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A política virou um reality show. E o eleitor é o público fiel

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Estamos vivendo a década do político influencer.
Tudo vira vídeo.
Tudo vira corte.
Tudo vira trend.

Não importa se resolveu algo.
Importa se performou bem na timeline.

A política, que deveria ser tratada com seriedade, responsabilidade e foco em soluções reais, virou um grande palco de entretenimento barato. Um lugar onde deputados, vereadores, prefeitos, governadores — e até presidentes — atuam como personagens. Não governam. Interpretam.

Cada ação é um grito desesperado por engajamento.
Cada discurso é pensado para viralizar.
Cada “embate” é roteirizado para render cliques.

Resolver problemas antigos?
Dá pouco alcance.
Criar crise nova?
Entrega muito mais.

O resultado é previsível: vivemos uma guerra infinita de ataques que nunca terminam em nada. Não geram investigação séria. Não geram reforma estrutural. Não geram consequência. Só geram… mais ataques. É uma novela sem fim, escrita por gente que só sabe repetir o mesmo capítulo.

E o mais curioso — ou trágico — é que isso não acontece por acaso.
A sociedade escolheu esse modelo.
E continua escolhendo.

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Elegemos quem fala mais alto, não quem entrega mais.
Quem lacra, não quem resolve.
Quem aparece, não quem constrói.

Vivemos pregados nas telas.
Eles também.
É um acordo silencioso: o político finge que governa, o eleitor finge que fiscaliza. Ambos satisfeitos, desde que o conteúdo não pare de chegar.

Ninguém pergunta mais por resultado concreto.
Ninguém cobra meta cumprida.
Ninguém mede legado.

A régua virou curtida.
O critério virou engajamento.
A política virou um pátio de recreio — frequentado por guris pequenos… e por adultos que nunca cresceram.

E não, isso não é saudosismo.
É cansaço.

Cansaço de meme no lugar de política pública.
De dancinha no lugar de gestão.
De personagem no lugar de autoridade.

A pergunta não é se a política ficou rasa.
Isso já é fato.

A pergunta é:
até quando vamos confundir barulho com competência — e chamar isso de democracia?

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