Os alimentos podem ficar mais caros nos próximos meses caso se confirme um El Niño forte. Um estudo do Rabobank, baseado no comportamento dos preços durante episódios anteriores do fenômeno no Brasil, estima que os produtos in natura, como carnes e hortaliças, podem subir 19,9%, com o impacto máximo aparecendo até seis meses após o choque climático. A alimentação consumida em casa poderia avançar 6,32%.
Em um cenário de El Niño moderado, a alta estimada para os alimentos in natura seria de 13,4%, enquanto a alimentação no domicílio subiria 2%. Hortaliças tendem a reagir primeiro por terem ciclos de produção mais curtos. Produtos semi-elaborados, como arroz e feijão, sentiriam os efeitos de forma mais gradual, enquanto os industrializados teriam repasses menores.
O estudo estima que um El Niño moderado acrescentaria cerca de 0,41 ponto percentual ao IPCA. No cenário forte, o impacto dos alimentos chegaria a 0,83 ponto percentual, sendo 0,53 ponto decorrente apenas dos produtos in natura. A intensidade dos efeitos depende das condições das safras, da duração do fenômeno e do cenário econômico.
As projeções mais recentes indicam cerca de 80% de probabilidade de ocorrência de um El Niño forte até o fim do ano. Entre os produtos que podem sofrer impacto estão café, milho, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz. A pecuária também pode ser afetada pela redução das chuvas no Centro-Oeste e no Norte, enquanto algumas áreas do Nordeste e do Sul podem ter condições favoráveis para determinadas culturas.



















