafirmou o compromisso com o Brasil e com o povo trabalhador, defendeu a justiça fiscal e foi direto: quem ganha mais, precisa pagar mais. A meta é corrigir distorções, combater privilégios e construir um país mais justo. O Brasil merece mais. Precisamos superar esse mal chamado bolsonarismo”, explicou Correia.
Após a decisão de Correia em encerrar a sessão, o líder da oposição bolsonarista – deputado Zucco (PL-RS) – afirmou que o ministro Haddad “perdeu as condições de continuar no cargo após ataques a deputados”. Segundo o líder bolsonarista, Haddad estaria isolado politicamente. “Veio à Câmara para tumultuar”, disparou o bolsonarista gaúcho.
“O senhor Haddad afirmou que Bolsonaro fugiu dos debates em 2018. Uma declaração covarde, mentirosa e absolutamente desumana. Todos sabemos que o presidente sofreu uma facada e quase morreu. Isso não é debate político — é canalhice disfarçada de oratória. Não é à toa que ele ganhou o apelido de Taxadd. Veio aqui mais uma vez defender mais impostos, como se a população brasileira fosse uma fonte inesgotável de dinheiro. Mas o que vimos foi um ministro descompensado, isolado e hostil. Haddad perdeu totalmente as condições de continuar no cargo”, comentou Zucco.
Em resposta aos ataques proferidos pelos parlamentares bolsonaristas, o líder do PT na Câmara – Lindbergh Farias (RJ) – afirmou que a bancada petista “manifesta total solidariedade ao ministro Haddad, vítima de agressões verbais e ataques desrespeitosos por parte de deputados bolsonaristas durante audiência pública conjunta das comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle”.
“Repudiamos veementemente esses atos de violência política e a tentativa de impedir o debate democrático sobre temas essenciais à economia brasileira e ao futuro do país. O nervosismo e a agressividade desses parlamentares não são gratuitos: o depoimento de Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) escancarou sua participação em crimes contra o Estado Democrático de Direito, e sua prisão é apenas uma questão de tempo. Diante disso, tentam, de forma desesperada e vergonhosa, desviar a atenção com ataques irresponsáveis ao governo atual”, completou Lindbergh.
Com informações de assessorias e da Agência Câmara.































